O novo Call of Duty saiu este mês com pompa e circunstância e não era para mais, pois é um dos IPs que mais lucro dá à Activision.

Mas antes de irmos para a review propriamente dita, vamos lá contextualizar. Desde 2003 que quase todos os anos recebemos um Call of Duty. Começámos na 2a guerra mundial, passámos por golpes de estado em Cuba e no Vietnam, sobrevivemos à Guerra fria até que chegamos ao presente onde sai o magnifico Modern Warfare 1 e 2. Aqui, para mim, foi quando a série chegou ao cume da sua qualidade, havia ataques terroristas, havia perseguições nas favelas brasileiras, you name it…

Mas, em Modern Warfare o que mais me cativava era a história em si, a profundidade das personagens, os seus dramas pessoais e principalmente um vilão que cativava. Para qualquer história um bom vilão é aquele que nunca sabemos o que vai fazer a seguir ou que o próprio pensa que está a fazer a obra do bem.

Não é o caso neste COD…

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Infinite Warfare tem uma história que já jogámos mil vezes, há um vilão que quer destruir o governo terrestre, consegue fazer um ataque devastador e o resto já se sabe. Num ano que saiu o belíssimo Battlefield 1 não consigo deixar de pensar que o COD cada vez mais é um blockbuster de Hollywood sem cérebro. Digamos que o Call of Duty é um filme do Michael Bay e o Battlefield é um filme do Steven Spielberg. O Call of Duty é para adolescentes e o Battlefield é para homens de barba rija. Bem sei que são declarações polémicas, no entanto, não consigo deixar de fazer esta comparação. Claramente temos um problema quando a única personagem que nos interessa é um robot chamado Ethan.

Dito isto, vamos lá começar. Infinite Warfare é centrado num futuro distante, no planeta Terra depois de todos recursos naturais terem sido gastos. Como resultado é criado o United Nations Space Alliance, uma organização politica que controla a colonização espacial no sistema solar, e assim, poder ir buscar recursos a outros planetas. Nas colonizações espaciais lentamente começam a aparecer rebeldes militares, formando uma organização conhecida como Settlement Defense Front (SDF) liderada pelo Admiral Salen Kotch (representado pelo conhecido Jon Snow, Kit Harington). No início do jogo, é feito um ataque em Genebra pela SDF que dizima completamente as defesas da Terra excepto algumas naves de guerra. Aqui, a personagem principal Reyes, torna-se almirante à força e com uma nave chamada Retribution a seu cargo… em termos de história não há muito mais que isto.

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Nas cerca de 6h de jogo há loading screens em forma de viagens de elevador que tornam a ida para uma missão num labor desnecessário. Tem tantos briefings, vídeos, loadings, que quando acabamos o jogo parece que só jogámos duas horas.

A nível de jogabilidade não há grande coisa a apontar, é fluida e não experienciei nenhum LAG durante as minhas sessões. A única coisa que se calhar poderei apontar é que tirando no treino não usei uma única vez o wall run, mas talvez seja da estratégia utilizada. As armas são imensas, tantas que nunca consegui afeiçoar a uma, parecem sempre iguais. Uma parte que prometia ser divertida eram as batalhas de naves, no espaço, e realmente são bastante divertidas, no entanto acabo sempre por sentir que a nave se desloca quase em piloto automático quando faz o lock no alvo. O que me faz sentir mais espectador do que propriamente jogador.

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O multiplayer continua igualzinho ao de Black Ops 3, pouco ou nada mudou, com os mesmo modos de jogo, apenas mudou o background. Isto não é necessariamente uma coisa má, pois o multiplayer sempre foi o modo mais interessante destes jogos.

De volta também, estão os Zombies e desta vez temos um demente realizador Willard Wyler (Paul Reubens AKA Pee Wee Herman) que convida quatro actores ao seu cinema e prende-os num dos seus filmes, usando magia negra. Lá encontram DJ David Hasselhoff a gerir um parque de diversões enquanto este é invadido por zombies, na década de 80. Tem uma banda sonora incrível com artistas como Frankie goes to Hollywood, David Bowie, Prodigy e Guns N’ Roses. Aqui é onde este jogo brilha e fez-me voltar a por a minha cópia na consola de novo. Há algo extremamente satisfatório quando estás com mais 3 amigos a rebentar a cabeça de zombies enquanto estão a dar one hit wonders dos anos 80.

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Em suma, Infinite Warfare não acrescenta muito ao cânone dos CODs passados, é mais um entre muitos, com personagens que parecem saídas de filmes como o Top Gun com testosterona a sair de todos os poros… Faltou a cena do vóleibol.

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