Battlefield 1 tem movimentado milhões, sejam as visualizações dos seus vídeos, seja a comunidade que esperava ansiosamente pelo regresso a uma fórmula que tanto nos deu, neste caso as Guerras Mundiais. Quem não se lembra do primeiro Battlefield e do seu início épico, o famoso Dia D e a reprodução do filme do Resgate do Soldado Ryan?!

Numa altura em que todos os outros First Person Shooter’s andam para a frente no tempo, seja com armas super avançadas, com o espaço como pano de fundo, ou apenas em galáxias distantes, Battlefield 1 faz-nos voltar à Terra e à Primeira Guerra Mundial. E diria que foi a melhor coisa que a EA e a DICE poderiam ter feito, por vezes é preciso respirar, ouvir o que os gamers pedem e tentar ir ao seu encontro. E aí acertaram em cheio.

Battlefield 1 não tenta recontar a Primeira Guerra Mundial na primeira pessoa, isto é, em que acompanhamos apenas uma personagem central e aquilo com que se depara, mas sim 5 personagens, muito diferentes, que actuaram em campos completamente diferentes e que apenas tinham a mesma motivação: ganhar a Guerra e sobreviver.

São assim 6 missões no modo campanha, “Storm of Steel” – o prólogo que acontece em França e vista por vários daqueles que eram apelidados de Harlem Hellfighters, um prológo super interessante, porque enquanto estamos a tentar sobreviver, percebemos que a ideia é mesmo morrer e perceber quantas pessoas morreram nessa fase da Guerra, e que funciona para percebermos as mecânicas do jogo. Depois “Through Mud and Blood” – também em França e na continuidade do prólogo em que assumimos a pele de um condutor de um tanque que tenta rebentar as linhas inimigas. “Friends in High Places” – Onde somos um piloto da Royal Flying Corps a recolher informações por entre as montanhas e o mar que divide França e Inglaterra. “Avanti Savoia” – Onde no fundo somos um tanque humano, os chamados Arditi e depois numa espécie de modo de sobrevivência para encontrar a nossa família. “The Runner” – onde como se percebe pelo nome somos um corredor da ANZAC na Península da Gallipoli e basicamente temos de transmitir mensagens entre postos de comando pelo meio do caos; e por fim – “Nothing is Written” – onde somos comandados por Lawrence da Arábia, numa terrível guerra sangrenta na Mesopotâmia, e onde temos que ser invisíveis para levar a cabo um plano divido em 3 partes para dar cabo de um comboio que é um autêntico tanque de guerra.

Como perceberam as missões são super variadas e treinam-nos para o multiplayer, talvez o foco principal do jogo, mas talvez o faça da melhor maneira que já vi, isto é, temos uma história bastante enriquecedora, com 5 personagens muito fortes, com as suas diferenças de carácter, muito humanas, mas cujas suas decisões ou postura nos faz pensar numa espécie de super-heróis reais, que foram na verdade os homens que fizeram a diferença na Primeira Guerra Mundial. Todas as histórias são baseadas em factos reais, todas as armas são fidedignas à época, as suas mecânicas estão irrepreensíveis e é um gosto mudar de armas e vê-las funcionar. As próprias mecânicas do jogo estão muito fluídas, especialmente o combate corpo a corpo que é muito utilizado. A diversidade de objectivos e missões foi algo que sinceramente me impressionou assim como as mecânicas de todos os veículos utilizados.

A DICE esmerou-se a nível gráfico, com o motor Frostbite a demonstrar que pode dominar a próxima geração, com um realismo impressionante, sempre a trabalhar a 60 FPS, sem grandes quebras, com alguns bugs e glitchs é certo, mas na maioria das vezes sem grandes sobressaltos. Seja no Modo de campanha, onde vamos ficar maravilhados pelas paisagens que vemos, sobrevoando Londres, ou sob o Luar na Arábia, não há como ficar indiferente perante a capacidade do Frostbite, mesmo no Online, com 64 jogadores ao mesmo tempo a competir, o motor aguenta-se muito bem, com muitos dos erros a terem sido corrigidos desde a Beta que jogámos, e com uma fluídez impressionante, mais uma vez, com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo. Realmente impressionante e posso dizer que provavelmente todos os jogos futuros terão como referência Battlefield 1.

Além dos tradicionais modos Conquista, Cada Equipa Por Si e Domínio Total, em que tudo gira em torno da captura de territórios e eliminação em massa das equipas inimigas, o modo Investida exige que os jogadores destruam telégrafos instalando explosivos em bases específicas. É uma adaptação contextual do conhecido modo Rush que, ainda que não seja muito diferente ou tenha novidades relevantes, garante bons momentos de adrenalina. Além disso, o inédito modo Pombo de Guerra põe duas equipas adversárias numa busca frenética por pombos-correio, sendo que a que acumular mais tempo de posse e conseguir enviar três mensagens, vence a partida.

Mas temos de destacar o inédito modo Operações. A maior aposta da DICE no multiplayer online de Battlefield 1 passa por este modo que reproduz alguns dos combates que aconteceram em regiões específicas do mundo, numa experiência narrativa que põe os jogadores em equipas que atacaram ou defenderam essas mesmas zonas. É preciso passar por uma série de objetivos e pontos pelos mapas para dominar ou proteger toda uma região de conflitos armados. Quanto a mim este também será o maior foco dos DLC’s futuros, visto que a indicação do primeiro a sair em Março com destaque para a frente francesa e russa de seu nome “They Should Not Pass” indica que apesar de poder aparecer mais missões até para o modo de campanha, a ideia será sempre desenvolver ao máximo o online.

Battlefield 1 é o exemplo vivo de dar dois passos atrás para conseguir dar um passo firme à frente, com Titanfall, Halo e COD a explorar o espaço, mech e exoesqueletos, a EA e a DICE foram capazes de viajar no tempo e trazerem-nos, num incrível motor gráfico a vivência mais próxima e realista da Primeira Guerra Mundial que já alguma vez se viu. Todos terão muito a aprender com este jogo, todos vão olhar para ele como exemplo e vão olhar para Battlefiel 1 como um marco na história do desenvolvimento dos videojogos.

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