A CD Projekt RED concluiu a venda da plataforma de distribuição digital GOG, numa operação que marca uma mudança estrutural importante no ecossistema criado pelo estúdio polaco. A loja passa agora a pertencer integralmente a Michał Kiciński, um dos fundadores históricos tanto da CD Projekt como da própria GOG, num negócio avaliado em 90,7 milhões de zlótis (cerca de 25 milhões de dólares).

Com esta transação, a GOG torna-se uma empresa totalmente independente da CDPR, embora a ligação entre as duas marcas não desapareça. O acordo prevê que os grandes franchises do estúdio, como The Witcher e Cyberpunk 2077, continuem a ser distribuídos na plataforma, assegurando uma presença consistente dos jogos da CD Projekt no catálogo da loja.

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Apesar de assumir o controlo total da GOG, Kiciński mantém-se como uma figura relevante dentro da CD Projekt RED, continuando a ser o segundo maior acionista individual da empresa, com cerca de 10% das ações. A aquisição foi realizada através de financiamento externo, o que permite à GOG operar de forma autónoma sem impacto imediato na estrutura financeira da CDPR.

Em comunicado, a GOG procurou tranquilizar os utilizadores, garantindo que nada muda para quem já possui jogos na plataforma. O acesso às bibliotecas compradas permanece intacto, as políticas atuais mantêm-se e qualquer apoio financeiro direto continuará a ser canalizado exclusivamente para a loja. A empresa sublinhou ainda que atravessa um momento financeiramente positivo, referindo um ano “encorajador” e um crescimento visível no envolvimento da comunidade com a sua missão.

Essa missão passa, como sempre, pela preservação de videojogos e pela manutenção de títulos clássicos jogáveis em hardware moderno. Atualmente, o catálogo da GOG ultrapassa os 11 mil jogos, combinando clássicos restaurados com lançamentos contemporâneos, muitos deles independentes.

Nos últimos anos, a plataforma destacou-se também por uma postura firme em defesa da liberdade de escolha dos consumidores, apoiando projetos recusados por outras lojas digitais e promovendo iniciativas públicas em torno da preservação cultural dos videojogos. Exemplos disso incluem o apoio a lançamentos artísticos marginalizados e campanhas que reforçam a autonomia dos jogadores face a ecossistemas mais fechados.

Para o diretor-geral da GOG, Maciej Gołębiewski, a nova fase representa uma oportunidade de reforçar aquilo que distingue a plataforma num mercado cada vez mais competitivo e fragmentado: manter jogos vivos ao longo do tempo, longe de modelos excessivamente restritivos. Já Michał Kiciński reforçou a intenção de apostar em novos projetos com espírito retro, revelando estar pessoalmente envolvido em alguns desses jogos, com lançamentos previstos para 2026.

Com esta mudança, a GOG entra numa nova etapa da sua história, procurando consolidar a sua identidade como bastião da preservação e da independência no mundo da distribuição digital de videojogos.

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Nuno Mendes
Completamente obcecado por tudo o que tenha a ver com futebol, é daqueles indesejados que passa mais tempo a editar as tácticas do PES do que a jogar propriamente. Pensa que é artista, mas não conhece as cores primárias, e para piorar, é ligeiramente daltónico. Recusa-se a acreditar que o homem foi à Lua.