As grandes transformações táticas, não só a nível de opções, mas especialmente na jogabilidade, fizeram surgir várias dúvidas no famoso simulador de futebol da EA Sports. E ainda hoje, três meses depois do lançamento de FIFA 2019, muitos são os jogadores que se debatem para encontrar um plano de jogo que encaixe na sua forma de jogar.

Para começar, há que compreender o seguinte: não existem receitas milagrosas. Por muito bom que seja um modelo de jogo, não é ele que vai jogar por vós. Primeiro, é necessário entenderem o tipo de jogador que são; assim como onde são mais eficientes, e onde encontram maiores dificuldades.

Esse é o ponto de partida: a categoria na qual cada um se coloca. És um jogador paciente? Agressivo? Tens maior precisão no passe curto, ou no passe longo? Sentes-te confortável a defender com poucos, ou precisas integrar mais jogadores no processo defensivo?

Tudo questões essenciais para criares uma estratégia que aproveite os teus pontos fortes, esconda os fracos, e, sobretudo, consiga adaptar-se a vários tipos de adversários.

Estilos Ofensivos e Estilos Defensivos

Uma das novidades implementadas na edição deste ano pode ser encontrada nos Estilos Ofensivos e Estilos Defensivos. São opções táticas que influenciam o comportamento da IA sem bola, seja a atacar, seja a defender.

Ambos devem ser pensados como fazendo parte do mesmo modelo, porque olhando para o ponto de vista defensivo, a zona e a maneira como recuperamos a bola, em boa parte, irá definir o ataque que daí resulta. Nesse sentido, há ligações entre os dois estilos que, auxiliadas com outras instruções táticas, mostram-se verdadeiramente produtivas. E posso dar o exemplo do Estilo Defensivo de Pressão Constante, que combinado com o Estilo Ofensivo de Passe Longo, não só aumenta drasticamente a probabilidade de o adversário perder a bola em zonas promissoras, como também potencia o aproveitamento da desorganização da defesa adversária.

No entanto, devido às mais recentes actualizações, todos sabemos que é quase impossível jogar em Pressão Constante durante todo o jogo, o que nos limita a podermos usá-la apenas em certas alturas da partida. Ou seja, o ideal é criar uma estratégia flexível e situacional usando outra importante novidade que chegou com o FIFA 19. E estou a falar, claro, dos Planos de Jogo: quatro táticas secundárias que podemos deixar preparadas de início, e mudar conforme a situação.

 

 

Montar o plano

O que recomendamos para a criação da vossa tática principal é que dependam mais das Instruções individuais dadas aos jogadores, e deixem os Estilos Ofensivos e Defensivos para os Planos de Jogo alternativos, como resposta a momentos específicos da partida.

Para a Tática Principal, e para os Planos de Jogo Defensivo e Atacante, escolham o Estilo Equilibrado, e pensem em duas ou três Formações da mesma família com pequenas diferenças entre si, já que aqui, o objectivo passa por mudar dinâmicas e formas de controlo dentro do próprio modelo de jogo.

Três sugestões:

Principal: 4-3-3; Defensiva: 4-2-3-1; Atacante: 4-3-2-1

Principal: 4-4-2; Defensiva: 4-4-1-1; Atacante: 4-2-2-2

Principal: 3-4-3; Defensiva: 3-4-1-2; Atacante: 3-4-2-1

Porquê o Estilo Equilibrado? Porque é um Estilo neutro, onde os jogadores se vão movimentar de acordo com as Instruções individuais que foram escolhidas, e tornando a tática mais versátil, uma vez que especialmente do ponto de vista ofensivo, podemos definir que jogadores nas mesmas posições tenham movimentações diferentes.

Imaginem uma tática com três médios-centro:

Através das Instruções de Apoio Atacante, pode ser delineado que, em posse, um deles ofereça uma linha de passe recuada (Ficar Atrás Durante Ataque); outro avance para receber no espaço à frente da linha da bola (Subir para o Ataque); e outro funcione como box-to-box, oferecendo um apoio conforme aquilo que o jogo pede, e procurando zonas onde consiga ter tempo para receber e executar (Ataque Equilibrado).

É um erro comum relacionarmos os maus resultados somente com a Formação seleccionada, quando na realidade a razão é muito mais complexa. O segredo está na dinâmica que criamos para os nossos jogadores através das Instruções individuais. Uma Formação é apenas o esqueleto de uma equipa, mas o verdadeiro desequilíbrio vem da movimentação que os jogadores farão em determinadas regiões do campo.

É uma forma particularmente útil de estabelecer pequenas sociedades dentro dos corredores, sendo que o exemplo acima é uma óptima solução para um meio-campo a três, contudo, não a única. As possibilidades são imensas, e falaremos sobre este assunto com um maior detalhe no próximo artigo.

 

 

Estratégias de jogo

Voltando agora aos Planos de Jogo alternativos, olhem para a Tática Principal, para a Defensiva e para a Atacante, como fazendo parte de um mesmo plano; mantendo a estrutura fundamental e alterando apenas algumas movimentações e dinâmicas. O nosso conselho é que usem a Defensiva no sentido de controlar o jogo, seja para gerir uma vantagem, ou para tentar ditar o ritmo do jogo; e a Atacante na perspectiva de alterar dinâmicas no ataque.

Por exemplo: se os vossos alas estão a deixar-se antecipar constantemente, e não estão sequer a conseguir tocar na bola, basta deslocá-los mais para o centro, colá-los às alas, ou mesmo instruí-los para jogar em apoio, e o vosso ataque transformar-se-á oferecendo outras hipóteses; além de que também há uma forte probabilidade de, nos momentos seguintes, poderem surpreender um adversário que se sentia confortável até então. Acima de tudo, leiam o jogo e entendam o porquê de estarem a ter dificuldades para progredir no terreno.

Ultra Atacante e Ultra Defensiva

Quando tudo o resto falha, e quando o tempo já é curto, não temos grande escolha senão assumir riscos. É aqui que entra o Plano de Jogo Ultra Atacante, que tem o objectivo de, além de forçar o adversário a cometer erros, criar as condições necessárias para aproveitar esses mesmos erros.

Dito isto, um 4-2-4 ou uma qualquer vertente de um 3-4-3, acompanhados de Pressão Constante e Passe Longo são escolhas obrigatórias. Contudo, sem esquecer que a Largura, tanto Ofensiva, como Defensiva, devem estar a um nível médio/alto; a Profundidade também deve ser ousada, para uma linha defensiva perto do meio-campo; e os Jogadores na Área precisam ser igualmente em bom número.

Aplica-se, claro, quando precisamos desesperadamente de virar um resultado, mas não só, porque pode também ser utilizada nos momentos iniciais da partida, de modo a ter uma entrada forte no jogo, e intimidar o adversário, tentando um golo madrugador que nos permita gerir a partir daí.

 

 

Mas depois acontece o inverso, porque quando temos de conservar aquela vantagem mínima com todas as nossas forças, e o oponente está a cair em cima de nós com tudo o que tem, só nos resta defender. E para o Plano de Jogo Ultra Defensivo, como é óbvio, ter muita gente cá atrás, mas proteger as zonas mais importantes, nomeadamente o corredor central.

Neste caso, o 5-4-1 e o 4-5-1 costumam resultar bem com o Estilo Defensivo de Ficar Atrás; a Largura deve ser média/baixa, assim como a Profundidade. Tudo depende de como se sentem confortáveis a defender. Já o slider de Jogadores na Área deve estar sensivelmente na metade, e o Estilo Ofensivo como Posse de Bola ou Equilibrado. O que interessa por esta altura, é conseguir respirar e evitar que o adversário recupere a bola imediatamente.

Em suma, é aproveitar os recursos de planeamento do jogo e o comportamento da IA, para controlarmos o maior número de circunstâncias possíveis. A confiança que é fundamental para encarar o desafio, começa muito pela forma como nos sentimos preparados.

No próximo artigo iremos explorar mais a fundo as Instruções individuais de cada jogador, e qual a influência nas suas movimentações em campo.

Fiquem atentos!

Author Nuno Mendes
Published
Views 254