Developer: Ubisoft
Plataforma: Xbox One, Xbox Series X|S, PS4, PS5 e PC
Data de Lançamento: 30 de outubro de 2020

Watch Dogs Legion traz uma nova premissa, qualquer um de nós pode ser quem quiser, e qualquer personagem pode ser parte integrante de uma revolta e da rebelião levada a cabo pela DeadSec. Agora será que esse objectivo tão ambicioso foi levado a cabo com mestria ou a rebelião tem os seus dias contados?

Desta vez a Ubisoft decidiu não apresentar uma personagem central e seguirmos a sua jornada para rebelar o povo de Londres contra a estranha organização Zero Day e os seus comparsas de uma milícia paramilitar chamada Albion. E eu diria que ainda bem, é muito mais interessante escolhermos a nossa própria personagem do que continuarmos com personagens com traços de personalidade tão fraquitos como os anteriores. Para além disso dá-nos logo aquele sentimento de que pertencemos ao povo, somos pessoas normais que não estão contentes com aquilo que está a acontecer na sua cidade, e no mundo em geral, e que podemos nos rebelar e lutar por aquilo que está certo.

É um sentimento com que nos afeiçoamos facilmente nestes tempos em que vivemos, e a Ubisoft acabou por ter uma jogada de mestre nesse sentido, porque é algo que vai estar presente em todo o jogo. Sendo assim e como perceberam até pelos vídeos de apresentação do jogo, facilmente podemos ser aquela velhinha que está farta de ver o seu mundo em constantes guerras de poder, quando há tantos outros problemas culturais por resolver, podemos ser aquele jovem que mergulhou na internet à procura da verdade, a verdade que nos é escondida através das camadas de informação que a internet cria, podemos ser o rapaz que está a escrever este texto e que adora videojogos e que vê que o mundo está a ficar virado ao contrário. É esta premissa vencedora que vai fazer o jogo valer muito a pena.

Vamos lá então explicar o contexto em que nos vamos inserir, no inicio a DeadSec acaba metida numa armadilha levada a cabo pela tal “organização” Zero Day de forma a assumir as culpas por uma espécie de atentado que acontece em Londres. Por isso a DeadSec é caçada pela Albion, de forma a que a força mais ameaçadora se extinga por completo. No entanto existem ainda algumas parcelas que sobreviveram e se escondem em alguns pontos estratégicos para manter a chama acesa e tentar reagrupar as tropas e novos recrutas para tentar ripostar.

É aqui que entramos, escolhemos uma personagem entre o rol de opções que será a nossa personagem inicial, aquela com que tentaremos perceber quem está por detrás desta tentativa de desmembramento da DeadSec e que intuitos têm. Devo dizer que escolhi a personagem que mais se poderia assemelhar a mim, e portanto escolhi Bob Todorov, mecânico de automóveis um ex-representante do sindicato que utiliza uma chave inglesa como arma de corpo a corpo, mas que mais importante do que tudo isto, e daí o ter escolhido, estava vestido como se fosse para a bola apoiar o Arsenal com casaco, boné e cachecol de um clube chamado “Regiment United“, e pensei logo: é este!!!

No início e com o meu amigo Bob Todorov nas mãos temos que tentar voltar a activar uma célula da DeadSec e juntar membros para formarmos a nossa equipa e tentar mandar abaixo a Zero Day e a Albion. Para isso temos um grupo de missões que nos apresentam as mecânicas principais do jogo, que, como qualquer jogo da Ubisoft, se dividem por zonas, com objectivos para desbloquear o mapa, criar um ambiente de rebelião em cada distrito, e eliminar as forças autoritárias da zona.

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As missões são variadas na sua forma e execução mas passam sempre pelo mesmo conceito de infiltração em determinados locais, de uma forma mais stealth ou mais à “Rambo”, recolher informações e despachar as forças inimigas. Ao princípio pensei que a fórmula se iria esgotar com alguma facilidade, mas a verdade é que nem por isso. Quer seja pelo local em si, o seu layout, as possibilidades de infiltração com vários gadgets que vamos possuindo, quer seja pela capacidade bélica que vamos tendo ao dispor, para mim foi sempre diferente a metodologia aplicada, e como existem várias mecânicas associadas que vão desde pequenos puzzles de ligações electrónicas para desbloquearmos o acesso a um computador ou a um servidor, que seja o acesso apenas utilizando uma aranha robótica ou um drone, foi sempre divertido, desafiante e com um factor de novidade constante que encarei cada uma das missões, seja principais, secundárias ou de recrutamento.

O facto de também podermos mudar de personagem sempre que quisermos e portanto termos um novo conjunto de skill sets faz com que olhemos para as oportunidade de maneira diferente e por isso a jogabilidade é sempre viciante. Vamos poder adicionar até 40 pessoas à nossa equipa, sendo que se ativarem o modo de Morte Permanente no início do jogo, quando uma personagem morrer, pois bem, morre mesmo e teremos que continuar com outra personagem, porém se não tivermos mais personagens o jogo acaba.

Além, obviamente, das missões principais e das dezenas de atividades extras espalhadas pela cidade, como apanhar bebedeiras, jogar ao dardo, hackear máquinas de slot machines e outras coisas, vão também poder fazer missões secundárias, como participar de uma Liga de Boxe clandestina, por exemplo. As recompensas por estas missões secundárias podem variar de itens cosméticos, gadgets e ETO (o dinheiro do jogo). Concluir actividades extra ajuda a aumentar o apoio da população ao DedSec; são as clássicas missões para “libertar território do domínio inimigo”, já conhecida dos jogos da Ubisoft, mas agora com roupagem diferente.

Os londrinos de distritos revoltosos, ou seja, aqueles que já libertámos, também são mais propensos a entrar para a resistência. É possível encontrar dezenas de atividades diferentes no mapa, como interferir em propaganda do governo, fazer entregas, sabotar veículos inimigos, fotografar e coletar provas e etc. Aproveitem enquanto exploram para ficar de olho em colecionáveis.

A nível da jogabilidade temos a tradicional mecânica do combate corpo a corpo, com ataque leve e forte que quebra a defesa do adversário, a esquiva e contra ataque, fácil, pode por vezes ser eficaz, mas aliado a uma boa soqueira e pode ser letal. Depois temos as armas que podem variar consoante a personagem e o o nível em que estamos de desbloqueamento do mapa e da malta que fomos recrutando, podem ir da pistola/taser, passando por uma SMG silenciosa ou um lança-granadas. São várias as opções mas devo dizer que não são as mais fundamentais, porque isso está reservado aos nossos gadgets, e é claro, ao nosso inseparável smartphone.

É com ele que vamos poder, como é habitual na franquia, invadir cameras, com esse acesso podemos ativar armadilhas, atrair inimigos, distrai-los, controlar outros sistemas, seja uma aranha robótica ou mesmo um drone para acedermos a outros espaços e roubar, e roubar dados, “it’s all about data”. Na verdade podemos passar o jogo a infiltrarmo-nos apenas e só à conta do nosso smartphone, e isso é a componente técnico ou tática do jogo, como se fosse um jogo de xadrez, um Real Time Strategy, e isso continua a ser super aliciante. Podemos hackar um drone de carga, um drone de controlo de espaço aéreo, um drone munido de uma arma letal, colocar metralhadoras fixas automáticas, criar hologramas de nós mesmos para despistar os inimigos, usar minas, etc; como podem ver as opções são muitas e variadas e por isso, também não será por aqui que vão ficar entediados. Falta falar do conduzir, e devo dizer que depois das experiências dos jogos anteriores, até gostei bastante da condução, não de todos os veículos devo dizer, os carros e nomeadamente os carros desportivos conduzem-se muito bem, num estilo mais arcade é um facto, mas bastante suave até. No entanto as motas, eu diria que aí nem tanto, parece que estamos a conduzir um pau, na verdade.

Só porque faz parte de um grupo rebelde não quer dizer que não se possa derrubar os adversários no estilo. Há várias lojas para comprar roupas espalhadas pela cidade sendo que podem também pode customizar a aparência das vossas armas e gadgets. Tudo isso custa dinheiro do jogo e já foi aberta a caixa de pandora das micro-transações, para já apenas para cosméticos, mas com a componente online a chegar a dezembro, esperemos que isso não se expanda para esse modo de jogo.

Em termos visuais vamos ter que dividir aqui a nossa análise ao jogo, a versão que testámos foi na Xbox One X, onde a quebra de frame rate não foi muito notória, com o detalhe da cidade e dos ícones de Londres muito bem recriados, com todos os grafismos hi-tech com uma grande pinta, mas, e há sempre um mas, sentimos várias vezes que as texturas não apresentavam a qualidade que se esperava, especialmente na água, onde, vamos ser honestos, a Ubisoft tem dominado, assim como em alguns momentos a iluminação parece algo vazia, e digo isto em relação aos prédios da cidade, dão uma sensação de vazio. Devo dizer que acredito que algumas texturas e efeitos de iluminação, etc, tenham levado basicamente com uma “espremidela” para se aguentar nesta geração, claramente a ambição e a direção artística do jogo é para a nova geração de consolas, e por isso mesmo, vamos atualizar esta análise, assim que recebermos a nossa unidade da Xbox Series X, para dar-vos um relato mais preciso e fundamentado desta questão.

Watch Dogs Legion é um bom jogo, que facilmente vai levar os jogadores até ao seu fim sem se entediarem demasiado, com um plot um pouco previsível, é um facto, mas com uma ideia bastante interessante, dando poder ao povo, e como estamos esfomeados nesse sentido não é?! e dando um jogo bem mais “simpático” de jogar em todas as mecânicas e enquadramento das missões, do que os seus antecessores. Peca por tentar chegar a um maior número de jogadores possível, e neste campo sentir-se que foi enjaulado nesta geração quando a fera quer sair para nova geração, mas agradar a gregos e troianos não é fácil.