Developer: Mohawk Games
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 19 de maio de 2022

As tribos bárbaras estão mesmo aqui ao lado e queremos expandir a nossa cidade. O problema é que demoramos 8 anos a criar um guerreiro. Além disso, temos um filho ilegítimo e uma das famílias mais poderosas da cidade odeia-nos por isso e por não sermos zoroastrianos. Ah, e os gregos acabaram de construir as pirâmides.

Este é o mundo de Old World, jogo criado por Soren Johnson, o designer de Civ IV. Uma mistura de Civilization, com hexágonos incluídos, e Crusader Kings. O jogo de estratégia passado no tempo dos persas e romanos permite-nos escolher 7 civilizações e progredir a nossa dinastia. O mais diferente de tudo é como se procedem os turnos, com Orders, que nos obriga a priorizar o que vamos fazer de cada vez. As orders ganham-se de várias maneiras, ao ganhar pontos de legitimidade, aumentar fronteiras, expandir cidades e saber navegar por entre as intrigas palacianas.

De início, de ar e de estilo, não anda muito longe de Civilization e não custará a um jogador já habituado ao mapa hexagonal entrar no espírito. Os gráficos não vão impressionar ninguém mas é giro que cada civilização construa as coisas de uma maneira ligeiramente distinta.

Para começar, os nossos settlers só podem criar cidades em espaços pré-determinados no mapa, o que, sendo restritivo nos obriga a algo de planificação. Depois atribuímos a cidade a uma de 4 famílias que a nossa dinastia terá de manter satisfeitas o suficiente sem que atrapalhem os nossos planos.

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A maior diferença está mesmo no passar do tempo. Já nos habituámos aos jogos que nos levam da idade do bronze até à modernidade mas aqui esqueçam isso. Vamos ficar sempre no mundo antigo. Isto pode aborrecer muitos e aliciar outros quantos porque não é por isso que deixamos de ter uma tech tree mais detalhada e tão desafiante quanto outros jogos do estilo.

Mas além do PvP balanceado e divertido, Old World aposta em DLC para fãs que também gostam de batalhas históricas. No mais recente Heroes of the Aegean podemos repetir a batalha de Maratona e outras mais dos tempos da Grécia Antiga. É um estilo de jogo algo diferente, mais imediato e virado para batalhas que, apesar de fazerem parte deste jogo não são o seu core, um bocadinho a dar a piscadela de olho a Hearts of Iron IV.

Mas ao fim ao cabo e com tanta mistura de outros conceitos de jogos…

Será que Old World consegue entregar o que promete? 

A resposta curta é que sim. E não, dependendo que que vos atrai nos outros franchises aqui mencionados. Mais que tudo este é um jogo de gestão e expansão de território. Sim, temos de manter a sanidade do nosso governante, as relações familiares e diplomáticas, mas não é tão desafiante como Crusader Kings, em que de repente somos um canibal naturista. Ainda assim cuidado com os nossos filhos corruptos e os macacos de estimação.

A gestão de recursos é um dos pontos fortes, já que podemos criar um campo para agricultura e criar um especialista dedicado que nos aumenta a quantidade de comida por turno. Além disso temos madeira, pedra, metal, dinheiro e mais para gerir. E uma das grandes novidades é que um turno é apenas um ano, ou um semestre. O que nos faz sentir que a evolução é lenta, comparativamente com outros jogos do estilo. Algo que ajuda é, por exemplo podermos comprar a madeira que falta com dinheiro, ou acelerar a construção de uma unidade, com a penalização de ficar mais cara no futuro.

Old World parece-nos, acima de tudo, criado para jogos de PvP, mas os cenários montados, especialmente os dos DLC são um bom desafio para o jogador a solo, dando-lhe um palco diferente para mudar um pouco o seu estilo de jogo. Até agora com dois destes conteúdos extra, um de Cartago e um sobre Gregos e Macedónios, onde podemos jogar com Filipe mas não com Alexandre, infelizmente.