Developer: FluckyMachine
Plataforma: PC
Data de Lançamento16 de dezembro de 2021

Para uns o lixo pode ser, apenas e só, isso mesmo, mas para outros pode ser um mundo cheio de possibilidades. Entre as quais está o de construir uma jangada para a sua própria sobrevivência. É isso que este Trash Sailors significa, tendo ainda uma moral escondida dentro da sua própria história: um dia vamos todos morrer mergulhados no lixo que fazemos.

A história é exactamente essa, uma espécie de apocalipse provocado pelo Homem ao constantemente deitar o lixo para os mares e rios deste mundo, borrifando-se para ideias como a reciclagem ou uma vida sustentável e sempre à procura que alguém resolva o problema em seu lugar. E é nesse mesmo ponto em que a Natureza dá uma resposta cabal e inunda todos os cantos da Terra, submergindo aquilo a que chamam de casa.

É perante esse cenário que a nossa personagem terá então que construir uma jangada feita de lixo que vamos recolhendo por esses mares e rios acima, na tentativa de sobreviver. O jogo desenrola-se de uma forma bastante linear, tentando conduzir a jangada do ponto A para o ponto B, passando por selvas ou por depósitos de lixo tóxico, transformando o lixo em algo útil para a nossa jangada, como combustível ou peças para a reparar, tentando evitar todos os obstáculos criados por cada cenário onde nos encontramos.

No entanto se o jogo parece linear e com objectivos claros e simples, isso não quer dizer que o jogo é extremamente fácil. Trash Sailors segue um pouco a premissa de Overcooked, por exemplo, onde temos que executar tarefas de forma sincronizada. Ao nosso dispor temos uma cana de pesca para apanhar o lixo que anda a boiar, com uma mecânica de apontar e disparar, uma lista na parte inferior do ecrã a dizer-nos os elementos para reciclarmos em peças para a jangada ou combustível e um leme para dirigir a nossa jangada.

Obviamente que ao início até parece fácil, apanhamos lixo, transformamos num cubo reciclado, colocamos combustível e vamos dirigindo a nossa jangada até ao final do nível. Mas conforme vamos avançando no jogo rapidamente as coisas vão-se complicando. Primeiro, começam a surgir múltiplos caminhos, segundo vão aparecendo cada vez mais obstáculos e terceiro vamos começar a ter dificuldades de gerir os recursos necessários para dar combustível e peças para reparar a nossa jangada.

É que, e especialmente se jogarem sozinhos, as mãos não vão chegar para tudo, por exemplo, se baterem com um obstáculo, parte da vossa jangada fica destruída e vão ter de usar o lixo reciclado para a recuperar, mas enquanto o estão a fazer, a jangada vai percorrendo os mares à mesma e precisam de a dirigir. O mesmo se pode dizer se estiverem a tentar pescar lixo e precisam de comandar a jangada ao mesmo tempo, daí ser uma questão de fazer as coisas de forma organizada e sincronizada.

Se jogarem sozinhos vão ter um robot para vos ajudar. Este robot pode executar uma das tarefas de forma automática. Ou pode ficar numa zona da jangada a pescar o lixo de forma indescriminada ou a segurar o leme, permitindo que o movamos apenas com dois botões do comando sem estarmos fisicamente agarrados ao leme. O jogo permite-nos ainda tentar ajudar nas direções ao saltar num dos lados da jangada para a virar.

Contudo nem sempre é fácil orientar uma embarcação, seja lá qual a ajuda que tivermos. E a dificuldade aumenta substancialmente mais à frente no jogo quando são introduzidas outras mecânicas, como a possibilidade de termos canhões para nos defendermos das investidas dos inimigos, ou a necessidade de manter os faróis acessos, alocados no topo do mastro, para navegarmos nas áreas mais escuras do mapa. Como podem ver, tal como em jogos de cooperação e sincronismo como Overcooked, vamos tendo cada vez mais tarefas para executar e as mesmas duas mãos para o fazer.

É por isso que Trash Sailors deve ser jogado na sua plenitude e a única forma de o fazer é jogar com um amigo. O jogo permite-nos convidar até mais 3 amigos e com mais uns pares de mãos a coisa torna-se bastante mais eficaz e divertida. Não só pela comunicação que podemos ter com os nossos companheiros de aventura, como podemos ter personagens diferentes, visto que existem algumas diferenças nas selecionáveis. Assim podemos arquitetar uma forma eficiente para controlar todas as situações que apareçam.

Em termos de personagens, já que falámos nelas, temos o Barão aka Sea Dog, a personagem mais experiente, Francis aka Handyman a personagem que é relativamente bom a tudo, depois o Herman aka Currywurst Lover que é o homem dos canhões e por fim a Mary aka Harpoon Virtuoso, a mais rápida do grupo a apanhar o lixo.

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Em termos gráficos, este jogo tem um ar peculiar, com a arte toda desenhada e pintada à mão, a lembrar muitas vezes o estilo de banda desenhada francesa, especialmente do filme de Sylvain Chomet, Les Triplettes de Belleville. Apesar da simplicidade dos desenhos, a verdade é que a dinâmica das condições atmosféricas, os efeitos de luz e os detalhes no cenário, conferem um jogo um aspecto bastante impressionante e prazeiroso no meio de todo o caos da jogabilidade.

Trash Sailors é um jogo que chega no final do ano para o PC através da Steam e é uma alegre surpresa. Tem um aspecto próprio, tem uma identidade, e vai buscar inspiração a outros jogos cooeperativos, retirando deles a dificuldade, mas também a alegria de jogar com amigos e consegue misturar tudo isso num jogo muito engraçado. Com o lançamento para as consolas agendado para o início do ano que vem, vejo, por exemplo, na Nintendo Switch como um dos jogos para se jogar em qualquer lado com os amigos.