Developer: Cyanide Studio, Nacon
Plataforma: Xbox Series X|S, PlayStation 5, Xbox One e PlayStation 4
Data de Lançamento: 9 de junho de 2022

O jogo anual que nos faz pedalar até Paris todos os anos está de volta para dar mais um ar da sua graça, desta vez já para a nova geração e com mais algumas novidades. Tour de France 2022 é o cartão de visita da prova rainha do ciclismo e oferece, como é hábito, todo o percurso da prova que este ano até começa em Copenhaga. Para quem não está tão familiarizado com o mundo do ciclismo é algo que pode parecer estranho, mas tem-se tornado um hábito nas grandes voltas, que começam fora do seu país para uma promoção da modalidade. 

Apesar de não fazer mudanças de fundo para esta edição, a Cyanide Games parece ter apostado na inteligência artificial do pelotão que compõe o jogo. Isto porque uma das mudanças está no comportamento dos ciclistas na estrada, bem mais agressivos e reativos do que antes. Vamos ver os líderes das grandes equipas na frente quando é preciso, os ataques de Van Der Poel nas clássicas e Pogacar ou Roglic a deixar em dificuldades qualquer aspirante a vencer etapas com um bocado a mais de montanha. Se são daqueles que gostam da modalidade e até percebem do assunto, vão ver muitos momentos parecidos com a realidade a acontecer, o que é, de facto, um grande passo para este Tour de France 2022. É verdade que nos outros jogos também já havia algumas situações parecidas com aquelas que se vêem na TV, mas nesta edição estão mais vincadas que antigamente.

De forma a tornar o jogo mais imersivo, agora quando passamos no chamado “pave”, ou piso empedrado, vamos ver a imagem e o nosso comando a tremer como se não houvesse amanhã. É algo que nos envolve ainda mais nas provas, principalmente na clássica Paris-Roubaix, conhecida pelas suas longas zonas de “pave”. As nossas mãos tremem tanto que quando terminamos uma dessas provas, até parece que estivemos mesmo ao volante de uma bicicleta.

Outra das novidades é o facto de haver mais incidentes em prova, ainda que eu considere que são poucos, mesmo usando a opção de “acontecer frequentemente”. Já há quedas de ciclistas e abandonos de atletas, quer estejam a participar numa volta maior ou numa das clássicas de um dia, mas nem sempre é natural. Tentei forçar algumas quedas só para ver se conseguia, mas a maior parte das vezes não aconteceu nada. Já nas descidas, as coisas parecem ser diferentes e uma curva mal calculada pode significar uma queda aparatosa que pode levar ao abandono do nosso ciclista. Aparentemente também há doenças ao longo das provas, mas confesso que não me aconteceu tal coisa. Para os mais céticos, estejam descansados porque esta opção dá para editar e desativar, mas quanto mais real possa ser, para mim melhor.

Porque falamos em realidade, é bom não esquecer que esta é uma franquia que puxa mais dos galões de simulação, do que de um modo arcade. Esse ficou lá atrás nos tempos da PS2. Aqui olhamos para estratégias de corrida e gestão de esforço e de pernas que temos para atacar. Tal como nas edições passadas mais recentes que analisei aqui para o Salão de Jogos, o controlo é feito com uma barra vermelha que nos elucida de quanto poder de ataque temos e outra barra azul com a nossa cadência e resistência ao pedalar normalmente. A nós cabe-nos gerir esse esforço e decidir quando usamos o abastecimento que precisamos. Temos uma bebida de recuperação para o azul e outra para o vermelho e alguns pontos de novo abastecimento, consoante a quilometragem da etapa em que estamos a participar. De nada vale gastar logo tudo ou atacar logo no início de uma subida, se não tiverem a certeza que aguentam, porque se não, correm o risco de ficar apeados com a imagem a aparecer a preto e branco, como sinal de desgaste do ciclista.

Os modos de jogo deste Tour de France 2022 são idênticos aos do ano passado com uma nova adição online. O Race Of The Moment é um modo que promete trazer mais longevidade aos jogadores, isto porque a cada semana que passa, existem novos eventos dos quais podemos participar. É um modo online, mas de comparação de pontos a nível de prestação nas provas. Não pensem que vamos para pista com uma equipa enquanto outros jogadores estão com vocês na mesma corrida, mas noutras equipas. Não é isso.

Esse será certamente um dos desafios que a comunidade pede há anos, mas tal ainda não aconteceu. Para já, o que temos é, por exemplo, uma data de etapas para participar com uma determinada equipa em que teremos de fazer o nosso melhor e obter uma pontuação que depois é comparada com os outros jogadores online. Localmente podem jogar algumas provas em co-op ou em modo versus.

De resto, o jogo vem com todas as etapas deste Tour de France, tal como o modo puro e duro da prova em que agarramos uma equipa e a tentamos levar aos objetivos a que se propõem. Alguns conjuntos vão para ganhar a camisola amarela, outros vão lutar por etapas, pela camisola dos pontos ou pela montanha. Vale ir com qualquer uma, conforme o desafio que queiramos fazer. Contem com desistências, tipos de motivação e preparação para cada etapa consoante os dias anteriores e alguns objetivos que vamos, ou não, conseguindo. 

Há ainda o modo que foi introduzido em 2021 em que podemos criar a nossa própria prova no modo My Tour, com uma vasta escolha de etapas que temos disponíveis das edições passadas. Uma vez que não temos, por exemplo a Vuelta ou a nossa volta a Portugal, podemos, pelo menos, tentar criar algo parecido com as mesmas características de etapas. 

Está de regresso o tradicional Pro Team, no qual agarramos numa equipa desde a sua criação e a tentamos levar até à vitória no Tour de France, algo que não acontece no primeiro ano porque vamos ter de ir ganhando pontos em corridas de menor importância. Há outro modo idêntico em que criamos também um ciclista, que é o Pro Leader e até podemos ir representar alguns países nos campeonatos mundiais, conforme a nacionalidade que escolhemos. 

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Além desses modos podemos ainda jogar o Critérium Dauphiné, o Paris-Nice, ou ainda clássicas e monumentos como o Paris-Roubaix, a Liège-Bastogne-Liège ou a nova aparição no jogo inspirada na Milão-Sanremo, mas que aqui se chama de Primavera Classic. Todas elas provas importantes do calendário.

A nível de licenciamento, há novas equipas, como é o caso da Caja Rural-Seguros RGA, Uno-X Pro ou a Eolo-Kometa, no entanto, a Quick-Step continua com os ciclistas por licenciar e com o nome errado. Felizmente dá para mudar isso no editor. A UAE de João Almeida e Rui Costa está totalmente licenciada, bem como a Movistar de Nélson Oliveira ou ainda a EF Education de Rúben Guerreiro. No editor ainda podemos ver as estrelas de outros tempos numa categoria de lendas do ciclismo. Podemos até preparar uma base de dados com os melhores de todos os tempos e fazer um Tour com todos. 

Infelizmente, as caras genéricas dos ciclistas continuam a atormentar quem joga a franquia Tour de France. Não há a mínima semelhança com a realidade, o que é uma pena porque dava outra dose de realismo a um jogo que já merecia isso. Em corrida, podem esperar uns gráficos bastante mais bonitos agora na nova geração com todas as texturas melhor definidas. A música é a mesma todos os anos, mas é a do Tour e contra isso nada há a fazer. 

Os menus são idênticos às edições passadas, o que faz com que os jogadores habituados ao jogo se sintam em casa. O problema dessas não mudanças é que faz tudo parecer que é o mesmo jogo dos anos passados com mais uma ou outra coisa o que vai levar muita gente que já tenha outras edições a não apostar nesta nova. Este é de facto o maior problema da franquia, que apesar de todos os anos implementar algo novo, parece sempre pouco para quem já tem uma versão anterior. Isto acontece também noutros desportos e é algo que as editoras deviam refletir. 

Tour de France 2022 dá à franquia um maior realismo na estrada, quer com o salto gráfico para a nova geração, quer com o comportamento dos ciclistas no pelotão. Coloca uma maior imersão de jogo com a vibração do comando e da imagem quando passamos em piso empedrado e introduz um novo modo de pontos online com desafios semanais. Se gostam de ciclismo vão certamente gostar do jogo que se refrescou um pouco . Sem uma concorrência forte a impor ritmo no pelotão, Tour de France ainda tem que pedalar um bocado para ganhar a camisola amarela no final, mas vai caminhando para lá.

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