Developer: Two Point Studios, SEGA
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 25 de fevereiro

Desde muito novo que me fascinam jogos que tenham algo relacionado com o facto de construir algo. Primeiro foi um parque de diversões em Roller Coaster Tycoon, depois uma cidade em Sim City, ou mais recentemente em Cities e claro Theme Hospital para construir e gerir um hospital. Two Point Hospital é o sucessor, pelo menos espiritual dessa relíquia de 1997 e agarra em tudo e mais alguma coisa para fazer de nós, bons ou maus gestores de uma marca que se quer no topo do ramo hospitalar. 

Não vou fazer grandes comparações entre um e outro, mas o grafismo em cartoon funciona lindamente numa quase adaptação gráfica entre duas, ou três gerações. Two Point Hospital é cómico e intuitivo. Depois de sair no PC, esta é a versão para consolas que tem, como já é hábito neste tipo de adaptações o problema dos comandos não serem um rato. Mas não entrem em alarme porque o jogo é bastante fácil de jogar, mesmo com um comando na mão.

Vamos então à parte que mais interessa que é ser o melhor gestor de hospitais e levar a marca Two Point Hospital ao topo numa data de aspetos importantes, seja na cura de pacientes, seja no valor da marca ou até no bom ambiente de trabalho. Para lá chegar, o caminho não é fácil, mas o jogo está muito bem estruturado e faz de cada nível, ou neste caso, hospital, uma aprendizagem para chegar à liderança. No primeiro hospital somos ensinados a lidar com o básico de um centro hospitalar para depois sabermos como fazer nos hospitais seguintes. É preciso construir uma recepção e claro, contratar uma assistente para trabalhar lá, depois é necessário um consultório e um médico, uma farmácia e uma enfermeira e ainda os chamados janitors que são os que tratam de arranjar as máquinas, manter a ordem e até ser caça-fantasmas. Sim, leram bem. Se um dos doentes morrer, transforma-se em fantasma e vai andar pelo hospital a provocar o pânico e daí ser necessário ter especialistas em caça-fantasmas. Também é preciso decorar os corredores com bancos de espera, máquinas de comida e bebida, plantas, quadros, aquecedores em regiões mais frias ou ar condicionado em áreas mais quentes.

Depois do básico, vamos aprendendo que é necessário mais gabinetes para o bom funcionamento daquilo tudo. Um gabinete para um psicólogo, uma enfermaria onde os doentes podem ficar internados, uma área de cardiologia, de osteopatia e até uma máquina capaz de eliminar epidemias. Algumas pessoas pedem tratamento VIP e até para isso há gabinetes que podemos criar. Além desta faceta mais “médico-táctica”, há depois a outra do ensino. Isto porque os nossos profissionais têm diversas características e são contratados em função das mesmas, mas há a possibilidade de os ensinar em novas áreas, quer sejam profissionais já creditados, quer a outros mais novos, principalmente estes que têm muito a aprender. Podemos até treinar um enfermeiro para arranjar máquinas ou até para se tornar em algo mais. Também existem gabinetes de pesquisa que se desbloqueiam mais à frente, à medida que vamos avançando em Two Point Hospital. O nosso staff é fundamental para o bom funcionamento da clínica e também lhes teremos de dar benefícios, como uma boa sala de descanso no hospital, aumentar ordenados, mandar descansar de vez em quando ou até promovê-los na carreira. 

Cada hospital pode ter até três estrelas e se o conseguirmos é porque o nosso trabalho está a ser bem feito, mas basta atingirem os objetivos que vos dão acesso a ter uma estrela e podem seguir para outras paragens e para um novo hospital noutra região com características diferentes. No início comecei por fazer três estrelas no primeiro hospital, mas depois percebi que podia avançar e mais tarde voltar para acabar o que ficou a meio. Mesmo assim ainda tenho algum trabalho pela frente. Uma das regiões que mais gostei de jogar foi a de um hospital que ficava nas montanhas e os doentes chegavam de helicóptero. Era uma região fria e por isso tínhamos de manter o hospital mais quente que o normal e ter um gabinete maior para tratar dos ossos partidos, uma vez que a maioria das pessoas aparecia lá com esse tipo de lesão. Alpinistas e pescadores eram o prato do dia. A expansão dos hospitais faz-se com a compra de terrenos à volta e assim podemos depois criar pólos especializados e ter tudo bem organizado. 

Importantíssimo é ter as contas em dia para poder continuar a comprar coisas para o nosso hospital. Não podemos estar a gastar mais que o normal, como é lógico. Se tal acontecer o jogo vai dando dicas para nos livrarmos de algum elemento do staff que ganha mais que o devido ou que não está a ser necessário. Até podemos pedir um empréstimo, mas nunca tive essa necessidade. O factor financeiro não é uma dor de cabeça assim tão grande se controlarmos bem os salários. Para valorizar a marca e trazer mais gente à nossa rede hospitalar é possível criar umas campanhas de promoção que se podem revelar bastante eficazes para subir o valor do hospital. 

Two Point Hospital é um “manager” de hospitais em que defendemos a marca e lutamos para depois, no final de cada ano, ver se somos os melhores em diversas áreas. Desde o valor da marca, à cura de doentes, tudo importa nos rankings que definem de quem são os melhores hospitais. Também em cada ano há os “Óscares” dos hospitais com prémios coletivos e individuais para melhor hospital, o que cura mais, melhor staff e mais uma data de troféus que há para conquistar a cada ano que passa.

 

Apesar da temática do jogo se associar a algo pesado, como doenças, tempos de espera e epidemias, Two Point Hospital trata disso com humor e coloca, não só fantasmas a vaguear pelo hospital, mas também faz chegar à nossa clínica alguns palhaços do circo que até merecem um departamento especial, em jeito de tenda de circo, para serem curados. Há doenças engraçadas como ficar com cabeça de lâmpada ou com panelas na cabeça e até pode haver uma crise de monocelha peluda entre muitas outras coisas hilariantes que aliviam o facto de aquilo ser um hospital. A música é aquela típica aborrecida destes jogos. Parece tirada de uma biblioteca de sons, mas com um toque especial que simula uma rádio enquanto jogamos. Também é possível ouvir as colunas do hospital que por vezes nos dá dicas se falta alguma coisa ou não. 

Two Point Hospital é capaz de nos divertir horas a fio sem darmos pelo tempo passar. É baseado no clássico Theme Hospital e mostra que se adaptou bem às gerações atuais de consolas. As doenças engraçadas que existem, juntamente com alguma fantasia, fazem com que este jogo de gestão hospitalar se torne quase irresistível, onde rir é o melhor remédio.