Foi com alguma surpresa que vimos nascer a PS4 Pro, numa altura em que a PS4 ganha uma irmã mais nova, mais magrinha e compacta, não estávamos à espera de ver nascer uma nova geração.

Mas devemos começar por dizer, em bem da verdade, que para nós isto da PS4 Pro não representa uma nova geração, mas sim um upgrade da vida da PS4. E dizemos isto porque na verdade, e já vão ver as especificações técnicas, a carcaça da PS4 duplica de tamanho, peso, mas também a nível de GPU e capacidade de processamento.

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No entanto a grande questão prende-se com o facto de para usufruir do poder desta nova consola, vão ter de dispender algum dinheiro naquele que é um investimento numa televisão 4K e se o vosso bolso permitir, uma televisão com HDR10, que é bem diferente de uma televisão que tenha um modo HDR, pois apenas simula esse processamento da imagem.

Sendo assim, a pergunta impõe-se: Vale a pena comprar uma PS4 Pro sem ter uma televisão 4K? – a resposta mais honesta a isto é: Não.

Não, no sentido em que só vão ver a capacidade gráfica a ser melhorada em circunstâncias específicas, em jogos que tenham um modo enhanced como Call of Duty Advanced Warfare, onde as cores serão mais brilhantes, por exemplo, mas a capacidade e velocidade de processamento da consola, por exemplo, não são substanciais. É verdade que quando surgirem os jogos criados de raiz, ou pelo menos com a atenção à capacidade da PS4 Pro, as coisas poderão e irão ser diferentes, mas nesta altura ainda não existe catálogo que nos faça pensar de uma outra maneira.

A PS4Pro tem mais 1GB de DRAM, no seu segundo GPU, embora pelo peso que apresenta não necessita assim de tanta energia para o alimentar. A nível de tamanho estamos a falar de cerca de 29,5 cm de largura e 5,5 cm de altura e 32,7 cm de comprimento. O peso esse é cerca de 30% mais pesada.

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A nível de inputs e outputs, temos as duas tradicionais portas USB à frente e uma atrás, fundamental para quem tiver o PlayStation VR, e assim poderem colocar a ligação aos periféricos ou a a algum headset controlado por bluetooth, como é o nosso caso. Mas para aqueles que tem a possibilidade de ter um Headset Dolby Digital, não se preocupem continuam a ter porta para cabo óptico.

A nível de wifi também uma melhoria, visto que já suporta o 802.11ac que acontece também com a versão Slim, e o disco rígido é já um SATA III de 1TB, o que significa uma melhoria na sua velocidade, infelizmente a troca deste tornou-se um pouco mais complicada do que anteriormente.

Antes de passarmos à componente gráfica dizer que esteticamente, a consola tem as arestas limadas em relação à sua predecessora, o grafismo tão reconhecível das teclas dos comandos cravada na parte inferior da mesma e ainda um grande símbolo da PlayStation, a prateado na parte superior, sendo que os botões de Power e Eject é que ficaram minúsculos e não tão acessíveis como poderiam ser.

Quando se liga a consola tudo é bastante idêntico fora o facto do suporte para 2160p no menu de saída de vídeo, para além do ecrã informativo que analisa o nosso ecrã e avisa se o HDR e os conteúdos DRM são suportados. Já sabemos é claro que não suporta a reprodução 4K de blu-ray.

Processador: Chip único personalizado

CPU: x86-64 AMD “Jaguar” de oito núcleos

GPU: Motor gráfico da AMD Radeon com 4.20 TFLOPS

Memória gráfica: 1 GB de VRAM

Memória: 8 GB GDDR5

Capacidade de disco rígido: 1 TB

Dimensões: 295×55×327 mm (comprimento × altura × comprimento)

Peso: 3.3 kg

Leitor: Blu-Ray, DVD

Como já tinha referido no artigo da GQ deste mês, a Sony apostou em chegar primeiro com uma nova consola com o dobro da potência, para de alguma forma também dar o impulso à indústria, e provavelmente à venda das TV’s 4K. Com isso acaba por conseguir duas coisas ao mesmo tempo, para além do que referi antes, a PS4 Pro dá uma maior capacidade ao PlayStation VR apesar da resolução ser sempre a mesma, existe uma mudança na definição e a qualidade do grafismo. Dois dos exemplos são Robinson: The Journey, e Driveclub VR com uma experiência mais suave, mais clean, estável e agradável para os olhos. No entanto quando jogos como GT Sport ou Horizon: Zero Down se apresentarem ao público poderemos claramente confirmar esse upgrade visual.

Embora nesta altura a maioria dos jogos ainda não suporta a resolução 4K (3840 X 2160), as melhorias gráficas dos mesmos jogos a correr a 1080p na PS4 e a 4K na PS4 Pro são notórias, a tal suavidade que falávamos, a nitidez, a profundidade por exemplo é mais presente, e porque essa nitidez se aplica aos “panos de fundo”. Por exemplo em FIFA 17, e apesar de na entrevista que fizemos a Yeray Romera, Head of Product Manager da EA Iberia, ele nos tenha dito que não haveria nenhum patch para a adaptação à PS4 Pro, a verdade é que se reparem no público, este está muito mais nítido, mais perceptível, mesmo quando estão em segundo plano.

Nesta altura existem apenas algumas opções e depende de jogo para jogo, Rise of the Tomb Raider, por exemplo, permite jogar com uma resolução de 4K a 30FPS, uma resolução de 1080p a 60FPS, ou uma resolução de 1080p a 30FPS e melhorias gráficas. Shadow of Mordor, apenas permite escolher entre a resolução ou a melhoria gráfica, sem incluírem opção para melhorar a framerate. Infamous: Second Son é exactamente o contrário, permitindo aumentar a fluidez de jogo para os 60FPS, mas sem incluir opção para melhoramento gráfico.

A minha maior questão é aqui é perceber até que ponto a liberdade concedida pela Sony às editoras, ou a não obrigatoriedade que deveria ter sido aplicada, será um problema ou não para a PS4 Pro e os seus jogadores. Como perceberam desde as variações das formas como os jogos melhoram a qualidade gráfica ou o framerate não é unânime, assim como, as editoras e os jogos vão disponibilizar esse patch. Para já estamos a assistir isso de forma gratuita, mas será sempre assim?! O tempo o dirá como tudo na vida, mas acho que é um risco desnecessário que a Sony corre com a pressa de colocar uma nova consola no mercado.

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E isso pode ser notório noutra questão, sendo que neste até acho que foi a mais acertada. A PS4 Pro transforma-se numa PS4 normal, utilizando apenas um dos dois chips, quando estamos a jogar um jogo “normal”, isto é um jogo que não tenha sido criado ou preparado para a PS4Pro; uma decisão no sentido de garantir que todo o poder do segundo chip não crie problemas, garantido um bom desempenho. Existe algum benefício à mesma, alguns tempos de loading como no Mafia III já foram comprovados, mas não são inexistentes.

Quando um jogo suporta a PS4 Pro, os dois chips são usados em simultâneo, mas quando a consola está a correr um jogo que não suporta oficialmente a PS4 Pro, apenas um chip está a funcionar. Para quem tem uma TV apenas Full HD, a PS4Pro melhora o desempenho dos jogos na questão do framerate, a estabilidade e a possibilidade de passar a jogar a 60FPS em vez de 30FPS é um factor bastante importante e uma questão a considerar, apesar de, tal como já dissemos aqui, nem todos os jogos têm esta opção, ou poderão ter.

Já sei que no fim querem uma conclusão sobre se devem comprar ou não uma PS4 Pro e se calhar muitos de vocês só vão ler esta parte, portanto vou tentar ser bastante conclusivo. Se tiverem uma TV 4K de preferência com HDR10 (tenham atenção que muitas não têm), sim! A qualidade gráfica superior, a experiência de estarem a dar um passo no futuro é óptima, mas não há ainda jogos no catálogo da PlayStation criados de raíz a pensar na PS4 Pro. Com GT Sport e Horizon: Zero Down a chegarem para o ano que vem, aí sim poderemos ver a verdadeira capacidade e a necessidade ou vontade de terem uma poderá aumentar significativamente.

Se não tiverem uma TV 4K, então honestamente não! O investimento numa PS4 Pro só por isso já é elevado, se pensarem que é praticamente um ordenado mínimo neste país, quanto mais comprar um TV 4K decente, passando o valor praticamente para o dobro, e até estou a ser simpático, e ainda se pensam aproveitar para realmente aproveitar uma consola que dê o verdadeiro poder do PlayStation VR, ainda vão gastar mais. No final de contas é tudo uma questão de poder económico e do quão importante isso é para vocês. Nós apenas tentamos dar algumas respostas e a nossa opinião, espero que tenha ajudado.

2016-11-14