Developer: Strictly Limited Games
Plataforma: Nintendo Switch, PlayStation 4
Data de Lançamento: 23 de Junho de 2020

Grande parte do tempo entre os meus 6 e 12 anos foi passado a jogar NES, Spectrum e claro, mais tarde, no PC, SNES, Mega Drive e por aí fora. No entanto, existiu um jogo que me marcou e até já conhecia os truques quase todos; para onde tinha de disparar quase antes de entrar no cenário, ou a melhor arma para determinado local ou boss. Falo obviamente de Contra, o famoso jogo da Konami que fez a delícia de muitos jogadores.

Quando Ultracore me chegou às mãos, a primeira imagem que tive foi de Contra, embora deva referir que Ultracore embora tenha bastante de shoot’em up, podemos dizer que vai mais para o estilo de MetroidVania. A história por trás do desenvolvimento deste jogo é bastante interessante, e merece ser contada. Estávamos no inicio dos anos 90 e a Digital Illusions (DICE) começou a desenvolver um novo jogo para Commodore Amiga, Sega Mega Drive/Genesis e Sega Mega-CD. Em 1994 o jogo estava praticamente finalizado, e chegou a ter algumas antevisões com uma critica muito favorável.

Como era de prever as expectativas eram bastante altas e todos os sinais apontavam para outro jogo de enorme sucesso. Mas com a chegada da PlayStation ao mercado, uma consola bastante poderosa em comparação com as referidas anteriormente, o jogo ficou na prateleira durante todos estes anos.

Foi preciso chegarmos a 2019 para uma equipa voltar a pegar no código deste jogo e reescrever algumas das suas partes para o trazer para as novas consolas, neste caso Nintendo Switch e PlayStation 4. Uma história impressionante e acima de tudo intrigante, num jogo que tinha tudo para ser um sucesso.

Como é fácil perceber, por tudo o que já foi dito, Ultracore é um jogo feito para os jogadores dos anos 90, o que não significa que não continue bastante interessante. Obviamente que levou alterações para as novas consolas, desde os comandos que permitem por exemplo com o analógico direito disparar e apontar para onde queremos.

A história do jogo é bastante simples, como todos os jogos daquela altura – basicamente a terra foi dominada por máquinas que pretendem aniquilar todos os humanos, e nós lá teremos de salvar a humanidade, derrotando as máquinas e os seus bosses. Aquele cliché bem presente em filmes e jogos dos anos 90, em que o bem tem de derrotar o mal, sendo raro o filme que não seguia esse caminho; se olharmos então para os filmes de acção, praticamente todos seguiam esse padrão.

Como disse anteriormente, o jogo segue um estilo MetroidVania, onde teremos de andar à procura de chaves para abrir portas, alavancas para fazer certas plataformas surgirem, assim como descobrir áreas escondidas, ou seja, algumas paredes dão para destruir, de maneira a encontrarmos áreas completamente escondidas e que nos oferecem itens bastante úteis, como novas armas, munição e até energia.

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Cada nível tem um determinado tempo para conseguirmos chegar ao seu fim, mas existem locais onde podemos apanhar itens que prolongam esse tempo. Vão também notar que a quantidade de munição é finita, mas é algo que chega perfeitamente para finalizar os níveis, visto que pelo caminho também existe a possibilidade de apanhar mais munição. Na parte de baixo do ecrã também vão encontrar o número de vidas e os número de bombas que podem usar, assim como a barra de energia. Existe também a vossa pontuação tal como acontecia nos jogos mais antigos, até porque se chegarem ao fim do jogo ou se ficarem sem vidas, podem colocar o vosso nome no quadro de pontuações, exactamente como antes.

A jogabilidade de Ultracore é muito rica, isto é, para um jogo que é trazido para as gerações actuais e foi criado nos anos 90, o trabalho da equipa de desenvolvimento foi bastante interessante. Nunca sentimos os controlos datados; muito pelo contrario – o jogo responde bem; o próprio premir dos botões está responsivo, e isso nota-se nos saltos, já que se ficarem a premir o botão durante mais tempo o salto é maior que se só derem um toque, o que neste caso resultará num salto será mais curto e mais baixo. O jogo está muito fluído, mas não esperem facilidades, uma vez que possui uma dificuldade acima da média em comparação com os jogos actuais. Na verdade, muitos jogadores podem mesmo perder a cabeça, já que nada é oferecido; ultrapassar um nível e matar um boss dá trabalho, mas no fim podem finalmente sentir o sabor da vitória. Além disso, quando finalizam um nível, recebem um código para quando voltarem ao jogo poderem continuar do início do próximo nível. Mesmo à old school , onde tínhamos apontados os códigos dos vários níveis num caderno.

Quanto ao grafismo, como seria de esperar, podemos dizer que é bem retro, nos habituais 16 bits dos anos 90. Porém, posso dizer que está super bem trabalhado e com muito detalhe, isto é, para o que os 16 bits permitem, está incrível. A versão que joguei foi a da Nintendo Switch e tanto na dock, como em modo portátil, o jogo portou-se sempre lindamente, com os fps muito estáveis.

Quanto à banda sonora, encaixa-se na perfeição no jogo, levando-nos mesmo aos jogos da década de 90, com 21 faixas para ouvirmos. Foi ainda adicionada uma banda sonora mais actual com 12 músicas, sendo possível alternar entre a versão original e a nova, nas opções do jogo. Esta nova versão apresenta cerca de uma hora e meia de novas músicas.

Ultracore é um daqueles jogos que nos deixam intrigados se pensarmos como foi possível não ter sido lançado antes; principalmente em 1994, quando estava pronto para sair. Mas mais vale tarde do que nunca, e chega agora, oferecendo uma nostalgia incrível. Provavelmente chamará mais a atenção dos jogadores mais antigos, mas caso os mais novos tenham a curiosidade e lhe deem uma oportunidade, certamente ficarão rendidos a ele.