Moo Lander apenas chega oficialmente no ano que vem, mas já tivemos a oportunidade de testar uma versão de demontração para vos dar conta do essencial.

O jogo tem uma história no mínimo invulgar, isto porque vamos controlar a última nave da nossa civilização e temos que, por alguma razão, vasculhar o mundo atrás de leite, sim leite.

Vou tentar explicar esta história. Durante a Guerra, a humanidade perdeu todo o leite, visto como a fonte mais pura de energia. A nossa missão, para tentar salvar toda a gente, é encontrar um dispositivo antigo, capaz de produzir quantidades infinitas de leite. E parece que em Marte, há efetivamente vacas alienígenas, e esse mítico dispostivo, e lá que vamos parar. No entanto não aterramos da melhor forma e a nossa nave conduzida pela Inteligência Artificial apelidada de Hamilton perdeu as suas armas, propulsores e habilidades de transporte.

O jogo tem um ambiente 2D com vários planos para dar profundidade e um ambiente mais perto da tridimensionalidade. Como é um planeta abstracto e com criaturas totalmente irrisórias, sentimos que existe um humor requintado no exagero de cada uma delas, e até mesmo nos diálogos entre a tal IA, Hamilton e o seu piloto Lander. É um humor negro, descompensado e muito britânico, que vai de encontro com a excentricidade das cores dos cenários, das paisagens, das criaturas etc. Todos eles foram pintados à mão, e a arte por detrás deles é muito interessante, fez-me lembrar o magnífico trabalho de Ori, por exemplo, e dizer isto por si só, é bastante lisongeiro.

Como um tradicional jogo de plataformas temos muitos puzzles de ambientes, mecanismos para usar, portas para abrir, habilidades para desbloquear para que consigamos ultrapassar determinados pontos, e abordagens diferentes para cada novo inimigo que enfrentamos.

Ao contrário de Ori, que já aqui referi, não estamos a conduzir uma personagem por entre plataformas, mas sim uma personagem dentro de uma nave, portanto o plano em que nos movimentamos é diferente do tradicional. Como estamos a voar a movimentação da nossa nave é sempre feita pelo cenário tendo em conta essa física, o que ao início julguei que poderia ser estranho e complicado de controlar, mas depois lembrei-me da quantidade de jogos side scroller de naves espaciais que jogava no Spectrum ou no Commodore Amiga e percebi que a ideia é a mesma.

Ao início estamos apenas a aprender como nos movimentarmos perante caminhos estreitos e curvas minuciosas para dominar a física da nave, mas rapidamente começamos a ganhar algumas habilidades para usarmos na nossa aventura. É quando descobrimos que existe leite neste planeta, que também conseguimos reactivar os protocolos da sua extração e o podemos usar nas nossas armas e defesa.

E pela defesa que começamos precisamente, com a possibilidade de gerar um escudo de leite que podemos direcionar com o analógico direito. É bastante simples e útil, com o analógico esquerdo movimentamo-nos e com o direito rodamos o escudo para onde precisamos de proteção.

No entanto o leite vai se esgotando ao utilizá-lo, aliás como todas as outras habilidades, e portanto temos que o dosear, até encontrarmos outro ponto de extração de leite.

Para além deste elemento de defesa, temos também elementos de ataque. Primeiro uma arma que dispara raios de leite, depois a possibilidade de com o mesmo leite fazer uma espada que podemos cortar todos os inimigos que nos apareçam à frente. Ainda no capítulo das armas teremos ao nosso dispor uma espécie de metralhadora e ainda shurikens de leite. Mais para a frente encontramos também os nossos propulsores e ganhamos uma espécie de Dash que também quebra algumas barreiras.

Nesta demonstração apenas temos estas habilidades, armas e escudos, mas o jogo vai ter mais opções que se dividem em 3 categorias: as de defesa, as letais e as não letais, como podem ver abaixo.

Os controlos e a jogabilidade são bastante fáceis de aprender, mas derrotar os inimigos é um desafio, já que cada tipo de inimigo parece ter uma forma diferente de enfrentar. Felizmente, o jogo é generoso com pontos de gravação. Os Bosses do jogo, pois, como é óbvio são vacas. Vacas ancestrais que não querem ver o seu leite derramado. São 20 e cada uma delas com o seu poder especial, e com a sua forma específica de atacar.

O jogo tem ainda uma componente de pesquisa, isto é, conforme vamos matando criaturas e encontrando novas, vamos subindo o nosso nível de conhecimento e desbloqueando novas “roupagens” para a nossa nave que nos permite ter alguns atributos melhorados.

Moo Lander ao contrário de outros Metroidvanias, tem uma componente de multijogador tanto em formato PvP e PvE. No chamado Mooltiplayer onde podemos assumir o papel de uma vaca ou de um lander, jogando 2vs2 com dois elementos de cada. Podemos também nos juntar a outro Lander e tentar derrotar uma das vacas ancestrais, e depois temos uma espécie de Rocket League, o chamado Galactic Mooball.

Aqui escolhemos uma equipa e em formato 1vs1 ou 2vs2 podemos marcar golos na baliza adversária. Com as armas e o tal dash tentamos empurrar a bola para a baliza do nosso adversário. Por último e também na companhia de até mais 3 amigos podemos tentar sobreviver ao maior número de hordas possível. Os modos multijogador são todos muito bem conseguidos e divertidos, assim como simples e desafiantes.

Moo Lander chega na Primavera do ano que vem para PC e para as consolas Xbox, PlayStation e Nintendo Switch, um belo trabalho da Sixth Hammer, que eu diria que vai ser daquelas alegres surpresas que o vai catapultar como um dos jogos mais jogados do ano.