Muito se tem falado sobre a nova mecânica de defesa no FIFA 20. Se há jogadores que apreciam o maior controlo que têm sobre os defesas, também há quem sinta sérias dificuldades para se adaptar à nova forma de defender.

Não é verdade quando se diz que defender no FIFA 20 é 100% manual. Diria mais que 70% depende de nós e os restantes 30% correspondem ao comportamento da linha defensiva que é comandada pela Inteligência Artificial. Este pormenor faz toda a diferença, porque o segredo para defender neste FIFA é entender o jogo do ponto de vista tático, sendo que o primeiro passo é aprendermos como nos coordenarmos com a linha defensiva.

Um dos grandes erros dos jogadores é desposicionarem os elementos da linha defensiva, simplesmente porque há a tendência imediata de controlar quem estiver mais próximo do portador da bola. A consequência é abrir buracos e deixar a linha defensiva exposta a tabelas e a ataques à profundidade. O princípio de uma linha – passe a redundância – é estar alinhada, e a IA fá-lo muito bem. Interferir com isso tem de se justificar. Apenas devemos interceder para fazer pequenas correcções posicionais, ao mesmo tempo que vamos olhando em volta de maneira a verificar se os jogadores estão onde devem estar.

Há uma coisa que tem de ser compreendida – nem sempre o propósito de defender é roubar a bola ao adversário. Depende muito da circunstância. Como a própria palavra indica, defender, primeiro que tudo, é sabermos como nos proteger.

Defender é uma questão de analisar prioridades. Qual é o pior que pode acontecer nesta situação? O que tenho de evitar primeiro do que tudo? Resolvendo o primeiro problema, outro se sucede, e repetimos o processo: analisar; antecipar; posicionar.

Muitas vezes nem é necessário carregar no Botão de Desarme. Basta ler bem a jogada, não entrar em pânico, fechar os espaços certos e eventualmente o oponente vai errar e oferecer a bola. O objectivo é atrasar o ataque adversário para que os nossos jogadores tenham tempo para recuar e de se reorganizar.

Nesse sentido, e sabendo que os cruzamentos este ano são quase inofensivos, um princípio fundamental será de condicionar o adversário a criar por fora. Cortando as linhas de passe interiores e dando o espaço exterior para que o portador da bola aceite a sugestão dos corredores laterais. Eventualmente, sentir-se-á encurralado e sem opções, sendo mais fácil depois recuperar a posse em segurança.

Mas vamos aos exemplos práticos:

 

O vídeo acima é um bom exemplo. O adversário ganha a bola e está enquadrado, sem oposição e em zona promissora.

Primeiro passo: Verificar se existe o perigo de algum avançado ganhar as costas da defesa, controlando com um dos elementos da linha defensiva.

Segundo passo: Cortar as linhas de passe para as referências interiores.

Terceiro passo: Ir controlando o espaço interior e oferecer um caminho para que o adversário transporte a bola para longe do corredor central.

Quarto passo: Com o portador da bola em inferioridade numérica e isolado dos colegas, arriscar o desarme.

 

Neste caso a equipa já está relativamente organizada para defender, no entanto, há uma pequena ameaça.

Primeiro passo: A linha defensiva está bem alinhada e não há ataques à profundidade.

Segundo passo: Existe uma linha de passe interior que é imperativa de ser cortada. Essa deverá ser a prioridade e será isso que o Zaha (número 8) fará imediatamente, ao mesmo tempo que preenche parcialmente o espaço entre lateral e central.

Terceiro passo: Ir controlando quaisquer entradas que possam surgir em zonas interiores e oferecendo sempre o lado de fora.

Quarto passo: Com o adversário limitado nas opções e no espaço, arriscar então o desarme.

 

Esta já é uma situação mais sensível, uma vez que temos apenas dois jogadores atrás da linha da bola.

Primeiro passo: No caso de haver uma desmarcação, controlar a profundidade dando sempre o lado exterior e ir encurtando o espaço aos poucos, porém, com uma distância suficiente para podermos sempre reagir com tempo a alguma mudança de velocidade por parte dos avançados.

Segundo passo: O espaço central está controlado, dado que o portador da bola está a conduzir para fora e dificilmente conseguirá fazer um passe com qualidade para o companheiro à sua esquerda.

Terceiro passo: Com o passe para a ala, há a possibilidade de uma tabela. Prioridade: controlar a profundidade com o defesa e acompanhar a corrida do atacante. Note-se que o lateral continua a acompanhar o ala, aproximando-se e diminuindo a distância para o adversário.

Quarto passo: Eliminada a hipótese de desmarcar o colega, o portador da bola está sem opções e com pouco espaço de manobra.

 

O adversário tem algumas opções que se libertam em zonas interiores.

Primeiro passo: Não existe uma ameaça imediata à profundidade, há uma linha de três jogadores que recua adequadamente.

Segundo passo: Existem dois jogadores no espaço central com boas condições para que possam receber enquadrados. Tentar ao máximo cortar a linha de passe para o colega mais avançado.

Terceiro passo: Eliminada essa hipótese começar de dentro para fora a cortar as linhas de passe dos jogadores mais próximos do portador da bola.

Quarto passo: Com  cada vez menos espaço e tempo para executar, o erro acontece.

 

Estes são alguns dos comportamentos táticos fundamentais que vos vamos trazer para que se sintam mais confortáveis a defender e a controlar o jogo sem bola. Mais estão aí a chegar, portanto, fiquem atentos.

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