Developer: Dotemu
Plataforma: Xbox One, Xbox Series, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 20 de Janeiro de 2022

Poucas coisas vendem actualmente como a nostalgia. O reaproveitamento de produtos que fizeram sucesso no passado tem sido cada vez mais uma tendência em tudo o que exige alguma criatividade, e é um tipo de reciclagem que tem sido particularmente evidente na industria dos videojogos.

Windjammers foi injustamente esquecido, e tem acumulado pó há quase trinta anos, uma vez que o seu lançamento aconteceu no distante ano de 1994. Foi um título que criou uma autêntica febre nas máquinas arcade da altura, e que sabia como melhor apelar ao espírito competitivo dos jogadores. Nesse sentido, o que é estranho foi o facto de não ter existido qualquer continuidade de uma franquia que tinha tudo para se tornar um fenómeno.

Depois de um port do original para a PlayStation 4 e Switch em 2017, a tão aguardada sequela, que pode ter chegado com alguns anos de atraso, mas não deixa de ser muito bem-vinda, especialmente porque tenta fazer renascer um estilo que é muito singular neste IP. Windjammers 2 foi finalmente lançado, e deixou principalmente quem o jogou no passado naturalmente entusiasmado. É um verdadeiro regresso ao passado, seja na proposta visual, como na jogabilidade arcade – ambas captadas na perfeição.

Tal como em 2017, o desenvolvimento foi entregue à Dotemu, embora agora lançado em todas as plataformas, ou seja, na PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Stadia, Xbox One, Xbox Series, e entrando directamente no Game Pass. A estratégia é que chegue ao máximo possível de pessoas, até porque é um jogo do qual é muito mais fácil de desfrutar quando jogamos contra alguém. É por essa razão que haverá crossplay entre jogadores das consolas da Xbox e PC, e cross-gen play entre a PS4 e PS5.

Para quem não conhece o jogo, Windjammers 2 pode ser classificado como do género do desporto. Pensem numa versão de Pong muito mais sofisticada e vistosa, onde dois jogadores defendem, cada um, a sua extremidade do campo, evitando que o disco passe por eles. Este estilo arcade a fazer lembrar os animes da época era muito comum nas décadas de 80 e 90, e um dos motivos que nos fazia colar ao ecrã, sobretudo por causa dos remates especiais que eram realmente decisivos.

Um bom exemplo da semelhança com os jogos desse tempo é sem dúvida a campanha, que é apresentada como um mapa mundo, tal como Street Fighter 2. Nesse modo, teremos vários adversários pela frente, espalhados por diversos países, onde vamos ser obrigados a eliminar um a um, com fases de bónus pelo meio. Cada oponente terá características diferentes, tanto no estilo de jogo, como culturalmente, com algumas referências ao país que representa.

Ganha o melhor de três sets, naquele que atingir ou ultrapassar primeiro os 15 pontos. Existem duas formas de pontuar: fazendo com que o disco ultrapasse a linha de fundo adversária, ou levando o disco a cair no campo adversário, numa espécie de lob. Disto isto, existem dois lançamentos básicos, um por alto, e outro mais rasteiro e directo, onde é possível usar o disco para tabelar nas laterais, e claro, com diferentes velocidades que dependem das condições em que interceptamos o disco.

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 Podemos escolher entre 10 personagens que oferecem diferentes valores entre o Speed e o Power. Como é padrão neste tipo de jogos, há um remate especial para cada uma das personagens, que pode ser invocado usando o botão de bloqueio que é similar a uma manchete do voleibol, para desferirmos depois um remate cheio de efeitos e difícil de contrariar. Há igualmente uma barra de adrenalina que vai acumulando e que quando está completamente carregada, servirá para usarmos esse mesmo remate especial.

A lógica da jogabilidade pode parecer simples, mas não é fácil de masterizar, e se jogarmos com um controlador mais difícil se torna. É o típico jogo para jogar com manípulos e botões alinhados, dado que com os comandos normais das consolas, por vezes, a experiência é mais frustrante do que divertida. É complicado chegar onde queremos do campo, além dos combos, que não são nada práticos de serem conseguidos devido à combinação de múltiplos botões, sem falar da velocidade de execução que é exigida.

Ainda é possível dar efeitos no disco, assim como movimentos tipo dash – este último bastante útil. Aprender a usar tudo o que é possível fazer durante a partida não só é importante, como é mesmo em alguns casos indispensável, visto que a dificuldade de Windjammers 2 não é propriamente fácil. Juntando a isso alguma luta que teremos com os controlos, podem imaginar que tudo será uma ajuda preciosa.

Adicionalmente a um modo Versus de partidas rápidas, que tanto nos pode colocar contra um jogador da IA, como partidas locais de 1v1 contra amigos, temos, claro, o modo online. Não tive grande dificuldade em encontrar jogadores, tanto em Quick Match como Ranked Match, e considero ser mesmo online que Windjammers 2 mais faz sentido. Os jogos tornam-se mais excitantes, e a atrapalhação também não fica apenas do nosso lado, tal como acontece quando defrontamos a IA. E, como não podia deixar de ser, existe ainda a opção de jogarmos contra alguém da nossa lista de amigos.

Uma nota ainda para a interessante possibilidade de podermos consultar algumas estatísticas relacionadas com as personagens que podemos escolher. Os números de jogos com cada uma delas, como a quantidade de jogos ganhos, empatados e até desistências. Tudo fica contabilizado para percebermos até com qual destes atletas temos mais sucesso. Outros dados disponíveis podem ser encontrados no separador dos Leaderboards que é referente às partidas rankeadas. Não só serve para sabermos a nossa posição e quem está no topo da classificação, mas também para compararmos as nossas estatísticas com as dos nossos amigos.

Graficamente está bastante agradável. Não será de cortar o folego, como é de esperar, até porque a intenção é recriar o aspecto dos jogos das máquinas Arcade que tínhamos há anos atrás. No entanto, tanto os modelos dos jogadores, como os efeitos relacionados com a jogabilidade estão muito bem conseguidos, especialmente os remates especiais, que são fantásticos. A banda sonora segue o mesmo caminho, com música a bom ritmo que encaixa muitíssimo bem na jogabilidade.

Windjammers 2 é um jogo divertido. Tem os seus problemas ao nível dos controlos, e podia ter um pouco mais de conteúdo, mas proporciona, ainda assim, uma boa experiência quando jogamos com amigos. Poderá não ser aquele jogo que vamos jogar frequentemente, mas terá sempre um espaço no nosso HD para quando quisermos jogar com alguém.