Developer: Saber Interactive
Plataforma: PS4, Xbox One e PC
Data de Lançamento: 16 de abril de 2019

World War Z é um mundo já explorado de diversas formas, seja pelo filme com Brad Pitt, inspirado no livro, seja depois numa versão jogo para android e iOS e agora finalmente para as consolas e Pc. É verdade que muitas coisas mudaram perante as versões, desde logo a visão de primeira pessoa a que estávamos habituados na versão mobile, passa agora para uma visão em terceira pessoa, mas será que o mundo apocalíptico à procura de uma cura já não tem gente a mais? É isso que vamos perceber nesta análise.

Para quem não conhece a trama de World War Z, é bastante simples, existe uma epidemia que transforma os seres humanos em zombies e está a espalhar-se de uma forma alucinante por todo o mundo e Gerry Lane, interpretado no cinema por Brad Pitt, terá que tentar achar a cura e salvar o Mundo. Ainda bem que vos contei isto, porque o jogo não o fará, um dos problemas iniciais que tive foi a falta de informação e contextualização do que se estava a passar, existe um preconceito que já sabemos tudo isto. Tudo bem, não é nada de mais, para já, mas o que vamos encontrar neste jogo? Bem vamos encontrar a acção dividida por vários locais, desde logo Nova Iorque, mas também Tokyo, Moscovo e Jerusalém. Em todos os locais temos 3 missões para completar, sendo que Tokyo temos apenas duas. O conceito das missões é bastante simples, tendo em conta que estamos a tentar sobreviver a uma carrada de zombies que aparecem de todo o lado, basicamente vai ser andar de ponto em ponto a tentar abrir portas, ligar a energia, apanhar suprimentos, desimpedir áreas e recuperar dados que nos indiquem uma forma de encontrar uma cura.

Pelo meio esqueçam a ideia de stealth, porque apesar de terem uma arma para esse efeito, vai sempre correr mal, e vão sempre aparecer dezenas senão centenas de zombies para matar, serão tantos mas tantos, em determinadas zonas que até vão achar uma exagero. E é precisamente o exagero de zombies que para mim não funcionou, isto é, o número de inimigos é tanta, que a noção do que estamos a fazer por vezes é nula, estamos só a despejar balas em tudo o que se mexa ou que parece que se mexe, e não pensamos se estamos a gastar balas a mais, se temos mais granadas ou não, se devemos pegar na catana e desbravar membros em vez de gastar balas, só queremos sobreviver e entramos em modo de pânico total. No entanto isto tem uma coisa positiva, é que não há muitos jogos que consigam dar esse sentimento de sufoco, esse sentimento de asfixia, e World War Z tem várias ocasiões onde esse desconforto é sentido e de que maneira.

Não esperem uma grande narrativa neste jogo, apesar da liberdade de poderem começar em qualquer localização desde o início, existe apenas uma breve apresentação do que está a acontecer e pouco mais, o jogo está focado na jogabilidade, e os pedaços de história estão atados às personagens e às cut scenes que vamos desbloqueando para as conhecer melhor. O jogo pode ser jogado em modo online até quatro jogadores, e é assim que deveria ser sempre jogado, mas também o podem fazer em formato offline com a Inteligência Artificial a garantir o controle das outras 3 personagens. Aqui não vão criar a vossa personagem, em cada umas das 4 localizações têm acesso a 4 personagens diferentes e escolhem uma delas, é claro que cada uma delas com características diferentes.

Falemos então da questão das classes e das armas, no início de cada missão podemos escolher a nossa personagem e a nossa classe. A classe determina as armas com que começamos, sendo que ao longo do mapa vamos encontrar outras e podemos mudar, é claro. Há 6 classes diferentes que passamos a explicar com esta lista de reprodução de vídeos que explica cada uma delas, acrescentando apenas, que é aqui que todo o jogo se vai centrar no seu sentido de longevidade, pois para conseguirmos adquirir todo o potencial de cada classe vamos ter de chegar a determinados níveis (até ao máximo que é o nível 30), onde as bonificações já estarão no seu auge, e onde também já se poderão aventurar nas dificuldades mais avançadas em cada um dos episódios, para também receberem recompensas bem melhores. Por fim referir ainda neste capítulo de customização, que há ainda a componente das armas, mas aqui não vão adquirir peças para depois encaixar nas vossas armas, basicamente vão “evoluir” essa arma com incorporações de carregadores maiores, silenciadores, apoios ou mira melhores.

As armas podem ser modificadas em termos de precisão, estabilidade, mira, mas comparando ao Division, não se sente as diferenças de poder entre as armas, é uma questão de cadência e mira, do que propriamente criar uma build que se adeque ao vosso estilo de jogo, isto porque, tal como já referi, o importante é estar sempre pronto para virar frangos, (neste caso zombies), não existe muita estratégia, por mais que a ideia fosse essa. Vão ter zonas maiores ou vão se dividir para cobrir vários pontos de entrada dos ditos zombies ou melhor dizendo hordes de zombies, mas a estratégia não é muito mais do que isso. É claro que as classes depois ajudam a que as coisas possam parecer mais de trabalho de equipa, mas não é uma ideia muito profunda.

World War Z tem um modo multijogador competitivo até 8 jogadores, com 5 modos tradicionais, Domination, King of the Hill, Combat, Incursion e Treasure Hunt. Todos os modos são de 4 VS 4 VS Zombies e uma montanha de zombies metidos pelo meio que dá uma certa diferença aos modos tradicionais de outros jogos, mas é só isso, tem pouco conteúdo, é repetitivo e é pouco recompensador.

Graficamente há momentos bons e maus, a capacidade de processar um sem fim de zombies por segundo a aparecer e a serem estilhaçados pelas nossas balas e com sangue a jorrar por todo o lado é uma das características e capacidades deste jogo, assim como de uma boa recriação dos locais por onde passamos e as suas texturas, mas o que não convence assim tanto é a movimentação dos zombies que por vezes parece que não dobram os joelhos e, como diria o outro, “eles não andam, deslizam”, e portanto já não é tão aceitável.

World War Z aliás deve ser considerado como um jogo Arcade, é um jogo para ser jogado de uma forma descontraída, com amigos, juntar um grupo e curtir a forma como despedaçamos zombies de todas as maneiras e feitios e de como vemos corpos a voar pelos cenários, é um jogo que não se leva demasiado a sério e é por isso, numa altura em que tanta gente procura uma coisa rápida e instantânea, que o jogo fará furor.