Em Batora: Lost Haven, os jogadores vão assumir o papel de Avril – uma heroína improvável e a última esperança de um planeta moribundo destruído por um ser sedento de poder que levou à destruição de metade da Terra. Com ele, Soren, levou também os pais de Avril, e a nossa jovem vai ter que se vingar do que fizeram com a sua família, mas também tentar restituir o equilíbrio na Terra.

Esta é a premissa principal do jogo e que nos leva embarcar numa aventura de ficção científica, muito colorida, onde vamos andar a saltitar entre localizações e planetas na tentativa de absorver elementos chave para termos a força, energia e poder suficiente para defrontar Soren e acabar com a sua tirania. Avril foi a escolhida por duas entidades, Sun e Moon, que lhe deram o que restava do seu poder para tentar travar Soren, mas ao fazê-lo, estas duas entidades passaram apenas a viver dentro de Avril, funcionando muitas vezes como a sua própria consciência e atribuindo poderes distintos.

Sun dá-nos os poderes físicos, isto é, os ataques físicos com uma espada de fogo, já Moon, confere-nos os poderes mentais, podendo lançar bolas de energia psíquica e tornados devastadores. Uma das mecânicas presentes é esse alternar entre os dois poderes que é executado através de um botão de ação (o A no caso de jogarem com um comando Xbox) fazendo com que os ataques regulares sejam executados sempre no mesmo botão (X), tendo ainda a possibilidade conforme vamos carregando o nosso poder, de executarmos manobras especiais com cada um dos dois elementos através do Right Trigger, por exemplo.

Para além destas manobras e ataques mais básicos, podemos ainda ativar combos mais poderosos de cada elemento quando preenchemos umas esferas de energia através do botão do Right Stick. Existe ainda a possibilidade de dar uma cambalhota para nos esquivarmos se tivermos o Sun ativado ou um pequeno dash se tivermos a Moon ativada.

Estas são as mecânicas da componente de hack n’ slash do jogo, com uma visão isométrica bastante afastada, que por vezes não facilita muito a percepção da ação, especialmente quando estamos a utilizar os ataques de energia de Moon que nos faz ter alguma dificuldade em acertar nos alvos. Isto porque, e convém explicar, os inimigos também sofrem muito mais dano se os atingirmos com o elemento certo.

Diria até, que este afastamento da câmara foi o elemento que mais me importonou durante o nível disponibilizado para esta antevisão, em que em determinados momentos mais tensos, com um número maior de inimigos, dificilmente conseguia orientar a personagem para atingir os inimigos com as bolas de energia no elemento Moon, e acabava por morrer com alguma facilidade.

Neste caso, basta que a barra de energia de um elemento acabe para morrermos também, mesmo que a outra esteja praticamente cheia. Essas mesmas duas barras de energia inseparáveis vão descendo perante os ataques dos elementos que vamos sofrendo, se for de inimigos do elemento Sun, desce essa barra, se for do elemento Moon, desce essa barra. É um elemento de gestão interessante, mas também algo complicado para nos habituarmos, mas não deixa de ser desafiante. Ao derrotarmos inimigos ou quebrando cristais desses elementos recebemos energia.

O jogo desenrola-se de forma natural, facilmente entramos na onda de ir de ponto A a ponto B matando inimigos pelo caminho para recolher items que possam, por um lado, recuperar as memórias dos eventos que levaram ao fim de metado do mundo, por outro a objetos e elementos que possam dar uma maior força a Avril para enfrentar Soren.

Nesta demo tivemos uma parte em que andámos numa espécie de “dungeon” à procura de 3 cristais para restituir a memória de um ser, o Carandor, que teve um papel preponderante nos eventos que levaram à destruição da Terra, viajando para uma outra dimensão sempre que encontrávamos um deles. Aqui o jogo introduz a sua outra componente, a dos puzzles.

Os puzzles em Batora: The Lost Haven passam por ativarmos mecanismos com os nossos dois elementos. O Sun ativado por uma “espadeirada” num pilarete e um disparo de energia de Moon para ativar uma mini-pirâmide, geralmente alocada num sítio sem acesso físico.

Nesses 3 puzzles que enfrentámos para recolher os 3 cristais, basicamente tínhamos que encontrar a ordem certa de ativar cada um dos mecanismos, fazendo rodar plataformas, desnível outras tantas, e também utilizar os nossos poderes psíquicos para conduzir uma bola para plataformas específicas ativando os vários caminhos até desbloquear a passagem à nossa personagem para recolher o cristal. São puzzles interessantes, que puxam pela cabeça, dinâmicos, sem ser repetitivos e desafiantes.

Avril vai conhecendo vai personagens ao longo do seu caminho. No caso desta demo já existem vários laços que foram concebidos, entre os quais com Mila, uma amiga que temos que salvar, qual Princesa Peach, e que nos vai fazendo companhia ao longo da aventura e até nas decisões que temos que tomar.

Esta é a outra componente que me faltava falar do jogo, a das decisões que Avril vai ter que tomar e que terão impacto no desenrolar do mesmo. Pegando no exemplo de ajudar o tal ser, Carandor a recolher as suas memórias. Avril depois de perceber o papel de Carandor, terá que decidir se o decide poupar ou o matar. Sun e Moon têm diferentes opiniões sobre o assunto e tentam influenciar o nosso julgamento, mas no fim, seremos nós a decidir e a lidar com as repercurssões dessa mesma decisão.

Dependendo dessa decisão vamos recolhendo pontos de Conquistador, de Defensor ou Neutrais, que vão influenciar o decorrer do jogo, quer seja na posição que os habitantes dos vários locais terão perante Avril, passando pelos confrontos que teremos ou deixaremos de ter e por fim, as Runas que recebemos.

As Runas, são perks que podemos incluir na nossa personagem, perante as slots disponíveis, e até são bastantes,  que nos dão mais poder, uma maior capacidade de cura, um menos cooldown nas habilidades e por aí fora. Para dar apenas um exemplo, como decidi perdoar e poupar Carandor, recebi a Runa – Dream of Forgiveness que dá à personagem menos danos físico e uma percentagem menor no cooldown nas habilidades de desviar dos inimigos. As Runas também podem ser compradas em alguns vendedores que vão encontrar pelo mapa.

Batora: Lost Haven é super colorido, recheado de personalidade, tanto das personagens que invoca numa mistura entre uma heroína com roupas tribais e uma espada a lembrar Bastion, com as máquinas e as entidades alienígenas de vários planetas. Em termos de modelos utilizados, facilmente lembramo-nos de um Fenyx Rising, por exemplo, com as transformações de Avril em tempo real com a tal técnica apelidada de Switch Nature a ter um efeito especial, meio transformação em Super Sayan.

Ainda existe algum trabalho a fazer em termos de texturas, nomeadamente de polir as arestas, de impedir que passemos por dentro de algumas delas e coisas do género. As cut scenes também ainda estão em processo de afinação, com uma nota clara por parte dos developers em cada uma delas, a dar conta de que o que estamos a ver ainda não é um trabalho finalizado.

Em termos sonoros, destaque para o voice acting de cada uma das personagens que me parece muito bem conseguido, com uma boa interpretação e com muita piada, uma espécie de humor negro que me agradou de sobremaneira.

Batora: Lost Haven e a equipa da Stormind Games está num bom caminho com uma proposta relativamente diferenciadora naquilo que encontramos nos jogos de hack n’ slash isométricos, com a tal Switch Nature a ter um papel preponderante nessa diferenciação, assim como a gestão dos dois elementos Sun e Moon perante os vários adversários e perante a vida que temos em cada um deles também. O facto das nossas escolhas também desempenharem um papel importante no desenrolar do jogo alimenta a curiosidade, promove até a repetição e dá-nos um sentido de responsabilidade e de determinar o rumo dos acontecimentos. As mecânicas são boas, podiam estar um pouco mais fluídas e a câmara estar um pouco mais próxima para determinarmos melhor as nossas ações. Há margem de progressão, mas o potencial está lá.

Batora: Lost Havenestá disponível para experimentarem, em formato PC, durante esta semana do Steam NextFest, e sairá ainda este ano para a PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC.