Developer: Santa Monica Studio
Plataforma: PS5, PS4
Data de Lançamento: 8 de novembro 2022

Enquanto recolhemos informação e longas horas de jogo para escrever a análise ao novo exclusivo da Sony, podemos avançar aqui algumas das primeiras impressões que tivemos com o jogo.

Estamos a falar das primeiras 5 a 6 horas de jogo, dependendo um pouco da dificuldade em que jogarem e da exploração que fizerem, mas como eu tenho sempre a mania de ver todos os cantinhos, estive mais perto das 6 horas e pouco. Pode parecer muito, mas algo me diz que este jogo terá, pelo menos, mais 3 vezes esse tempo de duração. Seja como for, esse pormenor é pura especulação neste momento, vão ter que esperar pela análise mais perto do lançamento do jogo.

Algo que ansiava ver respondido desde os momentos iniciais era como seria agora a relação entre Kratos e Atreus, entre pai e filho, mas também se existia uma sequência lógica em tudo aquilo que recolhemos no jogo de 2018, assim como as relações que criámos ou que quebrámos. Não foi preciso muito para perceber isso, logo nas cenas iniciais vemos como Kratos continua frio, mas intimamente preocupado com o seu filho e, de como Atreus já compreende muito melhor os monossílabos ou os murmúrios do seu pai. Notamos que Atreus já não precisa de andar armado em koala nas costas do seu pai, assim como não necessita das suas indicações, para além disso, a sua fisionomia já o coloca mais perto da adolescência do que a criança que era em 2018.

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Kratos continua a carregar as marcas de um Deus da Guerra, com o seu escudo do Guardião, o machado Leviatã e as Lâminas do Caos, para além do seu inseparável amigo, bem neste caso está mesmo separado do seu corpo, a cabeça de Mimir. Parecendo que não, mas nota-se uma relação mais próxima destas 3 personagens em particular, partilhando preocupações e estados de espírito, o que achei interessante e credível.

Tal como o facto de existir toda uma progressão do primeiro jogo desta saga nórdica, não caindo na tentação de fazer uma espécie de reset às armas e armaduras que tínhamos, naquela velha máxima de: “oh roubaram-nos tudo e temos que as recuperar”, ou de entrarem num universo paralelo e começar do zero. Isso nota-se logo no reavivar da memória dos controlos básicos que são dados já em formato de jogabilidade cinematográfica, numa perseguição hostil de Freya a Kratos e Atreus, afinal de contas, matámos o seu filho, por mais que a tenhamos salvo.

O mistério continua a ser uma grande parte do segredo de God of War, porque na verdade não sabemos o que poderá acontecer a seguir, apenas sabemos que Kratos será capaz de chacinar todos os deuses para conseguir aquilo que precisa ou para defender o seu filho. Com o final de God of War e a leitura da profecia por parte de Atreus, difícil é não estar constantemente à procura de respostas a cada movimento e em cada diálogo das nossas personagens, mas no início nada mais saberemos de que a profecia sobre o Fimbulwinter se está a cumprir, isto é, um Inverno que dura 3 anos sem cessar, a congelar tudo e todos que serve como o anúncio do Ragnarök, a total aniquilação dos Nove Reinos. Com este cenário vamos nos deparar com o Lago dos Nove totalmente congelado e o Templo de Tyr completamente bloqueado, impedindo-nos de viajar entre os reinos.

Não me posso esticar muito a explicar tudo, mas facilmente podem ver, até pelas imagens, que vamos voltar a ver várias caras conhecidas, por exemplo, os irmãos anões Sindri e Brok que, mais uma vez, nos vão dar uma ajuda a aumentar o nosso poder de armamento e de armadura a troco de alguns recursos. Até por isso mesmos, vamos continuar a ganhar experiência em todos os combates em que entramos, abrindo a possibilidade de novas habilidades para Kratos e Atreus, até a possibilidade de adquirir novos itens, como as Setas Sónicas que Atreus pode utilizar para abrir novos caminhos.

É claro que dito isto, já se sabe que haverá muita coisa para fazer e muito por onde explorar. Tudo é bastante reforçado por uma riqueza de narrativa mitológica, que vai desde a profecia de Atreus ser Loki, passando por Thor e o seu Mjolnir, como já vimos nos trailers. Facilmente perdemos horas a fazer missões secundárias e outros pequenos objectivos, como derrotar mini-bosses, encontrar coleccionáveis ou esmagar os Corvos de Odin.

Em termos gráficos, jogando na PlayStation 5, a qualidade é impressionante. Sentimos isso desde o primeiro momento, notando-se um pequeno salto qualitativo da versão PS5 de God of War, mas melhorado na componente da fluidez. Podem contar com um Modo de Qualidade e um Modo de Desempenho para escolherem. Na primeira delas, o aposta no maior detalhes dos seus visuais para entregar uma experiência a 30 FPS na resolução 4K nativa — já a segunda aposta no 4K dinâmico para entregar 60FPS. E depois já sabem que o DualSense traz sempre uma experiência diferente, com os gatilhos hápticos a responderem aos movimentos de Kratos, nomeadamente de atirar o seu machado e a resistência nas superfícies que tentamos cortar, para além do haptic feedback, onde todos os ataques adversários, quer sejam defendidos ou não, se sintam nas nossas mãos.

Devo confessar que fico sempre impressionado como o Santa Monica Studio consegue carregar a história e as personagens de um dramatismo tal, muitas vezes quase sem ser linhas de diálogo. Muitas vezes parece uma cena de teatro, onde as expressões dizem muito mais do que as palavras e onde o cenário e as imagens traduzem-se em sentimentos. As analogias feitas não são inocentes e muitas vezes levamos um pequeno soco no estômago e é isso que eu, pelo menos, procuro numa experiência single player.

É prematuro dizer muito mais do jogo do que isto, mas a verdade é que estamos colados ao ecrã a jogá-lo sem parar, e isso quer dizer muita coisa. A nossa análise detalhada chegará a 3 de novembro.