A encomenda da Sony é arrojada e a aposta bastante arriscada, tal como em cada momento em que estamos com o comando na mão a jogar Returnal. O próximo exclusivo PlayStation 5 chega-nos pela mão da Housemarque que se comprometeu a fazer um roguelike na terceira pessoa. Os criadores do aclamado Resogun atiraram-se de cabeça para algo bem diferente daquilo a que estavam habituados a fazer, mas há coisas que não mudam como o estilo arcade, a velocidade que é preciosa, a jogabilidade e claro, a dificuldade.

Começo por aí mesmo. Passadas umas boas horas de jogo, posso dizer que a dificuldade de Returnal é capaz de colocar qualquer um com sentimentos mistos. Por um lado a frustração da repetição e de não se conseguir avançar no jogo e por outro, a sensação única de felicidade quando se avança um bocadinho mais e se descobre uma nova zona ou arma. Acho seguro dizer que o estilo é parecido com jogos da From Software, nomeadamente Bloodborne ou Demon’s Souls que até teve um remake exclusivo também para a PlayStation 5. Talvez o estilo esteja a ganhar cada vez mais adeptos, o que é certo é que não esperem um jogo à maneira de outros exclusivos a que a Sony já nos habituou como Uncharted ou Horizon, onde a história é outra.

Neste jogo assumimos o papel de Selene, uma exploradora greco-americana da ASTRA que, pela primeira vez na sua carreira, desobedece aos seus superiores e viaja pelo planeta alienígena Átropos, seguindo o sinal de transmissão da “Sombra Branca”. Mal sabe ela onde se foi meter. O estilo roguelike de Returnal leva-nos para constantes loops que mudam de forma cada vez que morremos. Vamos andar por várias zonas e cada uma delas tem várias “portas” que podemos ir passando. No mapa conseguimos ver quais as rotas principais, as alternativas e outros elementos que à medida que vamos jogando, vamos reconhecendo como úteis ou nem por isso.

O ambiente é sombrio, mas belíssimo. É como se estivéssemos num filme do Alien a lutar contra aqueles bichos estranhos que, de certa forma, me fizeram lembrar Death Stranding, naquelas partes em que éramos apanhados pelas sombras que nos tentavam levar para o outro mundo. O objetivo destas bestas, se me permitem, é o mesmo, ou seja, tentar matar-nos a todo o custo com todas as forças que conseguirem. Cabe-nos saber lidar com eles, aprender os movimentos e se nos matarem à primeira, se calhar também nos matam à segunda, mas.. à sétima vez se calhar já sabemos como controlá-los. Eles enviam bolas como se fossem tiros, saltam para cima de nós e criam barreiras para nos afetar a energia.

Do lado do bem, o nosso, temos de ser inteligentes e desviar-nos com um toque no círculo que faz um movimento mais brusco de desvio ou com saltos. A corrida também é uma boa ideia em alguns casos, embora às vezes fechem as portas e o confronto com eles se torne inevitável. Para nos ajudar, temos sempre uma pistola pronta a disparar como se não houvesse amanhã. Há alguns tipos de arma que se vão encontrando pelo mapa e que podem ser evoluídas com alguns itens que se apanham, nomeadamente o melhoramento na cadência de tiro e o tipo de projétil. O mal disto é que cada vez que se morre, lá se vai essa evolução e tudo volta ao ponto de partida. À medida que se avança vão ter outros tipos de arma além de uma pistola, mas não vos vou estragar as surpresas.

Há bastante para explorar em Átropos e se tiverem a pensar que o jogo é curto, enganam-se. Até pode vir a ser para os profissionais que consigam chegar ao fim sem morrer, se bem que acho isso impossível, mas coragem. A minha experiência retrata o primeiro bioma de Returnal, onde já encontrei bastantes caminhos e segredos que podem ser relevantes para perceber o que raio se passa ali naquele mundo. As visões de Selene cada vez que acorda, a casa que parece assombrada no meio daquele ambiente hostil deve significar alguma coisa que só vamos perceber mais tarde. Há várias progressões a fazer e a perceber mais em detalhe, mas isso fica para a análise final.

Dizer ainda que a jogabilidade está excelente, é fácil perceber as mecânicas e aplicá-las, difícil é sobreviver a alguns combates frenéticos que me causaram alguns calafrios e nervosismos quando, por exemplo, cheguei ao boss pela primeira vez com apenas um pouco de vida.

A experiência fica melhor com a envolvência do DualSense que vibra com várias intensidades, emite sons e faz-nos sentir a chuva a cair. A nível sonoro, Returnal está qualquer coisa, quer seja em sons de ambiente ou noutros sons vindos sabe-se lá de onde. Tudo parece ter sido executado ao pormenor pela Housemarque, espero que o balanceamento entre a dificuldade e a satisfação não se perca com demasiadas mortes consecutivas, o que pode desanimar qualquer um. 

Por cá vou continuar a tentar chegar o mais longe possível até vos trazer a análise. Oxalá consiga chegar ao fim, mas a julgar pelas primeiras horas, o processo não se avizinha fácil. Desejem-me sorte. Returnal chega em exclusivo à PlayStation 5 no dia 30 de abril de 2021.