Com os serviços de subscrição a serem cada vez mais relevantes para o entretenimento e a mostrarem ser o futuro do consumo, tanto da televisão, como dos videojogos, era expectável que a Sony começasse a apostar cada vez mais num serviço que possui há alguns anos. O PS Now foi lançado numa altura em que ainda nem se pensava no Stadia e no Xcloud, sendo um serviço verdadeiramente revolucionário para a época.

Nesse sentido, tem sido evidente o investimento gradual por parte da Sony no PlayStation Now, que embora não esteja no topo das preferências dos clientes da PlayStation, se olharmos aos desenvolvimentos do último ano, mostra ainda assim ser uma aposta para o futuro, que se adivinha cada vez mais próximo.

Um bom exemplo é a proposta de mais de 700 jogos que compõem o alinhamento, onde além da possibilidade de jogarem por stream, os jogadores da PlayStation podem igualmente efectuar a transferência de vários jogos e jogar como qualquer outra pessoa que tenha adquirido o jogo.

Também é possível aceder ao serviço através do PC, mas neste caso, somente por stream (sem a opção de instalação dos jogos) o que tem vantagens e desvantagens. E é exactamente da perspectiva de alguém que usa o PlayStation Now apenas e só no PC, que será feita a análise do serviço, para que quem esteja interessado em jogar nestas circunstâncias saiba como é a experiência e se vale realmente a pena pagar o preço da subscrição.

Começando pela parte técnica, e mais precisamente pelas dúvidas quanto ao delay, tenho de dizer que, caso estejam a jogar com cabo de rede, não irão notar praticamente qualquer diferença e nem se vão lembrar que o jogo está a decorrer a partir de um stream. Isto se estivermos a falar em jogos singleplayer, porque em multiplayer, especialmente quando são exigidas reacções e respostas rápidas, fica muito difícil ter uma boa experiência devido ao lag que se faz sentir.

Outra limitação que temos jogando no PC depara-se com o comando. Há vários comandos compatíveis com o PS Now, contudo, o problema é quando o jogo em questão necessita de uma função relacionada com o touchpad do Dualshock 4, ou pior ainda, quando é requisitado o sensor de movimentos (o que acontece em vários exclusivos da PS4). Em certos jogos é mesmo impossível avançar quando algumas dessas acções são necessárias, o que é realmente frustrante para quem não possui o comando da PlayStation 4.

Sim, podemos optar por softwares de emulação, como o reWASD, por exemplo, que transformam qualquer controlador num Dualshock 4, todavia, a sua configuração é tão trabalhosa e pouco intuitiva, que rapidamente perdemos a vontade; além de nunca conseguir replicar na perfeição funções como agitar o comando, ou um simples swipe no touchpad.

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Por outro lado, uma das vantagens de jogarmos por stream é não necessitarmos de uma grande máquina para esse efeito. Todos os jogos correm sem problemas em máquinas minimamente capazes, e na verdade, quem não precise, até deve desactivar a opção de Aceleração de Hardware nas Definições de Gráficos, já que são conhecidos vários problemas associados. Não sentirão qualquer diferença em termos de performance e evitarão vários aborrecimentos, principalmente se tiverem dois monitores ligados ao mesmo computador.

Quanto à Interface do utilizador, está suficientemente organizada para que possamos navegar com razoável facilidade. Os jogos estão expostos em painéis na horizontal que se dividem por grupos, para tornar a procura mais simples. Falta uma ferramenta de pesquisa, mas tem uma opção de favoritos que dá imenso jeito. Não é deslumbrante, mas é funcional e cumpre aquilo a que se propõe.

A pergunta que se faz é: E compensa? Sim, compensa. São mais de 700 títulos da PS2, PS3 e PS4, e é ideal para quem procura assinar por alguns meses e terminar vários dos excelentes jogos existentes no catálogo. Porém, é questionável se se justifica ter uma subscrição activa indeterminadamente, porque os jogos que vão sendo periodicamente adicionados ficam a meio caminho do potencial de oferta que a Sony consegue proporcionar.

Olhando para a grande bandeira da PlayStation – os seus exclusivos – não podemos deixar de sentir que a lista podia ser mais ambiciosa naquilo que a jogos mais recentes diz respeito. Há títulos fantásticos, como o The Last of Us, Bloodborne, Beyond Two Souls, Heavy Rain, ou o Killzone: Shadow Fall, no entanto, são jogos que foram lançados há pelo menos sete anos, e que apesar de estarem ainda bastante actuais, não causam o impacto necessário quando entram no catálogo.

Falta que um Horizon Zero Dawn, um God of War, um Days Gone, ou um Detroit Become Human façam permanentemente parte das ofertas. Ainda assim, por 59.99€ ao ano (actualmente com uma promoção de 25% da subscrição de 12 meses, por 44.99€), considerando a quantidade e qualidade das ofertas, temos de reconhecer que é um óptimo negócio, até porque a nível de jogos multiplataforma a qualidade tem vindo a crescer, bastando olhar para os nomes adicionados ultimamente (Greedfall, Hitman 2, Dead Cells, AO Tennis 2, WRC 8, Street Fighter V, e muitos mais).

É uma sensação extraordinária podermos simplesmente escolher um jogo e começar a jogar, sem qualquer necessidade de instalação. É quase como um vislumbre do que nos espera no horizonte dos videojogos e será certamente um dos principais investimentos a curto/médio prazo da consola da Sony. Com esta impressionante lista de jogos, não faltará entretenimento para quem decidir assinar a subscrição.