Developer: Glass Heart Games
Plataforma: Nintendo Switch, Xbox One, PlayStation 4, PC
Data de Lançamento: 14 de Outubro de 2020

Cada vez mais estão na moda os jogos com uma dificuldade acima da média, para a geração mais nova de jogadores, estes ficaram conhecidos como Souls-Like, devido à saga Demon Souls e Dark Souls, porém, para os jogadores da velha guarda, isto é algo quase banal, já que os jogos nos anos 80 e 90, por serem curtos, tinham dificuldades bem acima da média.

Vigil: The Longest Night segue exactamente esse caminho, isto é, um Soul-Like em 2D, ou se preferirem um side scroller de acção-horror com diversas plataformas e batalhas bem difíceis contra Bosses. Resumindo, podemos dizer que é um metroidvania inspirado num Soul-Like. Existe uma particularidade muito interessante no jogo, tudo foi desenhado e pintado à mão, os detalhes estão esplêndidos, e a beleza deixa-nos mesmo estupefactos, ao ponto de não me lembrar da última vez que um jogo em 2D me fizesse parar o personagem só para apreciar a beleza dos seus cenários.

Felizmente, nem tudo é baseado nas ideias de Dark Souls, já que o jogo apresenta uma história, e isso torna tudo muito mais interessante. Em Vigil: The Longest Night seremos Leila, uma jovem mulher que volta à sua cidade natal, Maye, depois de se tornar membro da Vigília e ter cumprido um intenso treino para isso acontecer. No caminho para a sua cidade encontra-se com diversos monstros e um cenário de horror entre os habitantes e os guardas da cidade. Além disso a sua irmã encontra-se desaparecida, o que torna tudo mais intenso.

Como devem imaginar, é neste cenário de horror que começa a nossa aventura, já que iremos ter diversos objectivos para completar, muitos deles servindo para ajudar os habitantes por vezes com tarefas simples, como encontrar por exemplo o capacete de alguém, como até resgatar uma criança desaparecida. No início do jogo começamos equipados com uma espada, uma armadura básica, umas botas e umas luvas. Mas descansem que este é um dos pontos em que o jogo está incrivelmente bem apetrechado, e existem diversos tipos de armas e armaduras.

Quanto às armas, estas podem ser divididas pelas de corpo-a-corpo, e por aquelas que podemos arremessar. Nas de corpo-a-corpo vamos ter a possibilidade de ter 3 armas equipadas de uma vez, e bastará um botão para alterarem entre elas, o que é óptimo, já que assim é bastante simples alterar a estratégia de ataque consoante o inimigo. Existe uma enormidade de armas, sejam elas espadas, lanças, machados, entre outras. Depois teremos as armas de arremesso que podemos colocá-las noutro tipo de slots, e também as podemos ir alterando, temos facas de arremesso, molotov, dinamites, entre outras coisas. Obviamente que consoante a arma a jogabilidade também se altera, por exemplo com uma espada teremos uma agilidade e rapidez bastante maior do que propriamente com uma lança.

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No caso das armaduras as escolhas também são imensas, temos 5 tipos de equipamento, são eles, o chapéu, a Máscara, a Armadura Corporal, as Luvas e as Botas. E mais uma vez as escolhas são imensas, existindo diversas opções, algumas que vamos encontrando, e outras que podemos adquirir. Por fim, temos também os anéis, com 4 slots que podemos usar, e como é costume, no caso das jóias, existem diversos tipos de bónus que estas nos oferecem.

O inventário é bastante extenso, e é o local onde colocamos tudo o que apanhamos, sejam consumíveis, itens mágicos, materiais para melhoramento de armas, e claro, os itens das missões.

Já que nos focamos nos materiais de melhoramentos de armas, estas podem ser melhoradas, assim como encantadas, e para isso devem ir até à forja e ter os materiais necessários, e claro, o dinheiro para fazer esse trabalho. No caso do melhoramento, elas ficarão mais poderosas dando mais dano; já os encanamentos dão outro tipo de bónus, como envenenar o inimigo, colocar o inimigo mais lento, colocar o inimigo em chamas, entre muitas outras coisas.

Além de todos os melhoramentos no status do nosso personagem que acontecem com os equipamentos e armas, não podemos esquecer a nossa progressão, já que existe um sistema de experiência e de nível de personagem. Conforme vamos eliminando os inimigos vamos ganhando experiência, que serve para subirmos o nível do personagem. Isso irá alterar os nossos status como também oferece um ponto de talento por cada nível que aumentamos. Esses pontos podem e devem ser usados nos 5 mapas de talento que o jogo oferece, sendo que o primeiro está relacionado com a arte de esgrima; o segundo com talentos na arte de usar machados; e o terceiro destina-se à arte de usar lâminas duplas; o quarto com a habilidade de usarmos arcos; e por fim o mais geral, que tem a ver com aumento de vida, recuperação de stamina, ou mesmo mana.

A área para explorar no jogo é vasta, com algumas plataformas e zonas escondidas, e isso verifica-se facilmente no mapa, que conforme vamos percorrendo as regiões, o mapa do jogo vai sendo construído. Para terem uma noção da grandeza, o jogo apresenta dois mapas, um para a superfície, e outro para as zonas subterrâneas.

Quanto à jogabilidade, Vigil: The Longest Night está excepcional, o tempo de saltos está óptimo, e os ataques estão muito bons e diversificados, variando conforme as armas. A alteração de armas faz-se de maneira rápida, assim como o acesso às armas de arremesso e as poções. Tudo isto facilita bastante a jogabilidade, num jogo que um passo em falso pode ser a nossa morte. Durante a nossa viagem vamos encontrando uma espécie de postes que servem para salvar o jogo, assim como para nos um teletransportarmos outro desses postes (a maneira de fazer viagens rápidas no jogo).

Se até agora tudo está incrível, no caso da Nintendo Switch existe algo que é saturante, principalmente num jogo destes que a morte é algo que acontece diversas vezes, e falo dos tempos de loadings que são enormes. Por vezes, esperamos quase 2 minutos por um loading para podermos começar a jogar; e algo que também me aconteceu algumas vezes foi o jogo parar durante uns 10 a 15 segundos do nada e sem responder a nenhum comando, ao alterar o equipamento do personagem. Felizmente segundo os criadores do jogo, no dia do lançamento do jogo será lançado um patch que melhorará bastante os tempos de loading.

Graficamente, como já referi acima, o jogo está esplêndido, com cenários incríveis e extremamente belos num ambiente de horror. Leila também está muito bem criada, e a sua roupa vai sendo alterada conforme vamos mudando o seu equipamento, quer seja os chapéus, as luvas, as armaduras ou até a máscara – tudo é alterado, o que oferece uma boa sensação ao jogador. No aspecto sonoro o jogo também está óptimo, quer seja nos efeitos sonoros, como na música. Tudo está muito bem escolhido e encaixa na perfeição.

Vigil: The Longest Night impressionou-me imenso, é um jogo incrível, com uma boa história e que certamente irá agradar tanto os fãs de Dark-Souls, assim como os fãs de metroidvania. Será certamente uma das surpresas deste ano de 2020, dira que foi criado o conceito de Metroidvania-like!