Hoje, a Microsoft apresentou oficialmente as especificações técnicas e componentes internas da Xbox Series X, partilhando ainda detalhes pormenorizados sobre as inovações que vão dirigir a próxima geração de consolas, como o DirectX Raytracing acelerado pelo hardware, Variable Rate Shading, Dynamic Latencty Input e muito mais.

Foi há alguns meses que a Microsoft anunciou a sua Xbox Series X, anunciando-a como a mais rápida e poderosa de sempre, tendo o jogador como o centro da acção. Agora e enquanto caminhamos para o seu lançamento no final do ano, já podemos observar ao detalhe todos os componentes e capacidades da consola, que aproveitamos para desbravar neste artigo com a ajuda também dos especialistas Austin Evans e a Digital Foundry e as informações que recolheram.

A Xbox Series X está confiante em demonstrar a sua capacidade e inovação em 3 variantes: Poder, Velocidade e Compatibilidade. Antes quando falávamos em salto geracional, falávamos essencialmente em inovação gráfica, o salto de 8 bits para 16 bits, do 2D para 3D, do SD para HD e finalmente do HD para o 4K.

No entanto nos dias de hoje os jogadores são mais exigentes, com a fasquia a colocar-se nos 60 frames por segundo estáveis e com a capacidade de HDR, exigindo que a compatibilidade ou retrocompatibilidade seja mais do que apenas Upsacalling. algo que a Microsoft tem vindo a inovar e a colocar em prática, por exemplo na Xbox One X, mas que se prepara agora para quebrar todas as barreiras.

“A Xbox Series X vai-nos dar um aumento gigantesco na capacidade e performance do GPU e continuar a redefinir a forma como olhamos para os gráficos através de tecnologias aceleradas pelo hardware, como é o caso do Raytracing” afirmou «Jason Ronald, Director of Product Management da Xbox Series X, acrescentando ainda que “não acreditamos que esta geração vá ser definida pela sua capacidade gráfica ou pela apenas pela resolução.”

No entanto a equipa da Microsoft quis ir mais além, dar aos jogadores e aos developers condições para jogar ou criar jogos em 4K a 60 FPS, mas também suporte para chegar aos 120 FPS para os jogos mais exigentes e competitivos, nomeadamente os eSports.

Para isso aliaram-se mais uma vez à AMD, com uma parceria que já remonta há 15 anos, desde a Xbox 360, “uma consola acaba por ser uma espécie de recreio para a inovação tecnológica”, afirmou Sebastien Nussbaum, Corporate Vice President & Senior Fellow, Semi-Custom Products and Technologies​ da AMD, e por isso podemos ver no core deste monstro da Microsoft um processador custom made, com 8 core AMD Zen 2 CPU e um RDNA 2-class GPU.

Mas Sebastien foi mais além nas palavras, “a Xbox Series X é o maior salto de SOC (System on Chip) e API que alguma vez fizemos com a Microsoft, é uma honra fazer parte dessa viagem e acredito que vá ser a luz que vai guiar todo o futuro tecnológico através do ecosistema do DirectX este ano e o próximo.”

Vamos então à listagem dos componentes que vamos poder encontrar na Xbox Series X:

CPU 8x Cores @ 3.8 GHz (3.6 GHz w/ SMT) Custom Zen 2 CPU
GPU 12 TFLOPS, 52 CUs @ 1.825 GHz Custom RDNA 2 GPU
Die Size 360.45 mm2
Process 7nm Enhanced
Memory 16 GB GDDR6 w/ 320b bus
Memory Bandwidth 10GB @ 560 GB/s, 6GB @ 336 GB/s
Internal Storage 1 TB Custom NVME SSD
I/O Throughput 2.4 GB/s (Raw), 4.8 GB/s (Compressed, with custom hardware decompression block)
Expandable Storage 1 TB Expansion Card (matches internal storage exactly)
External Storage USB 3.2 External HDD Support
Optical Drive 4K UHD Blu-Ray Drive
Performance Target 4K @ 60 FPS, Up to 120 FPS

 

Já falámos aqui, e agora deixa de ser especulação, do Raytracing, pois bem agora podemos realmente ver o que vai acontecer, na apresentação da consola, Clayton Vaught, Technical Director para o Minecraft, correu uma demo técnica para vermos o impacto desta tecnologia.

Nessa demonstração da qual colocamos aqui duas imagens, aquilo que salta à vista é, de facto, a capacidade de recriar ambientes de luz em tempo real, as sombras dos objectos, o brilho da lava, o brilho da lareira, o quanto ilumina a sala, como as texturas ficam suaves e reflectem o brilho ou esbatem a sombra, tornando, até o Minecraft, uma exeriência mais realística.

Ainda no segmento do Poder da Xbox Series X, o Technical Director da Coalition, Mike Rayner, apresentou como a sua equipa está a planear a optimização de Gears 5 para esta nova consola, com uma demo a correr com o Unreal Engine e com a consola a ser capaz de correr as características de um PC em Ultra Spec, e ainda ir mais além com uma maior resolução volumétrica de nevoeiro e de partículas. Para além disso ainda mostraram a cut-scene do início do jogo agora a correr a 60 FPS em 4K em vez dos 30 FPS na Xbox One X.

Mike Rayner afirmou ainda que o jogo já está a correr a 100 FPS e que estão agora a tentar chegar aos 120 FPS para os modos multiplayer. Para além disso cereja no topo do bolo… Gears 5, a versão optimizada para a Xbox Series X vai sair quando a consola for lançada e para aqueles que já têm o jogo, esta versão ou update, se preferirem, será gratuito.

Passemos então à segunda premissa, a Velocidade, mais do que a velocidade a que se chegar é a redução do tempo de espera, neste caso a velocidade dos loadings, por exemplo, e para tal era necessário passar para discos SSD com a possibilidade de expansão de mais 1 TB através da porta traseira, e também, de uma nova arquitectura.

A Xbox Velocity Architecture, a integração e a combinação do hardware e software ao ponto de developers conseguirem aceder a conteúdos de 100GB, por exemplo, em segundos, dando a opção de combinar e multiplicar a memória física a um nível nunca antes visto.

“O CPU é o cérebro da nossa nova consola e o GPU é o seu coração, mas a Xbox Velocity Architecture é a sua alma,” disse Andrew Goossen, Technical Fellow on Xbox Series X na Microsoft.  Aqui o salto é pensado pegando em exemplos como o Final Fantasy XVAssassin’s Creed Odyssey, ou Red Dead Redemption 2 que no fundo redefiniram a forma como vemos um jogo Open World e dinâmico, e para conseguir fazer isso é preciso mais poder de processamento, mas também de carregar essa informação de uma forma rápida, para que o nosso movimento não sinta esse “loading” das texturas.

Mas falar de velocidade implica falar de latência, a Xbox Series X oferece também uma enorme evolução nesta componente, como sabemos existem diversos tipos de latências quando falamos de PC ou consolas, mas aqui tudo é visto como um todo, isto é, desde que o jogador manda um “input” no comando, até esse aparecer executado na TV. Todos sabemos que o tempo é tão curto (falamos de milissegundos) que parece insignificante, mas não é, a verdade é que uma diferença de 20ms para 8ms (que é o que estamos a falar), pode fazer toda a diferença.

Por fim, os loadings, é claro, com o poder da Xbox Series X os tempos de loading vão ser reduzidos a algo como isto…

E temos que falar ainda do Quick Resume technology onde nesta altura podemos facilmente retomar o último jogo que estávamos a jogar na nossa consola. Agora vamos poder retomar vários jogos com o premir de apenas um botão, e vão conseguir retomar o jogo mesmo depois de desligar a consola na ficha e por completo.

Chegamos assim à última premissa, a Compatibilidade, o terceiro e último pilar onde assenta esta Xbox Series X. Já tínhamos percebido o quanto a Microsoft tem se esforçado para conseguir a compatibilidade dos jogos ou retrocompatibilidade, para que a vossa consola seja uma só, e já agora que paguemos só uma vez pelo jogo que queremos, e isso teve um enorme impacto, especialmente depois do anúncio em 2015 na E3 da retrocompatibilidade dos jogos Xbox 360. Agora a fasquia é mais alta, para além dos jogos originais Xbox e Xbox 360, também os jogos da Xbox One terão que fazer parte do catálogo da Xbox Series X.

Com aquilo que referimos anteriormente, é de esperar que os jogos agora vão ter loadings reduzidos ou inexistentes, frame rates mais estáveis, uma maior resolução e qualidade na imagem. E para dar continuidade ao trabalho feito nessa área, a compatibilidade será feita ainda em termos de Save’s, isto é, os vossos Save’s poderão ser utilizados na nova consola assim como todos os pontos e achievements do vosso perfil. Há ainda a questão dos periféricos com todos eles a serem compatíveis com a nova Xbox Series X. Para além disso a equipa da Microsoft trabalhou também no cross generation multiplayer, isto é, vão poder jogar contra os vossos amigos que possam não ter uma Xbox Series X, mas que tenham um Xbox One. Por fim destaque ainda para o Smart Delivery, que nos permite apenas comprar o jogo uma vez, e poder o utilizar na nossa Xbox One e na Series X.

Estamos ansiosos com a chegada da Xbox Series X, e aposto que vocês depois de terem lido tudo isto também estão, não estão?!