Developer: NACON, KT Racing
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 20 de Março 2020

A prova de TT (Tourist Trophy) Isle of Man é considerada, por muitos, uma das mais emblemáticas e mais perigosas no ramo dos desportos motorizados. A Ilha recebe a competição há mais de um século e todos os anos existem uns quantos valentes prontos a testar os limites da condução naquelas estradas estreitas e cheias de curvas. É este espírito que TT Isle of Man – Ride on the Edge 2 nos tenta passar. E consegue, pelo menos na sensação de perigo que corremos quando vamos a toda a velocidade.

Devo desde já alertar que TT Isle of Man – Ride on the Edge 2 é um jogo de pura simulação de condução. Tive muitas dificuldades no início para controlar a mota e não cair. Ora porque ia rápido demais, ora porque batia num passeio de raspão ou ainda porque virava demasiado e lá ia o piloto parar ao chão. Esqueçam ter grandes apoios de condução e mesmo quando configuram as ajudas automáticas, vão reparar que não é nada fácil ter o controlo da mota. Dito isto perdi umas boas horas a tentar fazer corridas sem ir ao chão para depois arriscar um pouco mais. Não vale a pena querer só acelerar quando existem curvas e mais curvas em trilhos estreitos como é o caso de Isle of Man.

Depois dessas primeiras horas desastrosas e angustiantes quase capazes de me fazer desistir do jogo, a recompensa vem quando aprendemos a dominar a mota. Travar cedo, fazer a curva mais cedo e acelerar prego a fundo porque vem aí uma estrada sem curvas, perfeita para atingir grandes velocidades. É uma sensação única de perigo iminente e ao mínimo toque na direção lá vamos nós nos esbardalhar ao comprido. O barulho do vento e os ecos dele em alguns aquedutos dão um maior realismo à sensação de condução e aqui tiro o chapéu à equipa da KT Racing que conseguiu passar para o jogador uma boa experiência. Agora não posso deixar passar que às vezes há quedas estúpidas e que parecem fora do contexto. Mesmo a andar devagar quando se toca num passeio, o mais certo é caírem, enquanto que o mais prudente seria, talvez subir o passeio.

Graficamente nota-se um trabalho de evolução em relação ao jogo anterior TT Isle of Man – Ride on the Edge. Os modelos das motas estão bem recriados e embora haja pouco ambiente na maior parte das corridas, as texturas, casas e o clima estão bem feitos e lembra até WRC 8, ou não fosse a KT Racing e a NACON responsáveis pelos mesmos jogos. As estradas e os caminhos também parecem ter algumas semelhanças na maneira como são feitas com o jogo do Tour de France.

Nos modos de jogo TT Isle of Man – Ride on the Edge 2 tem um bom modo carreira, no qual fazemos o nosso piloto aspirante a ser um campeão ou pelo menos a chegar à prova rainha o TT Sénior. Mas antes é necessário planear a época. Podemos optar por ter ou não ter um contrato com alguma equipa. Eles impõem-nos alguns objetivos, mas dão-nos motas da marca para conseguirmos competir. No entanto, podemos querer ser livres e ter as nossas próprias motas que se podem comprar na loja, com dinheiro amealhado nas diferentes corridas. Existem várias provas ao longo de uma época e em cada data podemos escolher a que corrida ir. Podemos optar por fazer uma corrida no modo fácil ou preferir uma no difícil ou no médio. O prestígio, o prize money e os perks que podemos ganhar é que mudam consoante a dificuldade. Ao longo da época também vão havendo corridas que contam para o apuramento do nosso piloto para o TT. Primeiro o TT Junior e depois aspirar o TT Sénior, mas este projeto leva o seu tempo. Passei a primeira época praticamente a aprender a jogar de maneiras que cheguei ao fim e não fui apurado para a prova rainha de TT Isle of Man – Ride on the Edge 2. No segundo ano o caso mudou de figura e foi uma recompensa por todo aquele esforço do primeiro ano que valeu a pena. 

Na loja podemos ainda comprar peças para a nossa moto para a tornar mais rápida e eficiente por exemplo. Podia era haver também mais capacetes e equipamentos para personalizar o nosso piloto. Há ainda a Challenge Zone onde podemos entrar e numa espécie de “mundo aberto” temos desafios diferentes como contra-relógios ou atingir durante um certo tempo uma determinada velocidade. Aqui podemos ganhar também pontos de prestígio para a nossa entrada nas provas rainhas do jogo os Tourist Trophy. Mas este era claramente um modo a melhorar. Numa Ilha tão grande, há poucos desafios disponíveis. Também não digo que viesse a ser um Horizon, mas que podia ter sido mais aprimorado podia. Fora do modo carreira há os habituais multiplayer, offline e online, mas pela internet não tive grande sucesso e encontrei uma pesquisa de jogo muito, mas muito demorada. Existem os contra-relógios e ainda o Free Roam, onde vamos poder andar livremente pela Ilha, para testar novas configurações da moto, andar a 300 Km/hora e apreciar algumas paisagens. Outra novidade do jogo é um modo câmera, mesmo no nosso capacete para dar um realismo superior de sensação, mas não achei que fizesse grande efeito, mas talvez porque estou muito habituado a jogar os jogos, sempre que possível, na terceira pessoa, daí gostar da perspectiva de ver toda a mota e o piloto.

A condução perfeccionista e a sensação de velocidade fazem de TT Isle of Man – Ride on the Edge 2 um simulador perfeito para um nicho muito próprio de amantes de motas que gostam de correr riscos. Não é fácil de jogar como outro qualquer do estilo arcade em que basta acelerar. Aqui terão mais trabalho para não caírem da mota e acabarem estendidos no chão. Recomendo alguma paciência nos primeiros tempos porque sem ela, mais vale rumar a outras paragens.

Deixa um comentário