Developer: Bugbear / THQ Nordic
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X|S
Data de Lançamento: 01 de junho de 2021

Para quem não conhece o trabalho da Bugbear, é bom recordar o seu historial de jogos de corrida, apesar da companhia ter estado vários anos fora deste estilo. Foi principalmente durante a geração 128 bits, que a Bugbear trouxe a série Flatout, um jogo que combinava carros, rock n’ roll, e muitos mas muitos acidentes. Flatout trazia consigo algo pouco visto até então com novas físicas de colisão incríveis e uma jogabilidade bastante realista. O seu sucesso com Flatout 2 foi extremamente melhor do que o primeiro e trouxe um modo carreira incrível além dos desafios super divertidos e insanos.

Algum tempo depois a empresa lançou Flatout Ultimate Carnage, que mostrava toda a potência da nova geração na Xbox 360 e PC, era uma espécie de expansão de Flatout 2, com melhores gráficos, novas pistas, novos desafios, novos carros e novas músicas. A série acabou por ser um sucesso, mas que não demorou muito e a franquia foi vendida com a Bugbear a nunca mais fazer nada do género. Até agora… com o “sucessor espiritual” chamado Wreckfest, trazendo esse universo de Faltout ao de cima de novo, e com umas “colisões” com Destruction Derby.

Aqui analisamos o jogo no seu formato PS5, sendo que o jogo esteve disponível no PS Plus de maio e a sua versão mais modesta está disponível no Xbox Game Pass.

Como já perceberam não fomos recordar Flatout sem razão, a verdade é que conseguimos ver muitas semelhanças com esse ADN do jogo, mas que aqui foi elevado para gráficos de nova geração a 60 FPS super estáveis a 4K com toda a destruição, destroços pelo chão, colisões e partes de carro a voar por tudo o que é sítio a serem fielmente representados e a ter uma beleza incrível. Parece um pouco sádico achar que é bonito ver toda esta destruição, mas a verdade é que é mesmo…

O jogo assenta num Modo de Carreira bastante linear e simples, sem grande história à mistura, apenas progressão pura e dura. O jogo apresenta uma campanha principal com 5 campeonatos, onde para completá-los é necessário uma certa pontuação. Dentro desses campeonatos, estão ramificados os eventos — que podem ser corridas de circuitos com um número determinado de voltas, arena de destruição com a modalidade “o último motor a funcionar” ou o de destruir pelo menos três carros até não restar mais nenhum dos 23 iniciais. Há um modo multiplayer online com matchmaking livre e também com salas privadas para jogar com os vossos amigos, mas é perceptível que o ponto forte deste jogo não está nos seus modos online, mas sim no seu modo carreira e nos eventos semanais e diários.

O número de pistas não é mau, e temos ainda os circuitos em formato espelho, mas alguns são muito parecidos, e por vezes podem parecer repetitivos. O que salva essa repetição é mesmo os diferentes formatos que já referi, e os veículos que podemos utilizar, entre os quais um cortador de relva ou um sofá com rodas, que é hilariante.

A progressão na carreira faz-se pela pontuação nos campeonatos e nos circuitos como já referi, que vão desbloqueando novos campeonatos e novas pistas, mas a vitória dá-nos mais do que isso. Dá-nos dinheiro e pontos experiência para comprarmos peças para os nossos bólides e desbloqueia o acesso a outras tantas para personalizarmos os nossos veículos. Existe uma customização cosmética, simples e eficaz, mas também upgrades para melhorar o rendimento do nosso carro, mas por outro lado, também há uma componente destrutiva ou defensiva, pois podemos artilhar o nosso carro para sobreviver ao caos do modo de sobrevivência, como por exemplo, blindar o carro, ou componentes mais agressivas para o vosso bólide se tornar o Diabo na Terra.

O ponto alto é a destruição, a destruição como componente transversal do jogo, desde os efeitos das batidas, dos estilhaços ou de peças a voar, o moto físico do jogo é muito bom. Podem jogar no Modo Realista onde os efeitos dos choques contra os outros carros e cenário vos vai literalmente deixar na mão. O jogo tem um gráfico do carro onde podemos ver o estado da “chapa” do nosso carro, mas também da embraiagem, dos pneus, dos travões, porque os choques podem influenciar, e de que maneira, a jogabilidade neste modo. Basta ver que uma vez fiquei sem uma roda e tive que tentar acabar a corrida assim mesmo, de uma outra fiquei com a embraiagem toda engasgada, o que fazia com que a aceleração acontecesse aos engasgos e por aí fora.

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No DualSense vão ainda sentir mais esta componente, e é um efeito fixe que o jogo traz para esta versão, é que quando os danos sofridos interferem com a embraiagem ou o motor, vão sentir que os gatilhos hápticos vão responder a essa questão, com o gatilho a prender no momento de aceleração, a engasgar mesmo, assim como o travão nas curvas mais apertadas também oferece resistência ao premirmos o gatilho, isto para além dos sons da chapa, da embraiagem a meter a mudança ou dos toques todos serem reproduzidos através da coluna do comando.

Destaque ainda para um sistema de Rivalidade que é adjacente ao jogo. Vão ser muitas as vezes que vamos bater noutros carros, mas o contrário também se aplica e não são nada meigos devo já dizer, mas quando o choque é muito forte e propositado, esse piloto será marcado como Rival, e se nos vingarmos, vamos ganhar mais pontos. É um pormenor, mas não deixa de ser importante e relevante para a jogabilidade, e dá aquele picanço engraçado durante as corridas.

Esta versão da nova geração traz algumas novidades, já falámos dos gráficos a 60 FPS, 4K e com sistemas de iluminação melhorados, mas traz também um multiplayer melhorado e agora até 24 jogadores em simultâneo, para além de uma pista, a Wrecking Playground para se divertirem sozinhos a fazer malabarismos com o vosso carro e a parti-lo de toda a maneira e feitio. O jogo desde que foi editado tem adicionado modos e carros, nem todos de forma gratuita, mas nota-se um esforço para dar continuidade, através de eventos sazonais, DLC’s e Car Packs.

Eu diria que esta é a melhor altura para pegarem no Wreckfest, com os gráficos apurados para a PS5 e Xbox Series X|S um jogo sobe um patamar e oferece aquilo que mais nenhuma consegue, pura destruição, caos, mayhem, e efeitos disso mesmo visíveis e palpáveis também. Apesar da base do jogo ser um pouco curta em termos de diferenças nos circuitos, muitos dos updates vieram colmatar algumas dessas pechas, sendo que para terem acesso a uma maior variedade existam muitos conteúdos pagos. Uma coisa é certa não há jogo em que se possa destruir tantos carros como este.

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Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.

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