Developer: ACQUIRE Corp., Marvelous Games
Plataforma: PlayStation 4 e Nintendo Switch
Data de Lançamento: 23 de Julho de 2021

A saga Akiba’s Trip tem ganho o seu espaço como franquia de culto entre jogadores que têm um especial interesse sobre a subcultura okatu. Este movimento pop japonês tem uma relação muito próxima com Akihabara, a área comercial de um conhecido bairro luzidio de Tóquio, onde podemos comungar com os costumes mais geek dos japoneses, tal como animes, mangas, pop-figures e intermináveis salões de jogos.

Ora, planeado para ser lançado no dia 20 deste mês na PlayStation 4 e à Switch, temos o mais recente título desta série: Akiba’s Trip: Hellbound & Debriefed. E mais uma vez, explora ao máximo os detalhes materiais e espirituais desta vertente da cultura japonesa que se expandiu, entretanto, para todos os cantos do mundo.

Akiba’s Trip: Hellbound & Debriefed é, no fundo, uma versão HD remasterizada de Akibas Trip Plus, um título da PSP lançado em 2012. Dez anos depois, o estúdio ACQUIRE Corp. traz-nos esta celebração em forma de remaster, com algumas melhorias gráficas, e a chegar pela primeira vez à Europa.

É precisamente em Akihabara que se desenrola a acção, quando o protagonista, ao tentar socorrer um amigo em apuros, vê-se no meio de uma trama que envolve forças sobrenaturais e mais particularmente vampiros. O resultado trágico é que ambos acabam por ficar às portas da morte, e uma misteriosa e bonita vampira, por razões que se desconhecem, decide salvar o protagonista, dando-lhe de beber o próprio sangue e desaparecendo de seguida.

Os poderes que o nosso herói ganha são imediatamente aproveitados para servir uma organização governamental chamada NIRO (National Inteligence and Research Organization). E na verdade, não temos grande escolha, porque ou aceitamos fazer parte desta instituição do governo, ou seremos expostos à luz do dia, que nos deixará feitos em cinzas.

Todas estas cenas iniciais são apresentadas através de diálogos, onde em determinadas alturas podemos decidir o que dizer. Contudo, na esmagadora maioria das vezes, pouco mais podemos fazer do que ler e passar para a próxima linha de diálogo, num longo e demorado processo de aproximadamente 30 a 40 minutos.

Depois, somos finalmente apresentados à cidade de Akihabara, e onde a jogabilidade começa verdadeiramente. A nossa primeira missão será reencontrar o grupo de Freedom Fighters e amigos que nos socorreu e ficarmos a conhecer cada um dos seus elementos. A acompanhar-nos também estará uma agente da NIRO, que irá coordenar as operações nesta jornada que nos irá levar a entender o complexo e perigoso circulo dos Shadow Souls – a secreta ordem de vampiros.

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 A cidade tenta representar aquilo que mais salta à vista em Akihabara, como o aspecto colorido das luzes e o enorme movimento nas suas ruas. A navegação pela cidade é feita através de ruas, e quando chegamos às suas extremidades, seremos transportados para o mapa e decidir para qual queremos ir a seguir, e será também no mapa que podemos salvar o jogo.

Temos um smartphone que serve de hub e que podemos consultar para sabermos as missões, os objectivos, as personagens e as mensagens que recebemos. Será uma pequena ajuda já que não é exactamente apontado onde temos de ir, sendo por isso necessário interpretar bem as mensagens e explorar um pouco os locais e os npc´s à nossa volta.

Existem várias lojas que podemos visitar com as quais temos a opção de interagir.  Podemos comprar e vender de tudo um pouco, desde materiais eletrónicos, roupa, revistas, consumíveis e muito mais. Podemos até experimentar mini-jogos para passar o tempo e que ajudam a construir a sensação de estarmos em Akihabara.

Os combates são a parte mais peculiar e distinta de Akiba’s Trip: Hellbound & Debriefed, já que o objectivo é o strip, ou seja, tirar a roupa ao adversário. Há uma razão para isso, porque uma vez que estamos a falar de vampiros, tirar-lhes a roupa expõe a pele ao sol, o que nos faz sair vitoriosos. No fundo, as peças de roupa marcam a energia disponível que falta eliminar até vencermos o combate, o que torna o jogo bastante diferente de algo que já tenhamos visto.

A acção do combate entretém minimamente e requer alguns reflexos. É possível fazer ataques às zonas da cabeça, tronco e pernas (onde cada botão corresponde a determinada área), fazendo pontaria assim à roupa e acessórios dos inimigos, para depois, no momento certo, podermos arrancá-las. É mais difícil do que parece, especialmente quando é mais do que um oponente, mas é algo a que apanhamos rapidamente o jeito e a lógica.

Podemos também usar armas, e quase tudo o que apanhamos é possível de ser usado para bater nos adversários, como violas, jornais, teclados, tacos de baseball, enfim, quase tudo o que possam imaginar. Cada vez que conseguimos um strip a um inimigo temos a oportunidade de apanhar os items que deixaram cair, assim como a roupa que não ficar destruída.

Graficamente, é ligeira o upgrade em relação à versão da PSP. Notam-se algumas melhorias, mas nada que possamos considerar como um avanço significativo. Tem um aspecto bastante datado, tanto nas texturas, como nas animações, e é apenas superado pela qualidade sonora, que está bastante aceitável e tem a substância habitual de uma criação japonesa.

Embora não seja daqueles remasters que se justificam plenamente, não deixa de ser a única opção para quem quer sempre quis jogar na Europa e nunca teve oportunidade. Agora com tudo traduzido para o inglês, passa a ser perfeitamente possível experimentar esta popular saga.