A bola já rola por estes lados! Fomos experimentar o FIFA 17 a Madrid, mais precisamente ao Santiago Barnabéu, o mítico estádio do Real Madrid. Foi aqui que a equipa da EA Sports nos mostrou em primeira mão as novidades desta época que se começa a compor.

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Uma das principais razões pelo qual a apresentação aconteceu em Madrid e neste estádio tem a ver com uma das maiores revelações feitas pela equipa do jogo, a La Liga, o campeonato espanhol estará em exclusivo em FIFA 17, e quem o confirmou foi o próprio Fernando Morientes, o goleador do Real Madrid, capa do FIFA em 99 e 2005 e embaixador da Liga Espanhola.

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Como já perceberam foi com pompa e circunstância que a nova época de FIFA nos foi apresentada, mas foi também com muito entusiasmo por parte de Aaron McHardy, FIFA Gameplay Lead Producer e Nick Channon, FIFA Producer, até porque o primeiro trailer a que tivemos acesso, conta com a voz de José Mourinho mas também a confirmação de que FIFA 17 vai utilizar o motor de jogo Frostbite.

Para quem não conhece, o Frostbite é o motor de jogos como o Battlefield ou o Mass Effect. E podemos dizer que o FIFA 17 deu um salto gigante em termos gráficos, o realismo e detalhe a que chega espantou-nos. Para dar um exemplo, pausámos o jogo e fizemos replay para ver os detalhes dos jogadores e pudemos ver o reflexo do campo nos olhos de Juan Mata, exacto…também ficámos pasmados. Todos os pormenores levaram um boost, as marcas no relvado, os espectadores, os treinadores que no caso da Barclays Premier League vão estar devidamente representados, e os efeitos de luz estão incríveis.

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E se é um facto que a cada ano existe uma tentativa de aproximação à realidade e um salto qualitativo nos gráficos apresentados, isso também é representado este ano pelo um novo modo que chega a FIFA 17, chama-se The Journey.

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Neste modo vamos acompanhar o trajecto de um jovem jogador de futebol chamado Alex Hunter, um rapaz de uma família modesta cujo sonho é chegar a um grande clube da Premier League e claro tornar-se o melhor do mundo. Poderíamos pensar, numa primeira instância que isto seria uma espécie de Be a Pro, só que não é, está muito mais próximo de um modo carreira do UFC ou de NBA2k16, isto é, vão ter várias cutscenes em casa, no vosso quarto, nos balneários, em flash interviews, momentos esses onde terão que escolher o vosso caminho, aquilo que pensam, que dizem, que querem, traçando o vosso próprio destino. Já no campo, terão objectivos que vão ter de cumprir se querem chegar ao topo.

Nota-se neste campo que a EA Sports tentou fazer de tudo para que o nível de detalhe roçasse o real, a narrativa construída teve a ajuda da malta da DICE, para que a história ganhasse dimensão, tanto emocional como interesse, mas também a ajuda de vários jogadores, como por exemplo, Harry Kane, ou os próprios embaixadores do jogo, neste caso , James Rodríguez, Marcus Reus, Anthony Martial e Eden Hazard, para de alguma forma darem conta daquilo que sentiram em vários momentos da sua carreira e como esse aspecto mais mental e emocional, como referia, pode influenciar a sua forma de jogar, mas também a sua própria carreira. Mas não foram apenas jogadores que deram o seu input, também jornalistas, como é o caso de Tom Watt que já escreveu livros sobre o Arsenal ou mesmo o livro Passion For The Game : Real Lives In Football, onde entrevistou mais de 100 pessoas que trabalharam em vários clubes da Liga Inglesa, tudo isto para dar o outro lado, o lado de quem tem que fazer perguntas, de quem analisa o jogo de fora.

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The Journey foi um dos grades focos por parte desta Producer Tour de apresentação de FIFA 17, e por isso tivemos acesso a mais algumas cutscenes do jogo, uma delas, onde a nossa personagem central, Alex Hunter está no seu quarto e vê que Harry Kane assinou pelo clube onde joga e isso vai fazer com que possa perder o seu lugar no clube, isto porque foi emprestado e com esta notícia dificilmente poderá voltar para conquistar um lugar. Nesse momento Alex Hunter terá que escolher a forma como vai abordar a situação, e temos a opção de escolha, aliás somos nós que fazemos essa escolha, no vídeo, Alex Hunter escolhe mostrar aquilo que é capaz de fazer, marcando o maior número de golos pelo clube ao qual foi emprestado, para mostrar o erro que fizeram em emprestá-lo.

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Já fora da conferência de imprensa tivemos a oportunidade de experimentar este modo, desta vez numa situação diferente, com Alex Hunter nos balneários do seu clube ao lado do seu “suposto” grande amigo Gareth Walker que vai jogar de início e Hunter ficará no banco. É aqui que nos é dada a oportunidade de dizer algo a Walker antes do início do jogo, nós, como gente simpática que somos dissémos “marca um golo por mim!”, a resposta de Walker foi nos deixar pendurados, sem resposta e sem um cumprimento. Sentimos de imediato a tensão, e apeteceu-nos logo mostrar que Hunter é melhor jogador. O jogo começa com Hunter no banco de suplentes e com Walker a marcar o primeiro golo pelo Manchester United no derby contra o Liverpool.

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No entanto os Red Devils sofrem um golo, e o nosso treinador Louis Van Gaal, sim ainda Mourinho não estava confirmado…, decide colocar-nos em campo. Aqui acontece o segundo momento em que temos a opção de dizer qualquer coisa ao treinador adjunto. Optámos pelo “manda-me lá para dentro!” e assim entramos em acção. É nos apresentado um conjunto de objectivos que devemos tentar alcançar para ganhar crédito perante o nosso treinador, entre os quais fazer 10 passes correctos, criar uma oportunidade de golo e marcar um golo. Marcámos 3, cumprimos os objectivos e ganhámos. A demonstração termina pouco depois, mas ficámos com a clara ideia daquilo que a EA Sports está a tentar fazer. Depois dos replays “televisivos”, a junção das notícias e dados do goal.com, das actualizações constantes dos planteis, agora é a vez de nos dar o outro lado do futebol, aquilo que um jogador sente e vive, a cada momento nesta profissão.

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Mas não fomos a Madrid apenas para ver este novo modo ou para ver a 11ª Champions League do Real Madrid, FIFA 17 teria muito mais para nos mostrar e tem a ver fundamentalmente com a jogabilidade. Sabemos que no fundo este é o aspecto mais importante para todos os gamers e podemos dizer que teremos muitas novidades, tal como nos revelou Aaron Mchardy na entrevista que podem ler aqui.

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No entanto depois da apresentação, tal como aconteceu com The Journey, tivemos também oportunidade de experimentar o jogo em si, e confirmar todas as dicas e informações que Aarom McHardy nos tinha dado. Começámos a jogar na PS4, e notámos logo o salto gráfico que o jogo levou. Na escolha de equipas quando aparece o jogador a envergar a sua camisola, para no fundo escolhermos se usamos o principal ou alternativo, vemos que os jogadores estão ultra detalhados, mas que têm dimensão, não são aproximações, parecem mesmo reais.

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Isso acontece com o decorrer do próprio jogo e em todos os sentidos. Graficamente como dizíamos, a relva fica marcada com a nossa passagem, os jogadores ficam com os cotovelos sujos, não é apenas a camisola, o próprio corpo dos jogadores fica suja com os carrinhos que fazem ou com os tackles que sofrem. As tatuagens de jogadores como o Firmino, com o mexer respondem ao esticar e destender da pele, os jogadores já não têm olhos de robots, movimentam-se perante a posição dos adversários e dos seus companheiros e perante o decorrer dos eventos. Outra coisa que notámos é que os jogadores já não flutuam na relva, onde se viam os pitons das botas, agora a relva tem dimensão, os jogadores cravam os pitons na relva, parecendo um relvado à séria.

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Na jogabilidade a forma como os outros jogadores que não controlamos, movem-se de forma autêntica, sentimos que também eles estão a “pensar” e a analisar aquilo que procuramos fazer com o nosso jogador. A fisicalidade é talvez a mais real dos últimos 4 anos, diria eu. Os jogadores não caem para o chão como se fossem um tronco, têm uma reacção muito mais normal. E digo normal no sentido de não atravessam os outros jogadores, nota-se que agora existe massa física e adaptação a ela, nos agarrões, na tentativa de ganhar a posição ou de a defender. Até mesmo nas disputas aéreas, foram marcadas faltas por um jogador se apoiar nos ombros do adversário. Esta fisicalidade, é activada através do gatilho esquerdo do nosso comando e pode ser activado em qualquer altura do jogo. Seja quando a bola vem para nós de um colega e activamos para proteger a recepção, seja numa bola aérea, seja num drible, ou para ganhar a posição quando estamos a defender.

Todo o jogo está mais fluído, mais rápido, e muito mais bonito. Temos que dizer que o jogo está muito melhor na Xbox One do que na PS4, temos que o dizer a bono da verdade, sendo que pode ser apenas por ser uma demonstração. No entanto aquilo que podemos afirmar é que é o melhor FIFA que alguma vez vimos e jogámos, um salto de gigante a nível gráfico, mas também o FIFA que na jogabilidade maior salto deu. E podendo parecer um ponto pouco importante a forma como os jogadores deixam de ser apenas “esqueletos” gráficos para ganhar massa física, muda por completo a maneira de jogar e a forma de toda a Inteligência Artificial se mover.

Para fecharmos esta reportagem, dizer que The Journey poderá ser um excelente upgrade ao modo Be a Pro, e poderá até revolucionar o género, apenas nos cria algumas dúvidas se Alex Hunter for a única opção para jogarmos este novo modo. Estamos muito empolgados com aquilo que vimos, resta agora saber o que nos reserva o futuro e todas as outras novidades que ainda não foram reveladas.