Developer: inXile Entertainment
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 28 de Agosto de 2020

A franquia Wasteland é conhecida por ser um RPG que se passa num cenário pós-apocalíptico e que transporta consigo algumas parecenças com os primeiros Fallouts, devido à perspectiva isométrica a que Wasteland se mantém fiel ao longo dos tempos. Outra comparação justa é com XCOM, onde as nossas escolhas na narrativa fazem toda a diferença para o rumo dos acontecimentos. Wasteland 3 segue então as pisadas dos seus jogos anteriores e mantém intacto o seu ADN de puro RPG capaz de agarrar qualquer fã do género.

Do deserto para o gelo, Wasteland 3 continua os acontecimentos de Wasteland 2, mas muda de cenário do Arizona para o Colorado que está coberto de neve. O sol de outros dias parecem bem distantes quando nessa viagem, entre um Estado e o outro, um grupo de Rangers, soldados da Team November são alvos de uma emboscada e poucos foram os que sobreviveram. A nossa viagem começa assim, com dois sobreviventes, que vamos poder escolher, entre várias duplas pré-definidas ou fazer dois personagens que vão lutar pela vida e combater por turnos, numa espécie de tutorial inicial para quem não está familiarizado com este estilo de jogo. 

O sistema de combate por turnos é um dos grandes trunfos do jogo. É preciso pensar duas vezes antes de agir seja em que circunstância for. Às vezes parecia que estava em vantagem numérica, mas os inimigos lembravam-se de um truque qualquer e ficava sem saber bem como reagir, o que me levava a repensar toda a abordagem a esse combate. As possibilidades são muitas. Podemos ir com tudo e atacar frente-a-frente, desprotegendo a nossa guarda ou preferir algo mais cauteloso e jogar pelo seguro no que toca a um ataque mais calculado, estando mais escondido da batalha. Comparo o sistema a um jogo de Xadrez, mas com peças diferentes. A nossa equipa, que é de dois elementos no início, pode passar rapidamente a seis logo após as primeiras missões. Em vez da Rainha e do Rei, as nossas peças aqui são os Rangers, onde é preciso balancear os atributos da nossa equipa e ter uns elementos bons em estratégia, outros mais agressivos, peritos em cura e saber usar todos da melhor maneira possível. Além disto, as batalhas não se fazem só com soldados e às vezes são introduzidas algumas máquinas que temos de destruir, não só com os peões de jogo, mas também com outras máquinas que tenhamos do nosso lado.

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A juntar ao combate, a narrativa é algo que empolga e tem realmente relevância. Não vos vou contar muitos pormenores para não estragar as surpresas, mas é bom saber que o nosso poder de escolha é fulcral para o rumo dos acontecimentos. Também vos digo que há conversas que não nos levam a lado nenhum, mas são raras. Acontece mais em algumas side quests que parecem intermináveis. A grande maioria dos diálogos, principalmente em missões principais, levam-nos a escolhas, nem sempre óbvias, se é que há óbvio neste Wasteland 3. Decidir matar um inimigo ou poupá-lo, enquanto este tem um refém é uma decisão que deve ser difícil de tomar. O jogo dá-nos esse peso da decisão com uma consequência de acontecimentos que provavelmente nos vamos lembrar durante toda a aventura, o que até pode influenciar nas nossas futuras escolhas. 

Só para explicar melhor, a título de exemplo, a certa altura um dos bandidos ameaça matar um dos nossos e no diálogo vamos ter de decidir se lhe poupamos a vida ou nos envolvemos numa troca de tiros. Como estava numa situação de dois contra um escolhi dar um tiro no inimigo. Ele foi atingido, mas não sem antes tirar a vida a mais um dos nossos guerreiros. Mais tarde, numa situação idêntica, a minha reação foi deixar ir o inimigo e não vos vou dizer quais foram as consequências dessa acção, mas a minha decisão foi claramente influenciada pelo que tinha visto na primeira situação.

Wasteland 3 vai sendo um jogo que fica mais acessível com o passar do tempo. No início tive algumas dificuldades em perceber como tudo funcionava, mas aos poucos vamos tomando-lhe o gosto e torna-se viciante. Facilmente se passa uma noite inteira a jogar sem dar pelo tempo passar. A ajudar estão os gráficos que acompanham o jogo, principalmente nas cutscenes e os efeitos sonoros que acompanham a história, não só no combate, mas até quando se anda a desbravar caminho. A diversidade de cenários e a originalidade de personagens é fantástico. A câmera isométrica é ideal para este tipo de RPG, embora às vezes me tenha desiludido porque não é de todo muito controlável naquilo que se quer ver à nossa volta. Em combate, nada a dizer, mas fora dele, pode melhorar ainda. O jogo permite ainda que dois jogadores se juntem online para ir passando a aventura o que é mais um ponto a favor para quem não gosta de gerir sozinho algumas situações de combate e prefere jogar com amigos. O sistema de criação de personagens também está bastante complexo e muito completo a todos os níveis.

Não tenham dúvidas que Wasteland 3 é um excelente RPG capaz de nos agarrar com uma boa história e um sistema combate muito bom. O cenário pós-apocalíptico pode ser um clichê, mas está vivo e conservado nas ruas geladas do Colorado. Para quem passa o seu tempo por Fallout e XCOM vai ter de arranjar mais algum para encaixar a terceira aventura de uma franquia que está de corpo e alma junto dos melhores.