Developer: The Coalition
Plataforma: Xbox One e PC
Data de Lançamento: 10 de Setembro de 2019

A espera foi longa, mas eis que três anos volvidos e finalmente foi lançado mais um dos principais nomes no que a exclusivos da Microsoft diz respeito. Gears 5 está aí, numa espécie de rebranding da série e com algumas decisões bastante ousadas, sobretudo se tivermos em conta que em treze anos pouco havia mudado no seu fundamental.

The Coalition estreou-se com Gears of War 4, dividindo opiniões na altura, porém, usou a experiência para aprender como encarar o desenvolvimento de Gears 5. O resultado? A melhor jogabilidade da série, com aquela que é, provavelmente, a mais envolvente de todas as campanhas.

Houve uma clara intenção de levar o franchise para outro plano, porém, com a preocupação de conservar tudo o que é mais essencial e diferenciador em Gears of War. E não só isso foi conseguido, como foram também introduzidas mecânicas que passarão a ser obrigatórias nos próximos títulos.

Relativamente à história, é a continuação directa do jogo anterior, mas agora com Kait como protagonista, que tem pela frente revelações surpreendentes sobre o seu passado.

Começa com uma breve retrospectiva dos acontecimentos de Gears of War 4, onde é possível ver o trágico episódio que está na origem das motivações de Kait. É possível perceber imediatamente que ninguém ficou convencido de que tudo tivesse acabado ali, tanto que o primeiro acto apressa-se a mostrar que tudo o que se passou, foi apenas o começo.

Além de outros personagens marcantes como Marcus, Baird e JD, também Jack, o irresistível COG Bot, está de regresso. Podemos mesmo dizer que tem o papel mais importante a seguir a Kait, uma vez que será por meio dele que teremos acesso às skills. Sim, Gears 5 tem habilidades e é uma adição que oferece todo um novo sentido estratégico ao jogo. Ao já habitual sistema de cover-and-fire é acrescentado um conjunto de opções de maneira a escolhermos a forma ideal de abordarmos o combate. Desde armadilhas, protecção, ou mesmo invisibilidade, Jack proporciona um suporte indispensável para que possamos responder a qualquer situação com mestria. Sendo que agora é até possível optar por uma postura mais stealth, eliminando inimigos sem que estes se apercebam da nossa presença.

Abreviando, a jogabilidade está absolutamente espetacular, com bastante acção, gore e muitas coisas novas. A troca de um mapa completamente linear por um de mundo semi-aberto é uma das novidades mais significativas, que chega com missões secundárias e soma alguma longevidade à campanha. Aconselho mesmo a explorarem todos os locais assinalados, visto que é onde podem encontrar boa parte dos upgrades para o Jack. E acreditem, na fase mais avançada do jogo vão precisar.

A curiosidade era alta quanto ao novo veículo. Chama-se Skiff e é um ski que usa a força do vento para se deslocar. Será o principal meio de transporte e a sua condução está fantástica, respondendo exemplarmente aos controlos. É um autêntico prazer passear com o Skiff, seja a derrapar na neve, ou no deserto.

Graficamente é uma das maiores conquistas desta geração e basta ver a quantidade de elogios feitos pela Digital Foundry. Qualquer cenário é único e nunca ficamos com a sensação de por ali já termos passado. Não importa se percorremos as vastas montanhas vestidas de um branco que se perde até no olhar; ou das dunas que mais parecem um mar de encarnado; tudo está maravilhosamente desenhado.

O contraste de sombra e luz, em particular nos locais que necessitam ser iluminados por Jack, são um assombro e promovem a atmosfera de suspense que será copiosamente frequente em Gears 5. E neste aspecto, muito ajuda a excelente banda sonora que foi astutamente criada.

O Co-op, à imagem dos títulos anteriores, é talvez a melhor maneira de desfrutar de um título especialmente focado na cooperação. Serão proporcionados grandes momentos entre amigos, cuja coordenação será vital para a sobrevivência num jogo que está muito bem conseguido nesta vertente.

No que se refere ao restante multiplayer, não faltam opções. Temos o tradicional Versus e o modo Horde, aos quais se junta o inédito Escape – semelhante ao Horde, mas com a diferença de sermos largados num ninho inimigo e termos de escapar a uma bomba que está em contagem decrescente para libertar uma substância venenosa. Um modo cooperativo, frenético e realmente divertido.

Foram demasiados os relatos de problemas relacionados com a conectividade da Live e nomeadamente com os saves e checkpoints, levando diversos jogadores a perder algum progresso no jogo. No entanto, embora o compreensível transtorno, será algo facilmente corrigido e tratado nos próximos dias.

Se esquecermos esse pormenor, temos de nos render perante um dos melhores exclusivos da Microsoft dos últimos anos.

Sem grandes rodeios, é só um dos principais candidatos a GOTY.

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