Developer: KT Racing, Nacon
Plataforma: Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PlayStation 5, PC
Data de Lançamento: 2 de novembro de 2022

É com este WRC Generations que chega ao fim a parceria da Nacon e da KT Racing com o jogo oficial da FIA World Rally Championship. Para o ano o jogo vai ficar nas mãos da Codemasters e da Electronic Arts e veremos como se porta. Até lá vamos a esta despedida geracional do WRC, que depois de WRC 10 acaba por não trazer assim tanto de novo, a não ser, o saudosismo e um pé na nova geração da competição com um especial enfoque na utilização de carros híbridos e nessas novas mecânicas implementadas.

É curioso como este Generations acaba esta ligação da Nacon à FIA, na mesma altura em que acaba o campeonato do mundo de Rallys onde Kalle Rovanperä sagrou-se campeão do mundo com apenas 22 anos. Sangue novo, uma nova geração, uma despedida e a necessidade de transpor este jogo para a nova geração.

Para o bom e para o mal, WRC Generations pega em muita coisa que já vimos em WRC 10, desde logo o seu motor gráfico, o mesmo de há vários, o que por um lado dá uma qualidade assinalável, mas para a nova geração de consolas fica um pouco aquém. É compreensível dado que a licença vai passar para outras mãos e o foco não tenha passado por realizar o jogo num novo motor de jogo agora que se vai despedir, mas é notório que vários momentos, já estamos perante gráficos algo datados.

Apesar disso, os menus foram revistos, com a sua disposição redistribuída, mais amiga do utilizador, mais acessível e mais rápidos. Já nas mecânicas e no comportamento dos carros não vão sentir grandes mudanças. O que é bom, visto que WRC 10 nesse parâmetro é muito bom, e aqui em WRC Generations apenas vemos alguns retoques no comportamento do carro, especialmente na relação com todos os tipos de piso.

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Nesse campo temos assim uma experiência robusta, real, fidedigna e desafiante, tal como o próprio Élio indicava na sua análise de WRC 10. Depois de um breve tutorial para definir as ajudas necessárias para termos uma boa experiência com o jogo, somos atirados aos vários modos de jogo, sempre com a velocidade e a destreza em mente. A condução não é demasiado automática, facilmente conseguem passar as mudanças para manuais ou semi-automáticas que não vão perder o controlo do carro, mas sim dominá-lo com outra perícia. Nota-se as diferenças de conduzir nos mais variados pisos, especialmente se se meterem em provas com escolhas menos inteligentes de pneus, onde aí vai ser um autêntico pesadelo dominar o nosso bólide.

Portanto, fica a dica, a escolha de pneus e a variedade na sua escolha para cada Rally é fundamental. Tal como é fundamental dominar as condições climatéricas, um asfalto mais puro e com sol, notam-se os carros mais rápidos e a direção mais rápida quando tentamos mudar de direção bruscamente. Se apanharem chuva ou neve o derrapar será uma constante, mas há que saber usar isso em nosso benefício, com menos travão de mão e um maior domínio do acelerador, e claro, cuidado com as poças de água. 

É claro que no Modo Carreira há muito mais para dominar, até porque, temos uma Skill Tree dividida em 4 ou 5 parâmetros que vão fazer a diferença. Desde ajudar a melhorar o desempenho do nosso carro em termos de resposta na travagem, da aderência dos pneus, da velocidade da caixa, passando pela estrutura do carro e a sua capacidade de lidar amparar os nossos “golpes”, para além da nossa equipa poder ficar mais eficiente na reparação de danos estruturais do nosso carro, assim como recrutar mais engenheiros ou multiplicar os nossos pontos de experiência ganhos. Há ainda skill trees dedicadas ao desgaste das várias peças do nosso bólide, da nossa equipa e de elementos que possam melhorar o moral dos nossos engenheiros e ainda uma skill tree dedicada em particular às viaturas híbridas e à possibilidade de melhorar o uso e a força da energia eléctrica.

Também teremos de reparar os danos causados no carro depois de cada corrida e até podemos escolher a quantidade de jogos de pneus que levamos para cada rali e o momento em que decidimos trocá-los. O planeamento da época, antes de cada rali faz-se num calendário que nos permite ter dias de treino, apresentações de marca, no qual tentamos bater um tempo específico, fazer uma corrida histórica, uma corrida em condições adversas ou aproveitar e descansar. Todos têm as suas vantagens e desvantagens. É aqui que também vamos poder ganhar um dinheirinho extra, ganhar mais uns pontos de moral para a nossa equipa e pontos de experiência para depois utilizarmos nas nossas skill trees.

Dentro do Modo Carreira podem ainda escolher se querem que o desafio seja maior ou menor, isto é, se as etapas são mais longas ou não, assim como os danos, para dar uma maior amplitude de opções aos jogadores que, assim, podem ir de novatos a experientes.

Em termos de novidades que passam por todos os modos de jogo, destaque para a adição dos veículos híbridos. Para além de dar uma nova hipótese de campeonato dedicado a este tipo de veículos, também a jogabilidade introduz uma nova mecânica. Basicamente temos uma barra extra no canto inferior direito que demonstra a carga que temos na bateria para usar como um boost na saída das curvas, por exemplo, e que se carrega quando travamos a fundo, isto é, através da energia cinética. Por isso temos que fazer uma gestão meticulosa do seu uso e da criação desta energia, o que nos dá uma mecânica diferente do habitual.

Portanto as novidades prendem-se principalmente com a introdução desta nova categoria e de regras mais amigas do ambiente. Por isso temos os novos modelos de carros e os seus motores híbridos, Ford Puma Rally1, Hyundai i20 N Rally1 e o Toyota GR Yaris Rally1. Todos eles fiéis aos veículos reais, desde os seus comportamentos, motores e físicas.

Em relação a todos os outros conteúdos, é bastante simples de explicar, porque são os mesmos do WRC 8, 9 e 10, só que aqui em formato “best of”. O modo carreira e a parte multiplayer que já tínhamos visto em WRC 10 estão todos aqui, assim como as etapas os locais e os carros antigos dos três jogos, só que aqui sem DLC’s. Foi adicionado um modo de jogo ranqueado onde a KT Racing vai postando desafios semanais online em que todos podem participar e, talvez seja a maior novidade da componente online, visto que continuamos a ter Ligas dedicadas aos eSports. Ah, e sim, continua a existir o modo carreira em co-op, onde um amigo nosso pode fazer de co-piloto.

Uma última palavra para a sensação de condução imersiva que o DualSense nos dá, isto para quem jogar na versão PlayStation 5, como nós fizemos. Sentimos a pressão diferenciada nos gatilhos hápticos entre o acelerador e o travão, assim como todos os embates e pavimento através do feedback háptico. A pequena coluna do comando também nos vai envolvendo na acção, quer seja pelos variados sons dos terrenos pelos quais passamos, seja pelo som dos embates nos vários tipos de materiais. 

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WRC Generations marca o terminar de uma geração de jogos de Rally criados pela KT Racing e com o carimbo da Nacon. Talvez por isso, este jogo é uma espécie de best of em que notamos pequenas melhorias no cômputo geral e pequenas novidades em particular. É uma pena que, sendo o final de saga, se sinta que não se apostou mais forte, nomeadamente na componente visual para a nova geração de consolas, mas, para quem não comprou o WRC 10, tem aqui um jogo mais completo.

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