Developer: Blizzard Entertainment
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 23 de Novembro de 2020

World of Warcraft continua a ser um caso de sucesso, e é ainda mais impressionante se pensarmos que é um jogo em que sempre foi necessária uma subscrição desde que foi criado, no longínquo ano de 2004.

Alguma coisa a Blizzard está a fazer bem – uma vez que existem alternativas suficientes e ainda por cima gratuitas – e WoW mantém uma fiel e irredutível base de jogadores. A razão pela qual World of Warcraft vai permanecendo relevante é muito simples, e está relacionada com as diversas expansões que foram lançadas ao longo do tempo. Como uma forma de se reinventar, mas mesmo assim conservando as mais elementares características que fizeram de WoW um autêntico fenómeno.

Depois de Battle for Azeroth, chega Shadowlands o próximo capítulo do popular MMO, e à semelhança das anteriores, traz várias novidades e muito para descobrir, além de uma nova história, claro. Contudo, o objectivo essencial de Shadowlands é poder refrescar a maneira como estas expansões têm impactado o jogo-base, e tanto apelar a novos jogadores, como àqueles que têm estado afastados, facilitando o seu regresso.

Não é fácil entrar no mundo de World of Warcraft, especialmente quando olhamos para a sua enorme dimensão e pensamos no que ainda falta para chegar ao conteúdo mais interessante. Sabendo isso, a Blizzard colocou mãos à obra, e tratou de tornar todo o processo de entrada neste vasto e complexo mundo muito mais simples.

Shadowlands é o derradeiro episódio do interminável seguimento de esquemas e conspirações de Sylvanas Windrunner que, após ter perdido a liderança da Horde, num acto de ousadia e desespero, abre um portal no céu para as Shadowlands, um lugar que podemos considerar como o Além.

Inicialmente apenas os pecadores eram enviados para as Shadowlands, porém, agora todas as almas são enviadas para lá. Como devem calcular, resolver este trágico problema estará na base da história desta expansão, e todo o enredo acabará por girar em torno deste perigoso evento.

Ao contrário do que é normal nas expansões tanto de WoW, como qualquer outro MMO, o nível máximo diminuiu em vez de aumentar. E mais precisamente, de nível 120 para nível 60, tal como quando World of Warcraft foi lançado.

Houve uma reorganização relativamente às áreas onde os jogadores começam, e no caso de novos jogadores, irão poder conhecer a nova região: Exile’s Reach. É uma zona para os níveis de 1 a 10 focada em explicar as mecânicas principais através de várias missões que funcionam como um tutorial verdadeiramente útil.

Paga-nos o café hoje!O aspecto ligeiramente sombrio desta nova área, é um bom modo de convidar quem nunca jogou a querer descobrir o que se esconde por trás de um universo tão complexo e misterioso. E é impressionante que um jogo que fez precisamente 16 anos no dia 23 de Novembro (data em que esta expansão foi lançada), consiga apresentar uma qualidade gráfica ainda muito aceitável.

Tanto para a Horde, como para a Alliance, a história é bastante similar, e depois de atingido o nível 10, os jogadores novos poderão experimentar o mundo de Battle for Azeroth, até ao nível 50, que já será muito mais desafiante e imperdoável. É interessante este novo desígnio de WoW para quem está a jogar pela primeira vez, visto que é uma maneira de guiar o jogador pela ordem que mais faz sentido.

Chegando ao nível 60, é tempo de partirmos para o “pós-vida”, ou seja, as Shadowlands. Uma região relativamente grande, com muito para explorar, no entanto, as várias zonas só serão desbloqueadas conforma o progresso na história, o que retira a possibilidade de nos aventurarmos onde ainda não nos é permitido ir. Mas ainda bem que assim é, porque especialmente para quem conhece bem o mundo de World of Warcraft, irá rever rostos bastante conhecidos enquanto vai completando uma longa série de quests.

As novas áreas são lindíssimas – cada uma à sua maneira – e encontraremos de tudo um pouco. Quatro novas áreas que têm o nome de Bastion, Edgy Bone Town, Ardenweald e Vampire Burg. São pequenos mundos místicos e repletos da fantasia que sempre nos fizeram apaixonar pelos MMORPG’s. World of Warcraft mostra como ainda nos consegue surpreender e apelar à criança que há em nós e que ainda se deixa maravilhar com a inventividade e imaginação.

À primeira vista houve um tremendo trabalho por parte da Blizzard para equilibrar novamente as classes (algo que é sempre complicado em qualquer MMO), e embora a expansão esteja no seu início, parece ter sido atingido um ponto onde nenhuma classe consegue prevalecer substancialmente sobre outra (pelo menos nas Dungeons).

O Covenant System também está bastante interessante. É uma parte importante de Shadowlands dado que quando terminamos a campanha e atingimos o nível máximo começamos a quest para escolhermos um de quatro Covenants: Necrolord, Kyrian, Ventyr e Night Fae.

Os Covenants são poderosos grupos que controlam os reinos do Além, e pertencer a um deles é uma decisão importante, porque como em qualquer sistema de facções de um MMORPG, teremos acesso a vantagens e recompensas. Nesse sentido é necessário escolher conforme a nossa classe, os bónus, e a habilidade relacionada com o Covenant que pretendemos.

É sempre um assunto sensível quando olhamos para as transformações que uma nova expansão irá trazer ao conteúdo endgame de um MMO, e em particular àquele que domina o género há tantos anos. Ainda assim, World of Warcraft prova que é possível inovar em cima de algo que já existe há tanto tempo e até acenar a uma nova geração de jogadores.