Developer: Kylotonn Racing, BigBen Interactive
Plataforma: Playstation 4, Xbox One, PC e Nintendo Switch (em novembro)
Data de Lançamento: 5 de setembro de 2019

Longe vão os tempos em que jogava Colin McRae Rally e V-Rally na primeira Playstation. Os jogos de rally faziam parte do lote de vários que tinha na prateleira sempre prontos a jogar. Com o andar dos tempos, fui deixando estes jogos, mas lembro-me ainda de WRC 4 na PS2. Foi o único que exprimentei da série até jogar este WRC 8. Até achei um bom jogo, mas talvez por culpa do Gran Turismo, a minha vida de piloto de rali tenha ficado por ali. Duas gerações depois surge então novamente a oportunidade de ir para as “pistas” se é que podemos chamar assim. WRC 8 é pura simulação de um rali e surge no mercado para tentar lutar pelo título de campeão contra o todo poderoso Dirt Rally 2.0.

Como um verdadeiro simulador que se preze, WRC 8 é difícil para quem não está habituado a estas andanças. No início, até jogamos uma corrida rápida para percebermos as ajudas que vamos precisar para manter o controlo do nosso carro. Passado esta parte, o jogo pergunta-nos logo se queremos começar o modo carreira. É este o grande trunfo do jogo da BigBen Interactive, mas mais à frente já falo melhor sobre ele. Até porque escolhi não começar  logo e fazer antes uma Corrida Rápida no Rali de Portugal. É verdade, a prova do nosso país está, claro, incluída em WRC 8. Joguei a primeira etapa em Fafe e entre pinhais e uns metros em asfalto lá fui eu saindo de pista desastrosamente, mas por minha culpa. Os anos de hiato não me fizeram bem como condutor e vou ter algum trabalho pela frente até dominar este jogo. Mesmo para quem joga o rali em GT Sport, esqueça, vai precisar de habituação.

Antes de partir para a Carreira dei uma vista de olhos nos outros modos de jogo e fiquem a saber que além do modo carreira temos a Partida Rápida, onde escolhemos uma pista para competir e lá vamos nós, podemos jogar online, onde existe a corrida online que vai mudando conforme os dias e a nossa missão é fazer o melhor tempo possível para subir no ranking e há também em paralelo as corridas que nos podem levar aos eSports, também nos mesmos moldes, mas as pistas ficam por mais tempo disponíveis para jogar. Podemos também jogar o campeonato de WRC. Escolhemos um piloto para assumir e ao longo da temporada vamos tentando fazer os melhores tempos para nos tornarmos campeões. Além disso Podemos também ver os carros presentes no jogo e a sua beleza. Os veículos estão muito bem replicados e qualquer amante de automóveis vai ficar deliciado com os detalhes que vai encontrar. Inclusivé existem carros clássicos que além de os poder ver, vamos poder pôr as mãos em cima e levá-los para as corridas. Estes modelos são únicos e incluem algumas relíquias como o Lancia Fluvia de 1972 ou um Ford Escort de 1975. Também não foram esquecidos modelos mais recentes como o Porche 911 de 2016.

Depois temos então o tão aclamado modo Carreira de WRC 8, que parece ter tido inspiração no mesmo modo de F1 2019 da concorrente Codemasters. Nada de mal, antes pelo contrário, penso que se todos os jogos olharem para estes bons exemplos, adaptarem e melhorarem o modo são muito bem-vindos Como no jogo de F1, aqui vamos começar de baixo e ter de lutar para chegar às equipas de topo e ao campeonato de WRC. No início criamos o nosso piloto, ou melhor, o nosso nome, já que não há avatares disponíveis. Depois temos duas hipóteses. Ou fazemos tudo como deve ser e começamos nos campeonatos juniores de WRC ou então se acharmos que já temos experiência podemos tentar ingressar na WRC 2 com três corridas de teste únicas e depois assujeitar-nos às propostas que nos vão aparecer. Como é óbvio pelas minhas prestações preferi começar nos juniores e aprender mais a controlar o carro, antes de chegar ao tão ambicionado campeonato. Isto dá a WRC 8 uma vida longa para quem gosta deste tipo de jogo. Não é só sobre um simples campeonato, mas sim toda uma envolvência. Até porque aos poucos vamos subindo de nível, ganhando experiência, dinheiro, motivação e interesse ou não por parte de várias equipas. 

Como uma vida de piloto exige vamos ter de marcar eventos antes dos ralis e há vários, desde repousar, até ir a um centro de treinos ou fazer uma pista em condições adversas por exemplo. Cabe a nós fazer um bom planeamento para estarmos na melhor forma possível quando começamos uma prova. Além disso é preciso ir construindo a nossa equipa contratando agentes, fisioterapeutas, mecânicos, e por aí fora ao mesmo tempo que construímos a nossa barra de pontos para termos habilidades em determinadas situações menos vantajosas, como por exemplo o controlo do carro quando passamos numa poça de água. Temos de tratar do carro no final de cada rali e gastar o nosso dinheiro que vamos adquirindo em reparações. Sim porque o sistema de dano funciona e pode até ser ajustado. Experimentem colocar o dano alto e vão ver a vossa vida ainda mais complicada para dominar o carro se forem contra algumas barreiras. Enfim é uma vida de piloto à séria que nos faz querer chegar mais longe. Mesmo depois de falharmos os nossos objetivos. É verdade. Cheguei a ser corrido da Ford por maus resultados, mas a vida continua.

Outro ponto positivo são os vários tipos de clima que vamos apanhar pela frente. Desde a neve no rali da Suécia, ao sol de Portugal, passando pelas tempestades noturnas na Turquia. E aqui, quando jogamos em condições adversas sentimos mesmo a dificuldade que há em controlar o nosso carro. Se chove, há água a escorrer no ecrã e se é de noite, há uma autêntica escuridão onde se carregarmos no botão de desligar as luzes ficamos mesmo com um ecrã todo preto. São detalhes que ajudam este WRC 8 a ser um bom jogo e a concorrer com o sensacional Dirt Rally 2.0.

Contrabalançado com isto tudo é a divisão de momentos em que WRC 8 nos faz acreditar que estamos mesmo ali e outros em que parece que estamos apenas deste lado a tentar dominar um carro. Quando vamos na pista e vemos drones, helicópteros e cameramans pelo caminho sentimo-nos parte daquilo tudo, mas há outros momentos em que ali andamos e reparamos num público estático, apesar de algumas fogueiras ou mesmo em equipas de emergência “sem vida” capazes de ficar parados se algo de mal nos acontecesse. Os loadings também são demorados em alguns momentos e se formos para uma partida online, parece uma vida inteira. 

WRC 8 é a pura simulação de um rali que requer alguma habituação e dedicação. Vem com um modo carreira de fazer inveja a muita gente que é capaz de nos agarrar a ele durante bastante tempo. Não podíamos esperar melhor regresso às pistas da marca WRC que consegue aqui o seu melhor jogo de toda a franquia. O trabalho da Kylotonn está bem feito e vai lutar certamente por um lugar ao sol contra os seus rivais no mercado.

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