Developer: MONOLITHSOFT
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 29 de julho de 2022

Foi há cerca de 20 dias que lancei a antevisão de Xenoblade Chronicles 3. Na altura, estava a adorar todo o jogo e posso mesmo afirmar que estava extremamente entusiasmado com tudo o que me era apresentado, quer a história, os combates, e até a maneira simples como as novidades iam aparecendo; sem pressas para apresentarem tudo ao jogador, e deixando-nos ir experienciado cada novidade ao nosso ritmo e até as dominando.

Como devem imaginar, neste momento já é possível ter uma ideia mais precisa de todo o jogo, e posso dizer que são horas e horas de combates, de descobertas, de exploração e de habilidades que têm pela frente. Além de uma história que, conforme vamos avançando no jogo, nos consegue ir surpreendendo e nos deixando cada vez mais empolgados por continuar a desvendar o que se passa em Aionios (continente onde todo o jogo se passa).

Começando pela história – que é um dos principais focos do jogo –, esta envolve as duas grandes nações que se encontram em Aionios, Keves e Agnus. Estas duas grandes nações estão em guerra uma contra a outra, e todos os dias diversos soldados morrem para tentar proteger a sua nação. Essa morte para eles não é em vão, já que a cada morte, a energia desse corpo é absorvida por certas máquinas existentes em cada uma das nações.

Além disso, os soldados de ambas as nações têm uma espécie de marcas no corpo que se vão apagando, e indicam o tempo que ainda lhes resta de vida, já que todos apenas podem viver durante 10 anos. Caso cheguem a esse patamar sem terem sido mortos em combate, existirá uma espécie de celebração onde o líder da nação lhes dará uma “morte digna”, de alguém que conseguiu atingir aquela marca, e mais uma vez a energia restante é absorvida.

Embora grande parte do jogo seja jogado com Noah, Mio, Lanz, Sena, Taio e Eunie, o capítulo inicial dá-nos a visão do que se passa na nação de Keves, onde iremos comandar o grupo de Noah, Lanz e Eunie. O encontro destes dois grupos de nações opostas dá-se devido aos dois serem ordenados para uma missão prioritária de investigar sinais misteriosos. Ao chegarem a esse local, começam a batalhar, embora verifiquem que os sinais estranhos pertencem a uma nave nunca vista naquele local.

É enquanto Noah, Lanz e Eunie defrontam Mio, Taion e Sena, que Noah se apercebe que algo não está certo, uma vez que aquele encontro é diferente dos habituais contra outros soldados de Agnus. Na verdade, Noah estava certo, já que aquele encontro iria mudar a vida daqueles 6 elementos, quando um indivíduo que se encontrava na estranha nave decide parar a batalha dos dois grupos e colocá-los a pensar porque estavam a batalhar uns contra os outros, e a abrir-lhe os olhos.

Nesse mesmo momento, aparece um estranho ser que ataca aquele indivíduo, e este chama-o de Moebios. É na batalha contra esse Moebios que acontece a primeira união destes 6, e é também nesta primeira batalha que vemos a primeira ligação de Noah e Mio, com a sua transformação em Oroborus, uma espécie de fusão entre os dois, que no jogo se chama de Interlink.

Depois da batalha contra esse Moebios, que decide escapar para não ser aniquilado pelo Oroborus de Noah e Mio, os 6 falam durante alguns instantes com um misterioso homem que estava bastante ferido e acaba por falecer, e este diz que depois daquela batalha contra o Moebios eles serão perseguidos para o resto da vida, e que a única maneira de conseguirem ter novamente paz é chegarem a Swordmarch.

É neste momento que vão perceber que tudo o que fizeram foi apenas uma simples introdução, e que tudo o que está para vir será grandioso, até porque, com o avançar da história, vamos percebendo mais profundamente como funcionam as duas nações, quem as comanda e como elas são geridas hierarquicamente. Nesse percurso vamos conhecendo outros NPC que serão bastante relevantes para a história, alguns conhecidos no jogo como Heroes, e muitos deles ligados a colónias espalhadas por Aionios, que são uma espécie de postos-de-controlo e bases de cada umas das nações.

É nessas bases que vamos encontrar a maioria das missões secundárias, que não são obrigatórias, mas que nos criam um laço com as essas colónias e com quem as habita. Nesse aspecto, o jogo está dividido em três tipos de missões: as missões da história, as missões secundárias e as missões dos heróis – relacionadas com esses NPCs que referi anteriormente. Em qualquer uma dessas missões o jogador é guiado, de forma a nunca se perder por uma linha que aparece no ecrã, e que nos indica os locais onde temos de ir para completar a missão.

Confesso que gostava de aprofundar muito mais a história do jogo, até porque vamos ter descobertas que nos deixam completamente de boca aberta. Principalmente quando começarem a conhecer os Consul e as suas acções na guerra entre as duas nações. Mas isso é apenas um grão de areia no enredo que a MONOLITHSOFT ofereceu aos jogadores, já que a história por si só consegue oferecer aos jogadores de tudo um pouco, desde nos deixar comovidos, como ficar alegres cada vez que derrotamos aqueles inimigos intragáveis na sua personalidade, e até na descoberta de segredos que certamente deixarão os jogadores espantados. A razão de não me alongar é porque foram exactamente essas descobertas e esse mistério que vamos desvendando ao longo do jogo, que me fez querer continuar a jogar sem parar. Diria que senti que estava a jogar o melhor JRPG deste ano de 2022.

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Algo que também prezo bastante nos jogos é a possibilidade de exploração de cenários, e Xenoblade Chronicles 3 faz isso da maneira que mais gosto. Não sendo um open world, é um jogo dividido por regiões, podendo o jogador explorar essas regiões a seu bel-prazer. E não pensem que por não ser um open world que as regiões são pequenas – muito pelo contrário –, as regiões são enormes, e muitas vezes dentro da mesma região vão encontrar vários tipos de cenários, como cenários desérticos, cenários verdejantes, cenários com cataratas magníficas, ou mesmo zonas totalmente industrializadas. Como referi, o jogo indica-nos sempre o caminho que devemos seguir para completar as missões que assinalamos, por isso, terão de ser vocês, por iniciativa própria, a ir explorar alguns locais. E acreditem que vale bem a pena explorar todos esses locais magníficos.

Algo também interessante, é a diversidade de monstros e animais que vamos encontrando. Muitas vezes com mistura de níveis, isto é, no mesmo local podem encontrar diversas criaturas de um determinado nível, e depois aparece um ou dois de níveis muito superiores às criaturas daquele local e até dos nossos personagens. Além disso, algo que me deixou bastante satisfeito, é que as regiões têm diversas zonas, com níveis totalmente diferentes, o que significa que se querem explorar tudo, muitas vezes vão voltar para trás (descansem existem viagens rápidas) para explorar locais que quando passaram lá pela primeira vez não tinham capacidade de explorar, ou mesmo de completar uma determinada missão devido ao seu nível elevado.

Se no aspecto de exploração e maneira como podemos gerir as missões tudo está incrível, o combate não fica nada atrás. Quem conhece os jogos da franquia sabe bem que este JRPG oferece algo que poucos jogos oferecem, que é os nossos personagens estarem sempre a atacar de forma automática, desde que o inimigo esteja ao seu alcance; o jogador apenas terá de gerir os ataques especiais, que aqui são chamados de Arts. Além disso, com um grupo de 6 jogadores, é também possível trocar de personagem a qualquer altura, quer a explorar os mapas, como a meio dos combates, até porque o jogo oferece vários tipos de classes. Estas têm 3 aspectos fundamentais, sendo que algumas são de ataque, outras de defesa e outras de suporte. E muitas vezes, por preferirmos jogar com certo tipo de classes, preferimos andar com personagens que naquele momento estejam com uma classe desse tipo.

As classes podem ser algo confusas para quem nunca jogou o jogo, mas na verdade é bastante simples. Quando começam o jogo cada personagem tem a sua classe predefinida, e com o avançar do jogo, a opção de escolher novas classes irá ser desbloqueada, e é nessa altura que começamos a gostar ainda mais das batalhas, isto porque ao escolherem novas classes e evoluindo-as até ao fim, ganham a possibilidade de usar as suas Arts mesmo que não estejam com essa classe escolhida. Isso acontece porque quando escolhem uma classe têm 4 slots com Arts da classe escolhida e depois têm mais 3 slots onde podem colocar Arts de classes que já tenham evoluído.

Além das Arts existem ainda as Skills, que é aquilo que costumamos apelidar de habilidades passivas, isto é, são bónus que podemos colocar nos personagens como aumentar o dano, aumentar a defesa, aumentar o critical rate, entre outras coisas. Neste local teremos 4 skills relacionadas com a classe que estamos a usar, e 3 masters skills que mais uma vez são skills das classes que já evoluímos. Ainda nos melhoramentos passivos, temos a possibilidade de colocar até 3 Gems nos personagens, e estas Gems oferecem mais uma vez bónus. As Gems podem ser evoluídas, e para isso apenas precisamos de ter os materiais certos para fazer isso, e acreditem que existem Gems para todos os gostos e até algumas que fazem mais sentido em certos tipos de classes.

Ainda nos melhoramentos dos status dos personagens, temos os Acessórios que estes podem usar, que mais uma vez dão bónus, e podemos usar até 3. Tal como os 3 slots das Arts de outras classes, como as Gems e também os Acessórios, os slots encontram-se bloqueados, e é conforme vamos avançando no nível dos personagens que estes se vão desbloqueando.

Mas falando de combates não podemos deixar de falar nos Interlink, ou se preferirem, na transformação em Oroborus. Estas também podem ser melhoradas, até porque além de poderem escolher as Arts que elas usam, existe também uma Soul Tree para os melhorarem, e acreditem que faz uma diferença enorme nos combates quando esta Soul Tree está melhorada, já que o dano que dão nos inimigos é algo de ficarmos orgulhosos.

Ainda relacionado com os combates, não podemos deixar de falar dos heroes que falei anteriormente, até porque podemos pedir para eles nos acompanharem, e passamos a ter uma party de 7 elementos, algo que muitas vezes dá uma ajuda preciosa.

Por fim, e para finalizar o que toca a combates, temos os Chain Attacks, uma técnica especial e extremamente poderosa em que podemos usar os membros da nossa party para fazer ataques combinados e onde os ataques vão sendo multiplicados várias vezes, dando um dano incrível nos adversários. Este Chain Attack não pode ser usado no início dos combates, até porque enquanto combatemos temos um círculo que vai aumentando, e apenas quando este está completo, esse ataque pode ser activado. Diria que este ataque se torna viciante de usar, já que ver os inimigos a sofrer danos cada vez maiores dá cada vez mais vontade de o usar.

Quanto à qualidade gráfica, Xenoblade Chronicles 3 não desilude. Oferece uma qualidade bastante boa no que toca às texturas, assim como os personagens apresentam diversos detalhes muito bons. Nos combates, as Arts apresentam efeitos muito bons, com ataques com diversos efeitos de luz. Os cenários que o jogo apresenta também são incríveis, e muitas vezes apetece apenas andar a explorar os cenários para encontrar locais simplesmente magníficos. Algo que não podemos deixar de falar são as cutscenes – e acreditem são imensas! Estas apresentam uma qualidade excelente, e são quase sempre as cutscenes com revelações importantes e impactantes para a história. Por isso mesmo, estas podem ser vistas em separado em qualquer altura no menu inicial.

No que toca ao áudio, efeitos sonoros, a banda sonora e voice acting o jogo está inacreditável. Os efeitos sonoros que vamos ouvindo enquanto exploramos os cenários está excelente, e conseguimos ouvir, por exemplo, os passos de criaturas gigantescas, ouvir o vento, a água a correr, entre outras coisas. Nos combates também conseguimos ouvir as armas a esvoaçar, os tiros das armas, isto é, são diversos pormenores que fazem toda a diferença. Depois, a banda sonora está magnifica, onde todas as músicas têm enorme qualidade e encaixam na perfeição em todos os momentos do jogo. Por fim, o voice acting está com uma qualidade acima da média, quer na versão inglesa que conseguimos perceber, como na versão japonesa, que embora não seja perceptível (pelo menos para mim), conseguimos sentir a emotividade das personagens.

O único ponto que pode não agradar a alguns jogadores tem a ver com a falta de legendas em português, que poderia ajudar e muito aqueles que têm mais dificuldade com a língua inglesa.

Xenoblade Chronicles 3 é um jogo magnífico. Como já referi, para mim até agora é de longe o melhor JRPG de 2022, conseguindo oferecer tudo aquilo que um jogador pode querer de um jogo deste tipo, uma história incrível, combates vibrantes e que nos oferecem a sensação de poder, muitos locais para explorar, e missões que nos divertem. É sem dúvida um dos melhores jogos do ano para a Nintendo Switch, e o melhor jogo da franquia Xenoblade Chronicles.

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