Developer: KT Racing, Nacon
Plataforma: Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PlayStation 5, PC
Data de Lançamento: 2 de Setembro de 2021

Já é um hábito a cada ano que passa eu andar pelo WRC a fazer curvas apertadas armado em Colin McRae, mas também a esbardalhar-me ao comprido e a virar o carro depois de uma desatenção nas indicações do co-piloto. Se o ano passado vos trouxe a experiência na anterior geração, esta análise a WRC 10 retrata a passagem para a nova geração, jogada na PlayStation 5 com o comando DualSense a ajudar à festa.

Este não é o primeiro jogo da franquia na nova geração. Quem comprou WRC 9 teve direito a um update gratuito e a experimentar, pela primeira vez, um jogo de rali com um desempenho mais rápido e com os gráficos melhorados. Teve ainda direito a todas as vantagens que o natural avanço tecnológico nos vai proporcionando, os tais loadings mais rápidos ou o feedback háptico do novo comando da PS5 são só algumas dessas novidades inerentes a todos os jogos que vão surgindo.

WRC 10 é a evolução natural de uma franquia que já o tem feito nos últimos anos. Mantém a mesma cara, com menus idênticos ao do ano passado e mantém os principais modos de jogo sem grandes novidades. É uma edição que celebra os 50 anos da World Rally Championship e adiciona corridas históricas e carros que nunca pensei usar. É no asfalto que WRC dá tudo com a sua condução suave e um grafismo bastante competente. Há cenários fantásticos que se descobrem a cada rali e as corridas à noite são de uma violência visual que custa a ver os caminhos certos. Valha-nos o co-piloto, também esse, um modo próprio que se pode jogar online e ajudar um piloto principal com as indicações que lhe damos. Vamos lá para o asfalto!

A condução é excelente no jogo. Não é demasiado automática e até mesmo quando colocamos as mudanças em semi-automático, dei por mim muitas vezes a mudar a manualmente. Para quem joga manual, aqui não verá nada de novo. As condições do asfalto, o clima e o tipo de carro afetam diretamente o estilo e a maneira de conduzir. Num asfalto mais puro e com sol, nota-se os carros mais rápidos e a direção mais responsiva quando mudamos de direção bruscamente. Se apanharem chuva, o ecrã fica cheio de pingos a correr, as poças de água são um problema acrescido e quando se conduz um carro mais antigo, a velocidade será menor e nota-se uma grande dificuldade para fazer curvas apertadas. Quando se joga à noite, não se vê nada e é melhor andar devagar, muito devagar. Cheguei a fazer um bocado batota e a colocar a imagem mais clara, mas mesmo assim, as coisas não são fáceis. Acaba por ser bastante diferente e desafiante. Já era assim nos anteriores, mas acho que desta vez é mais escuro.

O comando da PlayStation 5, o DualSense também ajuda a tornar a condução mais imersiva. Os sons do carro estão excelentes, principalmente quando chocamos contra árvores ou barreiras. Parece mesmo que estamos a ouvir um carro todo partido por dentro. Aliás, o som do jogo foi todo captado para dar ainda mais realismo e conseguiram fazê-lo. Os gatilhos pesados também ajudam a diferenciar uma estrada normal de quando passamos numa poça de água e em que o botão para acelerar, o R2, fica mais pesado que o normal.

Nos modos de jogo mantém-se quase tudo na mesma. Podemos jogar uma corrida simples, um contra-relógio ou uma temporada, mas o modo mais popular da franquia é a Carreira que se mantém com todos os ingredientes dos jogos anteriores. Podemos começar no WRC Junior ou no WRC 3, uma experiência que se revela ideal para ter uma curva de aprendizagem maior para quem não joga isto todos os anos. Não deixa de ser chato para quem pelo terceiro ano consecutivo vai fazer testes para entrar logo no WRC, mas são ossos do ofício e como se costuma dizer, quem corre por gosto, não se cansa. Tal como em anos anteriores é necessário amealhar dinheiro, pontos de experiência e captar o interesse de outras equipas. Há o momento mais Ultimate Team do jogo quando construímos, através de cartas, a nossa equipa de staff, com os mecânicos, fisioterapeutas ou agentes desportivos. 

A Árvore de Habilidades vai ajudar o nosso carro a ter um desempenho melhor, desde travagens mais rápidas a mudanças de direção mais eficazes. Há bastante para evoluir em diversas áreas. Também teremos de reparar os danos causados no carro depois de cada corrida e até podemos escolher a quantidade de jogos de pneus que levamos para cada rali e o momento em que decidimos trocá-los. O planeamento da época, antes de cada rali faz-se num calendário que nos permite ter dias de treino, apresentações de marca, no qual tentamos bater um tempo específico, fazer uma corrida histórica, uma corrida em condições adversas ou aproveitar e descansar. Todos têm as suas vantagens e desvantagens.

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A grande novidade nos modos em WRC 10 são as corridas comemorativas dos 50 anos da World Rally Championship, no qual temos de ir desbloqueando ralis históricos e bater os tempos que nos pedem com carros emblemáticos. Ao todo são 22 veículos, incluindo o Alpine A110 de 1973, o Subaru Impreza de 1997 que tanto foi usado por Colin McRae ou ainda o Mitsubishi Lancer Evo V. de Tommi Makinen. Estes são só alguns exemplos que trazem nostalgia para a edição deste ano. Este modo divide as corridas por várias camadas, o First Years, com os primeiros anos da competição, o Grupo B, Grupo A, WRC e o Modern WRC, com corridas mais recentes. O que não gostei tanto neste modo é que as corridas estão bloqueadas individualmente e só quando passamos uma é que temos acesso a outra. Podia haver um sistema de pontos em que fossemos nós a decidir quais desbloquear. No entanto, se não conseguirem passar, podem sempre experimentar estes ralis ao longo da carreira, quando decidem jogar eventos históricos. 

No online, continua a haver as corridas diárias com desafios diversos e os Clubes Online, onde se pode criar um próprio e ter os nossos amigos a jogar connosco e a fazer campeonatos. Podemos ainda participar noutros clubes, criar salas para jogatanas rápidas e até ser co-piloto de alguém e dar, ou tentar dar as indicações corretas para que o nosso camarada complete a prova no melhor tempo possível. A nível de ralis podem contar com os habituais e se o ano passado tivemos de esperar pela chegada do Rali de Portugal atualizado, desta vez já não acontece. As únicas corridas que vão ser adicionadas posteriormente são o Rali da Bélgica e da Grécia.

Para quem ainda gosta de edição de carros e brincar com logos, cores e estilos de veículo pode fazê-lo. Eu não sou nenhum pro neste campo e se colocar uma ou outra cor com dois ou três autocolantes, tenho o meu carro pronto para ir para a estrada. Quem se dedicar à séria neste editor pode fazer grandes veículos originais e tornar um carro mais vulgar em algo pessoal.

WRC 10 mantém-se firme como o melhor jogo de rali no mercado e com a passagem para a nova geração ainda melhora a qualidade visual que já era boa. A condução mais fluida e aprimorada e as corridas e carros históricos fazem deste jogo uma justa homenagem aos 50 anos da competição que ao longo de décadas arrasta milhares de fãs por todo o mundo. Para um jogador casual que tenha a edição do ano passado, talvez não justifique a sua compra, mas se não a têm ou se jogam durante todo o ano um jogo de rali, então ficarão bem mais do que satisfeitos com este WRC 10 que continua aí para as curvas.

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