Foi preciso esperar 8 anos para a continuação da saga épica de Mount & Blade e mesmo assim a turca TaleWorld games não conseguiu decidir se chamava ao seu jogo “2” ou “Bannerlord”, acabando por chamar as duas coisas ao título lançado como “Early Access” no final do mês de Março.

Sintomático do estado deste ambicioso jogo que sucede a “Warband”, editado em 2010, ainda há muitas arestas por polir mas nem por isso afastará os mais desejosos de saber a saga da terra de Caladria.

Este jogo é uma prequela aos anteriores, ainda que seja quase impossível reconhecer o mapa que era a base de “Warband”. Demos por nós a procurar as cidades que nos lembrávamos e descobrimos apenas duas de memória. O mapa está muito detalhado e animado, e é talvez onde se nota a maior mudança neste jogo. Há cascatas animadas e os castelos e cidades estão adaptados aos terrenos, embora por dentro sejam ainda todos semelhantes. Todos os castelos do deserto, por exemplo, têm a mesma planta, com 20 portas fechadas e duas ou três personagens que mal enchem o espaço. Já as tabernas e cidades apresentam um pouco mais de vida e NPC’s. A primeira vez que entramos numa cidade é bastante impressionante, mas perde rapidamente o interesse por falta de interatividade e coisas para fazer nela.

A história é muito levemente pincelada depois do tutorial, deixando-nos explorar o mapa e testar tipos de jogo que preferimos, ao estilo “sandbox”. Andamos atrás de pequenos grupos de bandidos, recrutamos companheiros de aventura, assaltamos aldeias, tentamos ganhar algum dinheiro e fama através do comércio entre cidades ou vamos de aldeia em aldeia à procura de pessoas que nos peçam tarefas? Podemos sempre misturar os modelos e tentar ir fazendo crescer o nosso clã.

Porque agora os reinos são mais fácil e visivelmente divididos em clãs que lutam por influência dentro de cada reino. Isso permite ajudar a decidir leis ou ficar com terrenos e castelos. Mas ainda estamos longe de “Warband” não podendo ficar apenas com aldeias ou dar terrenos aos nossos companheiros na constante busca por influência e controlo. “This is a generic backstory” foi literalmente uma das descrições que apareceu quando falava com um potencial companheiro, o que mostra que ainda há muito caminho a percorrer para este “Bannerlord”.

Enquanto não é corrigido, podemos enriquecer quando compramos uma carpintaria, que dá claramente dinheiro a mais, depois de andarmos por aldeias e cidades a vender produtos até atingir o valor necessário para a comprar. A partir daí podemos concentrar-nos no nosso pequeno bando de guerreiros.

A TaleWorlds avisa que está a trabalhar em diálogos com voz e mais histórias e “quests”, além do habitual balanceamento do jogo. O modo multijogador está mais afinado e promete ainda ser melhor. Até lá, não deixamos de ficar entretidos com o crescimento do nosso personagem e de tentar umas conquistas românticas sem sucesso.

Para quem não jogou os anteriores será uma questão de amor ou ódio. É um jogo com muito “grinding” e ao qual temos de dedicar horas até termos algum resultado visível, o que pode levar a alguma frustração, quando por exemplo, perdemos uma batalha a que não conseguimos fugir e somos presos por um reino ou clã rival durante vários longos dias. Para os que conhecem, pensem num “Sid Meier’s Pirates” medieval.

Em relação a novas mecânicas, a primeira que salta à vista é que podemos derreter armas e vender os materiais, ou construirmos as nossas próprias armas a partir daí. As opções de diálogo também são mais claras, com percentagens de sucesso mas as evoluções em termos de jogabilidade são poucas para já. Espera-se que “Bannerlord” cumpra os seus desígnios e atinja o potencial que a editora e os fãs esperam. Entretanto, não deixa de entreter os jogadores e fazer o tempo em Caladria passar muito rápido.