Developer: MachineGames e Panic Button
Plataformas: Xbox One, PlayStation 4, PC e Switch
Data de Lançamento: 26 de Julho de 2019

Há sempre uma inevitável euforia quando é anunciado um novo Wolfenstein, contudo, houve um certo cepticismo enquanto ia sendo revelado, percebendo-se que teria um formato diferente de The New Order e The New Colossus. Por outro lado, para quem é igualmente fã de RPG’s e Looter Shooters, foi com natural entusiasmo que foi conhecendo as novidades que iriam integrar Wolfenstein: Youngblood.

Confesso que admiro a coragem da Bethesda e dos estúdios Panic Button e MachineGames em pegarem numa das suas mais importantes franquias e deixarem espaço para alguma experimentação. E sim, o facto de ser um spin-off ajuda no caso de o ensaio não correr tão bem, até porque pode ser isolado como algo à margem dos anteriores. Porém, não foi o caso, porque quem for capaz de aceitar que até uma franquia de sucesso se pode esgotar caso abuse da mesma fórmula, e que as experiências são essenciais para que as próprias publishers entendam o que resulta e o que devem evitar, irá sem dúvida apreciar e passar um óptimo bocado.

Uma das principais novidades de Wolfenstein: Youngblood reside no aspecto de ser completamente focado no co-op, e se há jogos que justificam realmente comprar a Deluxe Edition, este é um deles, já que inclui a opção Buddy Pass onde podem convidar qualquer pessoa da vossa lista de amigos para vos acompanharem nesta busca sangrenta.

Estamos nos saudosos e inconfundíveis anos 80 e as protagonistas desta nova história são Jess e Soph, duas irmãs gémeas e filhas do héroi da saga: Joseph Blazkowicz. É evidente desde logo que estão longe de terem herdado a personalidade do pai. São duas jovens que se viram isoladas de tudo durante o crescimento e tinham como únicas distrações os treinos implacáveis dado pelos seus pais para que um dia estivessem preparadas para também elas entrarem na resistência. O elemento cómico tão comum em Wolfenstein está precisamente aí, uma vez que são adolescentes a terem o primeiro contacto com um mundo sombrio dominado pela Alemanha nazi, mas conservam os comportamentos infantis – e por vezes até idiotas –  que são próprios da idade.

Com Blazkowicz desaparecido, as gémeas não vão descansar enquanto não encontrarem o pai, já que o talento ou o prazer de matar nazis parece ser genético naquela família.

É verdade que a história não tem o mesmo impacto dos jogos anteriores, porque ao contrário dos outros Wolfenstein não é um título exclusivamente centrado na narrativa. Agora existem missões secundárias, às quais vamos acedendo através da rede de Metro de Paris, e base das operações da Resistência Francesa. Um exemplo de como Youngblood é diferente e como são vários os elementos RPG adicionados.

A acumulação de experiência é outra novidade e permite-nos subir de nível (também inédito), para podermos desbloquear habilidades. Existem as skills individuais (divididas por Mind, Muscle e Power), onde algumas são activas, como a invisibilidade, o Crush (uma espécie de carga sobre o inimigo), o Dash e o Dual-Wielder, no entanto, a grande maioria são passivas, como o aumento da health, da armor, da probabilidade de determinado loot e da capacidade de munição que conseguimos carregar.

Mas existem também os Pep Signals: habilidades que afectam simultaneamente Jess e Soph quando activadas; e vão desde o restabelecimento da armor, da health, aumento do dano, invulnerabilidade temporária e outras mais.

Além das habilidades, também temos os já habituais upgrades às armas e que já existiam nos outros jogos da série. As opções são diversas e ligeiramente mais modernas, para que as modificações se aproximem ao máximo do estilo de jogo que pretendemos e que iremos comprar com as Silver Coins que vamos apanhando pelo caminho.

Outra componente interessante e introduzida em Wolfenstein: Youngblood tem relação directa com o co-op e chama-se Shared Lives, que tal como o nome indica, consiste na partilha de vidas entre Jess e Soph, e que se vão gastando se ambas morrerem, ou se uma delas não conseguir reanimar a outra a tempo. As Shared Lives podem ser apanhadas em contentores e podemos juntar três no máximo, e quando todas são gastas voltamos ao começo do nível. É uma mecânica bastante original e muito bem conseguida que nas alturas de maior acção consegue trazer uma adrenalina extra ao momento.

Todavia, tenho de fazer uma ressalva à estranha decisão de não haver forma de pausar o jogo, nem mesmo quando jogamos em modo offline. É mais seguro sair do jogo do que apenas pausá-lo, o que tanto tem de inconveniente, como de inexplicável. E não é o único ponto que merece críticas, porque também a dinâmica das missões juntamente com a maneira como usamos o mapa torna-se algo confuso, principalmente no início, sendo que não nos é fornecida qualquer instrução clara nesse sentido.

Mas esquecendo estes dois problemas, estamos perante uma das melhores experiências cooperativas que podem encontrar actualmente. A jogabilidade está ainda mais refinada e o combate é excelente, provocando um desejo natural de completar tanto as missões secundárias, como os objectivos opcionais. E quando aprendemos a coordenar as habilidades e os Pep Signals, todo o jogo ganha uma nova dimensão e é difícil querermos jogar outra coisa, porque a vontade de desbloquear novos skills e upgrades começa a tornar-se viciante, como é normal nos Looter Shooters bem construídos.

Graficamente está num patamar similar a Wolfenstein II: The New Colossus. Um pouco melhor, mas nada que possamos considerar revolucionário, o que não deixa de ser óptimo, porque o nível visual já era altíssimo. A banda sonora é sólida e fiel à temática cyberpunk dos anos 80, o que lhe oferece uma identidade muito particular e importante durante o caos do combate.

Wolfenstein: Youngblood é uma adição fantástica à série. Conserva praticamente tudo o que nos apaixonou na saga e acrescenta vários elementos que funcionam surpreendentemente bem. Tem conteúdo para muitas horas de uma acção simplesmente frenética e para quem como eu adora jogos com co-op, é uma aquisição praticamente obrigatória.

Foi uma escolha arriscada, mas que acertou em cheio; e que nos deixa curiosos se será esta a orientação para os futuros títulos da franquia.