Ainda sinto a adrenalina a correr depois de ter a oportunidade de jogar a demo de Sekiro: Shadows Die Twice. Este é o novo jogo editado pela Activision e desenvolvido pela FromSoftware, a produtora das series Dark Souls, Demon Souls e até de Bloodborne. E não foi em vão que enunciei estes jogos, já que o adjectivo mais fácil para ilustrar essas três series é a extrema dificuldade.

Sekiro: Shadows Die Twice segue as mesmas premissas, é um jogo de aventura na terceira pessoa, com uma pequena pitada de RPG e com bastante acção e lutas. E outra coisa não seria de esperar já que todo o jogo foi dirigido por Hidetaka Miyazaki, director das sagas de jogos que enunciei anteriormente. Neste jogo entramos na pele de um shinobi cujo objectivo prende-se em resgatar o seu senhor, um lorde do Japão Feudal. O jogo será passado neste ambiente feudal do final do século XV, onde as lutas e os conflitos eram algo “natural”.

Algo que fui logo avisado (e bem!) antes de iniciar a minha aventura era para me preparar para um jogo extremamente difícil, que se tivesse habituado a Dark Souls tentar esquecer-me dos seus comandos e para tentar desfrutar ao máximo daquela hora de jogo, palavras bastante sábias. E digo isto porque os meus primeiros 20m de jogo foi uma luta contra mim mesmo, já que os dedos moviam-se para usar os todos os comandos de Dark Souls enquanto os olhos olhavam para o ecrã e ao mesmo tempo para o papel onde me indicava os novos comandos deste jogo.

Passado esse tempo, lá consegui minimamente me abstrair e desfrutar desta obra de arte, acreditem não tem adjectivo mais correcto! Mas continuando a falar dos comandos, e esquecendo completamente as series anteriores da FromSoftware, em Sekiro o nosso personagem usa como arma principal a sua espada, é nela que vocês se devem centrar, até porque esta servirá para atacar e para salvar-vos dos ataques adversários. Vão ter de defender muito e bem, caso estejam sempre a carregar no botão de defender uma barra irá aparecer no ecrã como uma espécie de stamina, ao esgotarem a barra o personagem não conseguirá defender o próximo golpe. Além da espada teremos também algumas armas que podem ser usadas um número limitado de vezes, um machado que é uma espécie de ataque forte, este consegue destruir escudos, desferir golpes que dão mais dano mas demora bastante a ser feito, logo se estiverem a lutar contra um adversário bastante rápido devem pensar duas vezes ao usa-lo. Outra das armas de uso limitado são as Shuriken (estrelas ninjas), estas ajudam a dar dano, mas também a chamar adversários quando estão em grupo, desta maneira é fácil chama-los em número reduzido. Por ultimo podemos mandar uma espécie de chama de fogo contra os nossos adversários, e enquanto eles ficam a arder podem desferir vários golpes neles.

Tendo isto em mente, chegou a parte de falar do jogo, e aqui começamos um cima de uma árvore onde conseguimos ver uma mansão no topo de uma montanha mas com longo caminho e diversos muros para ultrapassar até lá chegar. Na altura de mover o analógico direito (é o que move a câmera do jogo) para baixo vejo que tenho um pequeno espaço com terra, mas que não existe caminho para onde queria ir, e é ai que teremos a primeira experiência com o gancho do nosso shinobi, podemos prende-lo a árvores, a muros, a telhados. É uma forma de se moverem bastante depressa pelo cenário, de conseguirem fugir também de inimigos quando estes estão em grande número e até de obterem uma visão privilegiada caso subam para um telhado e vejam o cenário que vos espera.

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Outra das componentes excelentes é a incrível sensação de movimento, sentimos sempre o nosso personagem bastante fluido, com a possibilidade de correrem, andarem, saltarem e até se agacharem. Como devem imaginar com todos estes movimentos e estando tudo super fluido fica fácil adoptarem diversas formas de abordarem o jogo, podem usar um modo mais stealth, ou “Rambo mode”, ou um misto entre os dois. A minha abordagem inicial foi mesmo o do Rambo Mode, até porque era uma maneira mais fácil de perceber o que podia esperar dos adversários. E se os inimigos mais fracos para quem está habituado a Dark Souls foram de uma abordagem bastante simples (provavelmente até mais simples que Dark Souls), quando passamos para os Bosses ou inimigos com uma barra de energia maior a coisa muda de figura.

E a explicação é simples, em Dark Souls estamos habituados a observar os movimentos dos inimigos, e a decorar o padrão da forma como atacam. Em Sekiro: Shadows Die Twice, também tentei usar essa estratégia, o que acontece é que os Bosses adoptam uma postura diferente, já que existe mais aleatoriedade nos seus golpes, se por vezes pensamos que ele irá fazer uma certa sequência de golpes e depois será a nossa vez de atacar, o que pode acontecer é que ele faça outra sequência logo de seguida sem termos a mínima hipótese de atacar. Dai ser bastante importante retirar os conceitos de Dark Souls da cabeça. O truque aqui está na nossa espada e nos nossos movimentos rápidos, isto é, tal como nós temos uma espécie de barra de stamina quando estamos a defender, também os adversários tem, e será quando eles esgotam essa barra que temos a oportunidade de desferir golpes eficazes.

Algo também de extrema importância é usarmos os fracos que recuperam a nossa vida, estes são em número limitado, mas bem usados fazem a diferença. Além disso existem também um elixir que faz durante algum tempo o nosso personagem ficar mais poderoso, aguenta defender durante mais tempo assim como os golpes dão mais dano, este elixir também é limitado na quantidade que podemos usar. Por ultimo existe também a oportunidade de reviver duas vezes, logo morrer por vezes até pode ser algo bastante interessante, já que quando apanhamos os nossos inimigos de costas, é possível a maioria das vezes desferir um único golpe mortal, e isso acontece quando aparece um ponto vermelho no seu corpo, nesse instante devemos atacar e o nosso shinobi dá-lhe o golpe mortal.

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Virando agora agulhas para a componente gráfica de Sekiro: Shadows Die Twice, este é um dos pontos onde não podemos ficar mais impressionados, longe das cores escuras e acinzentadas de Dark Souls e companhia, aqui temos cores mais relacionadas com o outono e inverno, com bastante branco da neve, o vermelho e castanho das folhas secas e terra do solo, mesmo as cores das vestes dos personagem tem bastante mais cor e brilho. E por isso ainda consegue deslumbrar mais os nossos olhos, além disso todos os cenários que tive oportunidade de ver estão incrivelmente detalhados, e ilustram incrivelmente o Japão Feudal.

Embora tenha estado a jogar apenas durante uma hora, a verdade é que deu para perceber que ali está um trabalho incrível, o jogo sai daqui a 22 dias (a 22 de Março), e até lá a espera será longa, mas a vontade de o jogar e conhecer ainda mais sobre este é enorme, teria provavelmente muito mais para vos contar, mas na realidade um texto não chega para expressar tudo aquilo que Sekiro: Shadows Die Twice nos consegue transmitir. Deixou-me super entusiasmando, agora é esperar até ao seu lançamento!